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terça-feira, agosto 18, 2026

TVs universitárias na encruzilhada da TV 3.0 e do streaming – ConvergenciaDigital

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Há quase três décadas, as TVs universitárias brasileiras desempenham um papel fundamental como ponte entre o conhecimento produzido na academia e a sociedade. No entanto, esse ecossistema de comunicação pública vive hoje um momento de transformação crítica e enfrenta desafios que ameaçam sua capilaridade e existência no modelo tradicional de distribuição.

Um dos principais obstáculos recentes é a mudança de postura das operadoras de TV por assinatura. Historicamente amparadas pela Lei do Cabo, as emissoras universitárias ocupavam canais obrigatórios nessas grades. Contudo, o cenário mudou drasticamente. Segundo Malu Mota, diretora geral do CNU-SP e vice-presidente da ABTU, as operadoras decidiram que não querem mais carregar esses canais, gerando um dilema sobre onde escoar a produção acadêmica. “Unesp, PUC, Zumbi dos Palmares e Unip se uniram para decidir como continuar levando conhecimento, assim nasceu o CNU Play, que tem desafios, mas é um caminho”, explica a professora.

Para Malu, o conteúdo gerado dentro das instituições é um ativo valioso que precisa “ultrapassar as fronteiras do mundo acadêmico”. A criação de plataformas próprias de streaming, como o CNU Play, surge como uma alternativa democrática e um preparativo para a futura TV 3.0, mantendo o foco na vocação extensionista das universidades.

O cenário estatístico da comunicação universitária no Brasil revela uma fragmentação acentuada. Atualmente, 190 emissoras se declaram como TVs universitárias, mas Francisco Machado Filho, presidente da ABTU e diretor da TV UNESP, alerta que muitas não possuem de fato essa natureza. Além disso, a distribuição é desigual: todas estão presentes no YouTube, 65% operam exclusivamente na internet, 66 emissoras que estão em canais a cabo estão em processo de desligamento e apenas 29 operam na TV aberta.

A transição para a TV 3.0 — a nova geração de televisão digital que integrará internet e transmissão linear — traz uma preocupação central: a exclusão. De acordo com Machado Filho, a entrada nesse novo padrão tecnológico está se concretizando para as universidades federais, mas deixa de lado as demais instituições. “É um debate que temos que começar a fazer”, ressalta o professor.


Como resposta a essa possível marginalização, a ABTU lançou o ABTUPlay, uma plataforma de compartilhamento de conteúdo que já conta com mais de 600 vídeos e atende a mais de 30 emissoras legislativas. O conteúdo universitário também busca espaço em canais nacionais via satélite (DTH) e na plataforma EduPlay, da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).

Para os especialistas, a sobrevivência dessas emissoras não depende apenas de inovação tecnológica, mas de um reconhecimento social e político da importância da comunicação pública. Machado Filho enfatiza que, sem uma política pública robusta, as TVs universitárias correm o risco de serem “excluídas por escala econômica”, tornando-se dependentes de plataformas privadas e enfrentando dificuldades de acesso a equipamentos e infraestrutura.

O setor agora se mobiliza para levar essas pautas a Brasília, buscando a realização do 2º Fórum de Comunicação Pública. O objetivo é pautar a presença da comunicação pública no streaming, garantir a proteção das TVs universitárias na TV 3.0 e fomentar investimentos em inovação e infraestrutura, como redes de entrega de conteúdo (CDN). “Precisamos mudar essa percepção”, defende Machado Filho, reforçando que garantir o acesso das pessoas à comunicação universitária é uma questão de qualidade democrática.



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