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terça-feira, junho 2, 2026

O novo tarifaço vem aí — mas o agro pode respirar aliviado

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O governo dos Estados Unidos propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias importadas do Brasil como resposta ao que considera práticas anticoncorrenciais do País, após a conclusão de uma investigação feita pelo USTR (Escritório de Comércio dos EUA).

A boa notícia é que a lista de exceções é extensa, incluindo diversos itens da pauta do AGRONEGÓCIO, como carne bovina, café, suco de laranja e frutas, como manga e abacaxi, o que evita impactos significativos para o AGRONEGÓCIO.

No documento em que apresenta a conclusão da investigação e pede a taxação de itens brasileiros, o USTR incluiu um anexo com uma lista de exclusões de mais de 70 páginas — a maioria delas estratégica para o abastecimento do mercado consumidor americano e para evitar pressões inflacionárias, o que poderia prejudicar ainda mais a já abalada popularidade do presidente Donald Trump meses antes das eleições legislativas.

Além de apontar supostas práticas comerciais desleais, o relatório dedica uma seção às questões ambientais — o que atinge em cheio o agro. O documento afirma que, embora o País possua um arcabouço legal para combater o desmatamento ilegal, a aplicação das regras tem sido historicamente insuficiente, permitindo a continuidade do desmatamento.

Sem citar a fonte, USTR diz que “estimativas” apontam que mais de 90% do desmatamento ocorrido no Brasil desde 2001 estaria associado à conversão de áreas de floresta para atividades agropecuárias. O órgão também destaca que, entre 2018 e 2022, a pecuária respondeu por 78% do desmatamento relacionado à produção de commodities.

O relatório ainda argumenta que culturas agrícolas como soja e milho se beneficiam indiretamente desse processo. De acordo com o documento, essas lavouras frequentemente ocupam áreas de pastagens degradadas abertas anteriormente, capturando parte dos ganhos econômicos gerados pela expansão da fronteira agropecuária.

A investigação do USTR abrangeu também o mercado de etanol, concluindo que “políticas e práticas do Brasil são irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA”. O relatório diz que o País “interrompeu abruptamente” em 2017 a reciprocidade que vinha beneficiando o comércio bilateral, ao aplicar uma tarifa de 20% sobre as importações de etanol dos Estados Unidos que excedessem a cota isenta de 600 milhões de litros.

O etanol não está na lista de exceções, assim como pescados e camarões — setores que sofreram com os impactos do tarifaço do ano passado.

O temor da inflação

Apesar das críticas, o governo americano optou por preservar uma ampla lista de produtos agrícolas brasileiros das novas tarifas. A decisão reflete a dependência do mercado americano de determinados itens importados do Brasil, especialmente carne bovina, café e suco de laranja, setores nos quais os Estados Unidos possuem produção insuficiente para atender a demanda doméstica em sua totalidade.

Vale lembrar que a pecuária norte-americana vive seu pior momento em décadas. O rebanho americano caiu ao menor em 70 anos, reduzindo a produção e resultando numa disparada dos preços da carne e no aumento das importações, especialmente do Brasil, que já tem os EUA como segundo principal mercado.

A exclusão do café também reflete uma preocupação com a inflação. Os Estados Unidos importam praticamente todo o café que consomem e dependem do Brasil para cerca de um terço desse volume. No ano passado, a sobretaxa ao produto brasileiro provocou uma corrida de importadores por estoques, impulsionando as cotações do arábica em Nova York e acendendo alertas sobre novos aumentos ao consumidor americano.

Mas, ainda que a lista de exceções resulte num impacto limitado do novo tarifaço para o agro brasileiro, a investigação da USTR reforça a tendência de crescente escrutínio internacional sobre questões ambientais envolvendo a produção de alimentos no Brasil.

O USTR abrirá uma consulta pública para que o setor privado possa comentar as conclusões de sua investigação antes da elaboração de um relatório definitivo, que deve ser publicado até 15 de julho. A decisão sobre a implementação ou não das tarifas caberá ao presidente dos EUA, Donald Trump.



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