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São Paulo está prestes a receber 287,8 mil metros quadrados de novos escritórios corporativos no segundo semestre, o maior volume em mais de uma década, com 90% desse total nas categorias A, AA e AAA, segundo levantamento da consultoria RealtyCorp.
Apesar do aumento na oferta, a taxa de vacância deve se manter estável devido à forte demanda, especialmente por empreendimentos de alto padrão.
O levantamento destaca que muitos projetos foram acelerados após a pandemia, com regiões como Chácara Santo Antônio e Chucri Zaidan respondendo por 54,4% das novas entregas.
Já a absorção líquida deve se manter em torno de 186 mil metros quadrados, o que pode levar a uma leve elevação na vacância, de 12,7% para 13%.
O mercado corporativo está se recuperando, com níveis de absorção semelhantes aos do período pré-pandemia, e mais de 500 mil metros quadrados de escritórios ainda em construção.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A cidade de São Paulo está prestes a receber o maior volume de novo estoque de escritórios corporativos em mais de uma década. Mas isso não deve fazer cócegas na taxa de vacância, diante da forte demanda por empreendimentos, principalmente de alto padrão, na capital paulista.
Um levantamento feito pela consultoria RealtyCorp para o NeoFeed aponta que a capital paulista deverá receber aproximadamente 287,8 mil metros quadrados (m²) de novo estoque no segundo semestre. Desse total, 90% está enquadrado nas categorias A, AA e AAA.
O volume supera os aproximadamente 268,4 mil m² entregues no segundo semestre de 2015, até então o maior semestre da série histórica analisada pela RealtyCorp. Também equivale a aproximadamente 2,9 vezes o volume entregue no primeiro semestre e a mais do que o dobro de todas as entregas registradas em 2025.
Segundo Christofer Mariano, diretor de locação da RealtyCorp, boa parte do volume previsto para ser entregue não é resultado de um excesso recente de lançamentos, mas da maturação de projetos iniciados anos atrás e que foram acelerados para aproveitar a retomada da demanda após o baque provocado pela pandemia.
“A data de entrega tem mais a ver com o mercado do que com o projeto, que já era uma idealização anterior a toda a crise”, diz ele.
“Quando as incorporadoras começaram a construção, veio a pandemia e, por estratégia, elas foram conduzindo esses projetos no ritmo em que se encontrava o mercado”, complementa o executivo.
É o caso das regiões da Chácara Santo Antônio e da Chucri Zaidan, ambas na zona sul, que até 2020 estavam bastante aquecidas.
Com ampla disponibilidade de áreas para construção, as duas receberam grandes projetos, muitos deles planejados entre 2018 e 2019. A pandemia e a chegada do home office elevaram a vacância, o que desacelerou o desenvolvimento dos empreendimentos.
A partir da retomada do trabalho presencial, esses projetos foram retomados e começam a chegar ao mercado. Segundo a RealtyCorp, as duas regiões responderão pela maior parte das entregas, com aproximadamente 156,6 mil m² de novos escritórios, o equivalente a 54,4% do total previsto para o semestre.
Mas Mariano destaca que o represamento de projetos não é a única explicação para o alto volume de entregas previsto para o segundo semestre. Na Faria Lima, que deve receber cerca de 33,5 mil m², novos edifícios foram desenvolvidos para atender à escassez de espaços na região.
Em áreas como Pinheiros, com aproximadamente 59,8 mil m² de entregas previstas, predominam projetos boutique, com menor metragem e arquitetura diferenciada, embora o bairro, na zona oeste, também abrigue o Cyrela Oscar Freire Corporate, um dos maiores edifícios previstos para entrega, que receberá a sede da Cyrela e parte dos funcionários do Nubank.
O denominador comum, segundo Mariano, é a melhora do mercado. “Cada região em São Paulo tem uma identidade diferente, vai ter estratégias diferentes, principalmente por conta do mercado, de preços e de tamanhos. Cada ativo tem uma história um pouco diferente”, afirma.
Vacância estável, construção em alta
Apesar da previsão de entrada de centenas de milhares de metros quadrados nos próximos meses, o mercado vive um momento de demanda aquecida, com forte absorção de áreas e empreendimentos que já chegam ao mercado parcialmente ocupados. Com isso, dificilmente o ponteiro da vacância vai mexer consideravelmente.
“Mesmo com essas novas entregas, a vacância tende, no mínimo, a se estabilizar, porque o ritmo de novas locações continua forte. Se não houver uma nova crise, a tendência é que o mercado siga absorvendo esses espaços”, afirma Mariano.
O levantamento aponta que, caso a absorção líquida do segundo semestre repita o desempenho dos primeiros seis meses do ano, em torno de 186 mil metros quadrados, a taxa de vacância do mercado de alto padrão poderia, no máximo, apresentar uma leve elevação, passando de aproximadamente 12,7% para algo próximo de 13%.
Segundo Mariano, o mercado voltou a registrar níveis de absorção semelhantes aos do período pré-pandemia, entre 400 mil e 500 mil m² por ano. Esse volume é suficiente para compensar boa parte da nova oferta prevista.
A Chucri Zaidan, que já sofreu com estoques elevados, vê a absorção acelerar. A vacância, que chegou a aproximadamente 32% durante a pandemia, caiu para cerca de 12% graças ao ritmo de novas locações.
Além disso, parte dos empreendimentos chega ao mercado já com ocupantes encaminhados, caso de projetos como o Cyrela Oscar Freire e de edifícios como o Ester Towers e o Alto das Nações, ambos na zona sul, que despertam interesse de grandes empresas. “Aumentar o estoque não necessariamente aumenta a vacância, porque parte desses prédios pode ser entregue já ocupada”, diz.
Essa situação tende a manter os incorporadores com as máquinas ligadas. Segundo Mariano, ainda existem mais de 500 mil metros quadrados de escritórios corporativos de alto padrão em construção na cidade, além de diversos terrenos já aprovados, aguardando apenas o momento adequado para o início das obras.
“O mercado corporativo exige planejamento de longo prazo. As incorporadoras não podem simplesmente parar de construir porque existe oferta hoje. Se fizerem isso, quando a demanda acelerar novamente, elas chegarão atrasadas”, afirma.




