O transumanismo tornou-se um dos temas mais relevantes do século XXI, especialmente diante dos avanços acelerados da inteligência artificial, da robótica e das neurotecnologias. De qualquer forma, transumanismo, uma palavra cada vez mais falada nestes tempos em que só se fala de IA; alguns também chamam de transumano.
O termo transumanismo, ou visão transumanista, é um movimento filosófico e intelectual que visa transformar a condição humana por meio de tecnologias emergentes, visando potencializar o ser humano, relegando a evolução biológica a segundo plano e, assim, alcançar o patamar do pós-humano.
O transumanismo é um movimento que surgiu no final do século 20 com o objetivo de aprimorar a condição humana por meio do uso da tecnologia. Na prática, este caminhar se materializa em diversas áreas e, claro, também a chamada inteligência artificial (IA). Mas, a inteligência artificial constitui apenas uma das tecnologias utilizadas dentro da visão transumanista, ao lado da biotecnologia, da engenharia genética, da robótica e das neurociências.
O assunto em si é complexo e pode ser analisado sob diversos ângulos, mas, se focarmos na questão ética como podemos sugerir e ou concluir sobre este assunto do transumanismo? A tradição cristã ensina que o ser humano possui uma dimensão corporal, intelectual e espiritual, realidade que o distingue profundamente das máquinas. Esta mesma tradição cristã reconhece a legitimidade das tecnologias terapêuticas que restauram funções humanas comprometidas. Entretanto, levanta questionamentos éticos quando a tecnologia passa da cura para a tentativa de redefinir a própria natureza humana.
Eticamente falando, podemos sim aceitar, em caso de alguma deficiência funcional do corpo humano, um corretivo funcional, sem que ele altere qualquer característica fundamental do ser humano no conjunto das três dimensões mencionadas: corpo, mente e espírito.
A empresa Neuralink do Elon Musk, quer mesclar mentes e computadores, e já caminha celeremente nesta questão. A propósito, recentemente esta empresa anunciou que está recrutando pessoas com paralisia facial para testar seus implantes cerebrais. Isto até poderia parecer contraditório, mas, entendo que neste sentido da melhoria das funções humanas, a tecnologia é muito bem-vinda.
Por outro lado, há quantas próteses de pernas e braços que permitem a muitos seres humanos andar, trabalhar e conviver com a família. Outra máquina, cada vez mais sofisticada e digitalizada, é o MARCA-passo que tem mantido vivos milhares de seres humanos. Em suma, Deus nos criou com inteligência e devemos sempre fazer o melhor no sentido de preservar a vida, o maior bem que nós temos.
Recentemente o próprio Elon Musk veio ao público preocupado e comentou que o desenvolvimento da IA precisaria parar um período e, assim, poderíamos definir claramente até onde poderia ir esta ferramenta digital. Aqui posso dizer: a IA é uma criação humana e, bem utilizada, pode ajudar muito a humanidade.
Aproveito aqui para comentar rapidamente sobre a chamada IA, ou inteligência artificial. Este termo foi inventado pelo cientista John McCarthy em 1956 e foi utilizado pelo termo pela primeira vez durante uma conferência na Universidade de Dartmouth, nos Estados Unidos.
Por outro lado, conforme comentou o Elon Musk: “A inteligência artificial será mais inteligente do que qualquer ser humano individual”.
Sem dúvida que há exageros nesta fala, pelo menos é o que nos parece. De qualquer forma, o termo IA – inteligência artificial, faz transparecer algo de superioridade, mas não é, como disse, é criação humana. Eu diria que grande parte da utilização da IA, nada mais é do que uma busca acelerada (BA) de informações, mas, não há dúvida de que é uma ferramenta que reconhece padrões, gera textos, faz traduções, diagnósticos médicos, previsões estatísticas, análise de imagens e decisões automatizadas. E, de fato, os diversos aplicativos que existem de IA são todos eles programação, com a utilização de muitos protocolos, pesquisando tudo o que há na internet e com muita velocidade.
No entanto, alguns cientistas e pensadores alertam para a possibilidade futura de sistemas altamente autônomos apresentarem comportamentos difíceis de controlar, embora não exista consenso sobre a eventual obtenção de consciência por máquinas.
A busca constante pela melhoria das condições de vida do ser humano é totalmente lícita e correta, mas, este é o exato momento de criarmos um protocolo sobre a IA, a ser criado e discutido em todos os fóruns da humanidade e não imposto. Desta forma teremos bem clarificado até onde e o que a BA poderá fazer e sem dúvida, definidos claramente os seus limites. E, repito aqui que tudo o que vier melhorar a condição de vida do ser humano, será bem vindo.
A tecnologia em si, em todos os sentidos, pode ser benéfica para o ser humano, mas precisamos saber utilizar. Só exemplificando o caso da descoberta da energia nuclear, utilizada inicialmente para algo terrível que foram as bombas nucleares que destruíram Hiroshima e Nagasaki, algo absurdo, mas, hoje a tecnologia nuclear, através da medicina nuclear, salva milhões de pessoas todos os anos.
O verdadeiro desafio não será apenas desenvolver tecnologias cada vez mais avançadas, mas garantir que elas permaneçam a serviço da dignidade humana, da liberdade e do bem comum. Espero que estas poucas reflexões possam ajudar a todos na construção de um mundo melhor.
Roberto Vertamatti é Vice-presidente de Economia da ADVB e Conselheiro da ANEFAC
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