26.7 C
São Paulo
quarta-feira, agosto 5, 2026

Alliança Saúde engrossa a lista de empresas que recorrem à recuperação extrajudicial

DEVE LER


Em um movimento já esperado pelo mercado, a Alliança Saúde, que detém marcas como CDB, Cedimagem, Axial e Delfin, informou ao mercado nesta quarta-feira, 5 de agosto, que entrou com um pedido de homologação do seu plano de recuperação extrajudicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo.

No fato relevante divulgado na manhã de hoje, o grupo de medicina diagnóstica observou que o plano em questão, apresentado em conjunto com suas principais subsidiárias, abrange créditos no valor total de aproximadamente R$ 1,1 bilhão.

O plano consiste em uma conversão de dívida em equity enquanto os acionistas avaliam a venda da empresa, de acordo com o site Pipeline. E surge quatro meses depois de o grupo obter uma liminar de proteção à sua liquidez.

A companhia observou que, desde então, alcançou amplo apoio ao plano proposto, que já conta com a adesão de mais de 83 credores, representativos de cerca de 54% dos créditos incluídos no processo.

Segundo a empresa, essa adesão foi impulsionada pela reorganização societária que consolidou o controle do grupo no Tessai FIP Multiestratégia, fundo ligado à Geribá Investimentos. O controle foi transferido após credores executarem ações que pertenciam ao empresário Nelson Tanure, dadas como garantia em operações financeiras

A crise, porém, não se limita ao campo financeiro. A Alliança vive também um momento de instabilidade na governança, marcado pela saída de Ricardo Sartim, CEO e CFO interino, que deixou a companhia alegando motivos pessoais.

Sartim havia assumido o comando há um ano, substituindo Isabella Tanure, filha de Nelson Tanure, e sua renúncia reforça o cenário de turbulência. A empresa iniciou o processo de sucessão e aprovou a entrada de João de Saint Brisson Paes de Carvalho no conselho de administração.

A saída do executivo ocorreu em meio a uma série de eventos que agravaram a situação da Alliança. Em fevereiro, credores tomaram as ações da empresa e as transferiram ao fundo Tessai, após a deterioração financeira da operação.

A companhia também enfrentou problemas de liquidez após a Siemens Healthineers realizar uma transferência unilateral de R$ 11,8 milhões de uma conta vinculada a um contrato de financiamento, medida que afetou o pagamento de fornecedores e do corpo clínico. Paralelamente, a Alliança encerrou negociações para adquirir o Grupo Meddi, considerado estratégico para sua expansão no Nordeste.

Ao longo dessa crise, a empresa viu suas ações acumularem queda de 33,3% em 12 meses, negociadas a R$ 3,19, com valor de mercado de R$ 485,9 milhões.

A recuperação extrajudicial da Alliança se soma a uma lista de empresas no Brasil que recorreram a pedidos recuperação judicial ou extrajudicial para tentar reequilibrar as finanças.

O caso mais recente foi do Grupo Gennius Brasil, que controla as marcas Habib’s (restaurante de comida árabe), Ragazzo (rede de massas), Mita (marmitas para delivery) e Tendall Grill (churrascaria), que pediu proteção contra credores, com dívidas de R$ 312 milhões.

Mas a lista é extensão. Entre eles, o Grupo Toky, controlador da Tok&Stok e Mobly, que informou ter um volume de R$ 1,1 bilhão em dívidas, e Oncoclínicas, que enfrenta dificuldades desde o início do escândalo do Banco Master, e que reportou débitos de R$ 5,1 bilhões.

Também entraram na Justiça a rede de supermercados St. Marché, o Grupo Pão de Açúcar (GPA), a fabricante de brinquedos Estrela e a Fictor, entre outras empresas.



Fonte Link

- Publicidade -spot_img

Mais Artigos

- Publicidade -spot_img

Último Artigo