Quem nunca parou para rir com as conversas entre João e Seu Duardo que atire a primeira pedra. Com mais de 3 milhões de seguidores nas redes sociais, os Primos Agro viraram um ícone da rotina do agro, de um jeito leve e bem-humorado. O que menos gente pode saber é que eles são os maiores — mas estão longe de ser os únicos.
Um estudo conduzido pela Deck e pela Nexus, empresas de estratégia e de inteligência de dados do grupo FSB, traçou um mapa de influência digital em 21 setores da economia, incluindo o AGRONEGÓCIO.
Para selecionar os nomes que compõem a lista, as empresas foram além das métricas de engajamento (número de seguidores, curtidas, comentários e visualizações) para uma análise qualitativa dos formadores de opinião, de olho em elencar quem se destaca quando o assunto é reputação.
“Você pode descobrir que um determinado influenciador que tem muito engajamento, que é bem falado pelos seguidores, fez um post crítico sobre o setor em que a sua empresa atua. A pessoa pode ser ótima em termos de alcance, mas não necessariamente boa para a empresa se associar”, exemplifica Marcelo Tokarski, líder da área de pesquisa da FSB Holding.
Essa análise “peneirada” dos influenciadores ganhou uma métrica de reputação dentro do estudo, de olho em identificar de fato quem tem relevância sob uma ótica corporativa — que não fica restrita somente ao marketing de influência.
“O foco é construção de reputação ao longo do tempo. Não é só sobre fazer barulho nas redes sociais, mas sobre fazer barulho com autoridade, conectar de fato com os stakeholders”, ressalta Tokarski.
No país que mais usa redes sociais por dia no mundo inteiro, essa é uma tarefa fundamental.
A última edição do relatório Global Digital Report, publicado no início deste ano pela We Are Social e pela Meltwater (empresas globais de inteligência de mídia) mostram que o brasileiro passa em média três horas e 32 minutos online, ante uma média global de duas horas e 21 minutos.
Mais do que super conectados, os brasileiros buscam cada vez mais por comunidades em torno dos próprios gostos e hábitos, de olho em criar conexões com relevância e que tenham a ver com seus estilos de vida, como exemplificou uma pesquisa feita pela WGSN para o TikTok.
Na hora de identificar quem de fato mexe o ponteiro dessas comunidades, olhar (só) para o alcance deixa de ser uma métrica relevante.
Afinal, um influenciador pode movimentar milhões de seguidores, mas não necessariamente gerar uma ação a partir deles (quem não lembra da história da influenciadora com 2 milhões de seguidores que não conseguiu vender 36 camisetas?).
É de olho em evitar que as marcas caiam nesse tipo de armadilha que vem o mapa feito pelas empresas da FSB.
“Se for para olhar só métricas de vaidade, todo mundo vai contratar a pessoa com maior número de seguidores, mas será que ela é a mais apropriada para gerar reputação? Talvez não”, frisa Tokarski.
Sob esse pente-fino das empresas, foram reunidos aproximadamente 30 nomes de cada setor, capazes de falar com propriedade sobre os segmentos em que estão inseridos e, na visão das empresas da FSB, de gerar reputação para as empresas que se associam a eles. Não se trata de um ranking, mas de um mapa de nomes.
Veja os nomes mais influentes do agro, segundo o estudo, em ordem alfabética:
- Alex Soares (engenheiro agrônomo e consultor em inteligência de mercado)
- Allan Pasquini (empresário rural e criador do “Manual do Operador”)
- André Savino (presidente da Syngenta Proteção de Cultivos no Brasil)
- Andrea Cordeiro (especialista em commodities agrícolas)
- Andrei Zapani (engenheiro agrônomo e consultor em mecanização)
- Celso Moretti (pesquisador e ex-presidente da Embrapa)
- Dr. Agro Oficial — Reginaldo Bernardine (especialista em ajustes de colhedoras e plantadeiras)
- Eduardo Monteiro (country manager da Mosaic Fertilizantes)
- Eduardo Leão de Sousa (diretor na ÚNICA e especialista em bioenergia)
- Fabiana Alves (CEO do Rabobank)
- Felipe P. Daltro (executivo de insumos na Corteva)
- Fernando Michel Wagner (analista de inteligência estratégica do AGRONEGÓCIO)
- Gustavo Spadotti A. Castro (chefe da Embrapa Territorial e especialista em geotecnologias)
- João Carlos Marchesan (liderança da indústria de máquinas agrícolas e ex-presidente da ABIMAQ)
- João Pierobon (engenheiro agrônomo e produtor rural)
- Jose Velloso (presidente executivo da ABIMAQ)
- Marcelo Altieri (presidente da Yara Brasil)
- Marcos Antonio Matos (executivo do cooperativismo agroindustrial)
- Marcos Fava Neves (professor e estrategista conhecido como “Doutor Agro”)
- Mariana Vasconcelos (CEO da Agrosmart)
- Maurício Rodrigues (presidente da divisão agrícola da Bayer na América Latina)
- Natanael Leitão (consultor em inteligência estratégica e de tendências)
- Nathan Lima (engenheiro agrônomo, criador do “Carona do Agro”)
- Oswaldo Stival Neto (produtor rural e executivo agropecuário)
- Primos Agro (Projeto descontraído de comunicação criado por agrônomos)
- Rodrigo Capella (Jornalista e consultor em comunicação agro)
- Rodrigo Fraoli (fundador do Ruralbook e referência em conteúdo sobre dia a dia no campo)
- Rossano de Angelis Junior (executivo em proteção de cultivos com trajetória na Bunge)
- Silvia Massruhá (presidente da Embrapa)
- Stéphanie Ferreira (produtora rural e comunicadora).




