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terça-feira, agosto 18, 2026

Ministério atende tradings e muda regras de inspeção da soja

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O Ministério da Agricultura alterou, na sexta-feira à noite, os procedimentos que devem ser adotados na certificação fitossanitária das cargas de soja destinadas à China — motivo de uma paralisação na originação de soja pelas grandes tradings na semana passada.

A partir de agora, as amostras que serão inspecionadas pelo ministério serão coletadas pelas supervisoras envolvidas no embarque da mercadoria, e não mais pelos fiscais agropecuários da pasta. As supervisoras são empresas contratadas pelos exportadores para realizar a inspeção nos portos.

Um a cada dez embarques, no entanto, ou 10% das cargas, continuará a ter as amostras coletadas diretamente pelos fiscais, segundo ofício emitido em 13 de março pela Secretaria de Defesa Agropecuária visto pela reportagem de The AgriBiz.

De acordo com o documento, as novas regras, que revogam o ofício anterior, deverão ser adotadas imediatamente para todos os carregamentos nos quais ainda não tenham sido coletadas amostras para análise laboratorial.

O uso das amostras das supervisoras nas inspeções realizadas pelo Mapa era um pedido das tradings, que alegavam que o material retirado pelos fiscais dos navios não era representativo de todo o carregamento com destino à China.

Segundo uma fonte que acompanha as negociações entre as empresas e o governo, a recente mudança no procedimento não significará nenhuma perda de eficácia na análise.

Vale lembrar, no entanto, que 23 navios foram avaliados seguindo as regras anteriores, dos quais sete tiveram resultado positivo para as daninhas vetadas pela China. Ainda não se sabe qual procedimento será adotado nessas cargas.

Polêmica

A mudança no protocolo adotado para a inspeção dos navios de soja à China acontece depois de muita polêmica envolvendo o assunto.

O presidente da Cargill na América Latina, Paulo Sousa, revelou à Reuters que a empresa havia paralisado as exportações de soja para a China e a originação da oleaginosa no campo devido às dificuldades em cumprir as exigências para a emissão dos certificados fitossanitários.

Outras grandes tradings enfrentam as mesmas dificuldades e, diante do elevado grau de incerteza sobre o ritmo dos embarques à China, também interromperam as compras de produtores, como mostrou The AgriBiz.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, reagiu com críticas à Cargill. Em entrevista à CNN na última quinta-feira, Fávaro chegou a chamar a empresa de irresponsável e negou mudança nos procedimentos nos portos para exportação à China. No dia seguinte, no entanto, o ministério modificou o procedimento, autorizando as supervisoras a retirar as amostras.

Na tarde desta segunda-feira, Fávaro receberá representantes da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) e da Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) para uma reunião em Brasília.



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