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terça-feira, junho 2, 2026

Plano “neutro” de expansão da Rede D’Or (RDOR3) pode ser boa notícia para companhia?

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A Rede D’Or divulgou uma atualização do seu plano de expansão orgânica, prevendo a abertura de 2.690 novos leitos hospitalares entre 2026 e 2028. O número representa uma redução marginal de apenas 0,8% em relação aos 2.712 leitos projetados no formulário de referência anterior, enquanto o investimento médio esperado permanece em R$ 1,4 milhão por leito.

O JPMorgan avalia a atualização da gigante do setor hospitalar como amplamente neutra. O plano de expansão está, em linhas gerais, alinhado às expectativas do banco, mesmo assim, deve reduzir os argumentos mais pessimistas relacionados a revisões sucessivas para baixo e à eventual dificuldade de execução.

Por volta das 11h48, as ações da companhia subiam 1,74%, a R$ 34,46.

O banco destaca que, historicamente, investidores demonstraram ceticismo em relação aos planos de expansão da companhia devido a múltiplas revisões no cronograma de abertura de unidades e na adição de leitos desde a abertura de capital (IPO).

Desta vez, porém, o cenário é diferente. A empresa entregou o plano previsto para 2025 e o pipeline remanescente permanece praticamente inalterado após o ajuste pelas inaugurações realizadas, indicando que a execução está em linha com as orientações anteriores.

Nesse contexto, o JPMorgan continua enxergando risco limitado de execução, uma vez que cerca de 75% do pipeline é composto por projetos brownfield, que se beneficiam de infraestrutura já existente, relacionamento com médicos e credenciamento junto às operadoras de saúde. Além disso, uma parcela relevante dos projetos greenfield está sendo desenvolvida por meio da joint venture Atlântica D’Or, o que reduz o risco associado à maturação de novos hospitais.

O banco acrescenta que a retirada do cronograma detalhado de inaugurações não deve ser interpretada como um sinal de alerta relevante, considerando que o horizonte do plano de expansão é relativamente curto, de aproximadamente dois anos e meio.

Por outro lado, os investidores podem questionar como a companhia pretende manter uma estimativa de investimento de cerca de R$ 1,4 milhão por leito em um ambiente marcado pela forte inflação dos custos de construção e equipamentos nos últimos anos.

Ainda assim, o JPMorgan acredita que a atualização do plano de expansão não será o principal fator de movimentação das ações. O foco dos investidores continua concentrado nas margens de EBITDA dos hospitais maduros (same store), especialmente na velocidade de expansão das margens à medida que os ativos mais novos ganham escala, além das condições operacionais do setor de saúde, tanto para prestadores quanto para operadoras.

Dessa forma, o banco entende que a atualização remove um potencial argumento negativo relacionado à execução, mas não cria um novo catalisador para o papel. O JPMorgan mantém uma visão positiva sobre a Rede D’Or e reafirma recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 46.

O Bradesco BBI também avalia o anúncio como neutro, embora a retirada do detalhamento anual possa levantar dúvidas quanto ao timing da expansão, com possível concentração maior em 2027 e 2028.

“Ainda assim, o volume total anunciado representa potencial upside frente às nossas estimativas, que consideram uma abordagem mais conservadora, em função do elevado número de leitos ainda não operacionais”, comenta o banco.

O BBI reiterou recomendação de compra para RDOR3, sustentada por valuation atrativo — com potencial de valorização relevante —, fundamentos de crescimento consistentes e qualidade operacional. A tese segue apoiada na capacidade de execução e na expansão gradual da utilização dos ativos ao longo do ciclo.

Para Itaú BBA, o principal ponto não está no tamanho da revisão das estimativas, mas na mudança no nível de divulgação. Diferente do que ocorreu nos últimos anos, a capacidade planejada permaneceu praticamente inalterada em relação ao ano anterior.

Embora o guidance divulgado não deva mudar as estimativas do consenso, o novo formato reduz a visibilidade sobre o perfil dos projetos, sua escala e o ritmo de entrada em operação, o que torna mais difícil acompanhar e modelar a expansão orgânica da companhia.

O Itaú BBA reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 54,00.



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