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sexta-feira, julho 10, 2026

A segunda encarnação da Nokia

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O tempo em que a Nokia era sinônimo de aparelhos celulares passou, mas a empresa encontrou uma nova vocação como fornecedora de soluções para data centers de AI – e sua ação explodiu.

A Nokia produz parte do hardware e do software utilizados nestes data centers, ajudando a entregar os dados presentes nos servidores aos clientes.

Fazendo uma analogia com o mundo real, é como se os cabos de fibra ótica fossem uma estrada e os produtos da Nokia fossem o GPS responsável por direcionar os dados aos seus locais de destino.

Com o boom de AI, as soluções da Nokia ganharam importância rapidamente – já que garantem a escalabilidade dos serviços e são especialmente importantes para gigantes do setor como OpenAI, Meta e Alphabet.

Os produtos da empresa são a “espinha dorsal da economia de AI,” Justin Hotard, o CEO da Nokia, disse em um comunicado à imprensa. 

O mercado concordou – e está incorporando a tese no preço da ação da empresa finlandesa. O papel subiu cerca de 150% nos últimos 12 meses em Helsinki, ante uma alta média de 68,5% do setor de wireless communications no mesmo período.

A guinada começou em 2024 sob o comando do ex-CEO Pekka Lundmark, que comprou a Infinera, uma fabricante de tecnologia de rede ótica (lasers, receptores e chips que transportam dados), por US$ 2,3 bilhões. 

O movimento fez com que o market share da empresa no mercado americano de redes óticas crescesse de 6,3% para 27,3% em 2025.

Porém a consolidação da Nokia no setor de AI se deu com a chegada de Hotard, um ex-chefe dos setores de data center e AI da Intel, em 2025. 

Ele trouxe consigo executivos veteranos do Vale do Silício para expandir o braço de infraestrutura de AI da empresa e teve seu trabalho rapidamente reconhecido com a compra de 2,9% da Nokia pela Nvidia por US$ 1 bilhão em outubro do ano passado.

Neste ano, a Nokia lançou um novo laboratório de inovação voltado para AI em Sunnyvale, na Califórnia, visando acelerar o desenvolvimento de tecnologias de rede nativas em AI e atender à crescente demanda por soluções para data centers de alto desempenho. 

O laboratório tem apoio de empresas como AMD, Keysight, Lenovo, Supermicro, VIAVI, Weka, Everpure e Nscale, que irão trabalhar em conjunto com a Nokia para desenvolver e testar soluções avançadas de rede voltadas para AI. 

Com tudo isto, e após um primeiro trimestre fiscal forte do setor de redes óticas, a empresa quase dobrou sua projeção de crescimento para este ano, elevando-a para uma faixa entre 18% e 20% ante previsão anterior de 6% a 8%.

A Nokia vale € 61 bilhões na Bolsa.




Pedro Borg






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