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terça-feira, maio 12, 2026

Sem pânico, Raízen terá “solução definitiva” em alguns meses, diz CEO

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Apesar de admitir que a reestruturação operacional não é suficiente para a Raízen voltar a ser um negócio rentável, os principais executivos da maior fabricante de açúcar do mundo tentaram afastar os rumores sombrios que rondaram a Faria Lima nos últimos dias.

Não só uma recuperação judicial iminente é algo fora da mesa como os controladores (Cosan e Shell) estão comprometidos em injetar capital na Raízen para adequar a estrutura de capital da companhia, fazendo com que a dívida se reduza a um tamanho capaz de ser absorvida pela geração de caixa operacional.

Atualmente, o índice de alavancagem da Raízen passa de 5 vezes, com uma dívida líquida de R$ 55 bilhões. A companhia quer voltar a um patamar saudável de alavancagem, entre 2 vezes e 2,5 vezes.

A solução definitiva, no entanto, vai demorar mais do que os credores e acionistas gostariam. Em teleconferência com analistas, o CEO da Raízen, Nelson Gomes, parecia pedir paciência.

“Esse processo começou há alguns meses e vai se prolongar mais alguns meses adiante”, disse Gomes, evitando responder ao que chamou de “especulações” sobre a estrutura dessa solução em gestação.

Nesta sexta-feira, o Brazil Journal informou que uma das opções avaliadas por BTG Pactual, Cosan e Shell inclui a conversão de dívidas em equity, um aporte dos acionistas controladores e a separação dos negócios de distribuição de combustíveis da área de açúcar e etanol.

“Temos o dever e responsabilidade de não ficar especulando sobre potenciais estruturas até que a companhia, em conjunto com controladores, conclua esse trabalho”, reiterou o CEO.

Como tempo costuma ser crucial nesses casos, a Raízen tentou aplacar a apreensão do mercado a partir da posição de caixa que mostrou balanço. No fim de dezembro, a empresa tinha mais de R$ 17 bilhões, sendo que mais de 90% desse montante é de liquidez imediata.

“Isso nos dá conforto para o endereçamento da solução definitiva”, disse Lorival Luz, diretor financeiro da Raízen. Segundo ele, a companhia não possui grandes vencimentos no curto prazo. Atualmente, o prazo médio de vencimento das dívidas é de oito anos.

Perguntado por analistas, o diretor financeiro da Raízen também afastou as preocupações sobre o impacto do recente rebaixamento do rating sobre a liquidez.

Ao contrário do que se especulou, não há chamadas de margens nos contratos de derivativos que a companhia possui em razão da piora da nota de crédito. “Não existe nenhum tipo de chamada de margem ou covenants financeiros que fariam isso ocorrer”, disse Luz.

Enquanto trabalha na solução definitiva, a Raízen seguirá com o plano de reorganização operacional, que já inclui uma economia de R$ 600 milhões em despesas, e a venda de ativos.

Aos analistas, o CEO da Raízen previu que o processo de venda de ativos, que tem a refinaria da Argentina como carro-chefe, deve ser concluído ao longo deste ano.  

Desde que iniciou o processo de desmobilização de ativos (que incluiu usinas sucroalcooleiras e projetos de geração distribuída), a companhia já levantou R$ 5 bilhões. Estima-se que a refinaria argentina possa trazer mais US$ 1 bilhão ao caixa da Raízen.

***

Listada na B3, as ações da Raízen (RAIZ4) recuam mais de 1% nesta sexta-feira. Em um ano, os papéis já caíram 62%.



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