20.8 C
São Paulo
terça-feira, setembro 1, 2026

Fala Agro: ‘Niño, mientras gigante en el daño!’ – por Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações

DEVE LER


A possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade coloca em alerta a agropecuária e a indústria brasileira de alimentação animal, já que seus efeitos podem começar com alterações no regime de chuvas e temperaturas, mas tendem a percorrer toda a cadeia produtiva, alcançando a oferta e a qualidade das matérias-primas, o desempenho dos animais, a logística, os custos industriais e a competitividade.

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o fenômeno costuma estar associado a estiagens no Norte e Nordeste, chuvas excessivas no Sul e calor intenso no Centro-Oeste e Sudeste, muito embora, a intensidade, a duração e a distribuição regional dessas ocorrências determinarão o alcance dos impactos sobre lavouras, pastagens, disponibilidade de água e infraestrutura.

Milho, sorgo, soja, farelo de soja e trigo e arroz, além de farinhas, gorduras e outros coprodutos de origem animal, estão entre os ingredientes potencialmente mais expostos porque as chuvas irregulares podem comprometer o calendário agrícola e reduzir a produtividade. O excesso de umidade atrasa a colheita, amplia a necessidade de secagem e favorece o desenvolvimento de fungos e micotoxinas, enquanto que as áreas atingidas pela estiagem, tem sua disponibilidade de água comprometida e o potencial produtivo das lavouras diminuído.

É importante ressaltar que os efeitos transcendem as fronteiras do campo, alcançando a fabricação de alimentos para animais que emprega energia em processos como moagem, mistura, extrusão, secagem, refrigeração, climatização, embalagem e armazenagem, já que a eventual combinação de matérias-primas mais caras, maior necessidade de processamento e aumento dos custos energéticos tende pressionar a produção de rações, suplementos, concentrados, premixes e alimentos para animais de companhia.


O hipotético cenário de escassez ou forte elevação dos preços, estabelece a substituição da composição básica por insumos alternativos, contudo, a preservação do equilíbrio nutricional, da digestibilidade, a segurança, da estabilidade, da palatabilidade e do desempenho esperado são mandatórios, a fim de assegurar a qualidade da alimentação e a saúde dos animais.
Na pecuária extensiva, por exemplo, uma estação chuvosa tardia ou irregular reduz a rebrota da forragem e a capacidade de suporte das propriedades, sendo que a menor disponibilidade de alimento desacelera o ganho de peso, prolonga o ciclo produtivo e aumenta a necessidade de suplementação mineral, inclusive a perda de condição corporal provoca menor eficiência produtiva das fêmeas e, consequentemente, diminui a geração de bezerros. No caso das vacas leiteiras, o forte calor reduz o consumo e direciona parte da energia dos animais para a manutenção da temperatura corporal, com possíveis perdas na produção e nos índices reprodutivos. Além disso, as rações e os concentrados também podem ficar mais caros por causa das pastagens e silagem prejudicadas, afora, problemas de casco, mastite e dificuldades de transporte por causa das chuvas persistentes.

Por sua vez, as cadeias produtivas dos não ruminantes tendem sofrer mais rapidamente com a elevação do custo da alimentação porque são bastante dependentes de milho e farelo de soja. Os frangos apresentam consumo reduzido na tentativa de limitar a produção de calor corporal, fenômeno que compromete o ganho de peso, a conversão e, em condições severas, pode levar até a morte, enquanto que na produção de ovos, podem ocorrer perdas de quantidade, peso e qualidade. Os suínos também reduzem a ingestão, tem o crescimento retardado, piora no aproveitamento dos nutrientes (e fertilidade, produção de leite e desempenho das leitegadas no caso das matrizes), quando submetidos às ondas de calor.

Na aquicultura, a intensidade desse evento climático natural pode combinar redução da disponibilidade hídrica, aumento da temperatura da água e queda do oxigênio dissolvido, prejudicando o consumo de ração, o crescimento, a conversão alimentar e a saúde dos peixes, com risco de mortalidade em situações extremas, além da diminuição do nível dos reservatórios também reduzir a renovação da água e limitar a capacidade dos cultivos em tanques-rede. Ao contrário, as chuvas excessivas podem provocar transbordamentos, entrada de sedimentos, alterações na qualidade da água, além do maior gasto com aeração e bombeamento e as dificuldades no transporte dos insumos (pós-larvas, alevinos, rações, etc.) e pescado.

Cabe frisar que a disputa por milho, soja e seus derivados tem acirrado cada vez mais, por conta da concorrência simultânea travada pela alimentação animal e humana, pelos biocombustíveis e as exportações. Os impactos dos eventos climáticos severos acabam por modular também o custo e a disponibilidade das farinhas e gorduras oriundas do processamento dos animais supramencionados, ou seja, as rações e os concentrados sofrem a influência, tanto da valorização dos grãos, quanto das mudanças nas cadeias fornecedoras de proteína animal.

As chuvas intensas costumam danificar rodovias, interromper acessos e afetar portos e unidades industriais, enquanto a estiagem tende reduzir o nível de rios e reservatórios, encarecer a energia e dificultar o transporte hidroviário. Resumidamente, os atrasos na chegada dos insumos ou na entrega dos produtos elevam custos, reduzem a eficiência e ampliam a necessidade de estoques de segurança, caracterizando a logística como outra fonte de risco.

Mais do que reagir a um episódio específico, empresas e produtores precisarão incorporar a variabilidade climática ao planejamento permanente, a saber, a diversificação regional de fornecedores, o planejamento antecipado das compras e os contratos de médio e longo prazo, a formação criteriosa de estoques e os mecanismos de proteção contra oscilações de commodities e câmbio, já que informação, tecnologia, modelagem nutricional das formulações e gestão de riscos serão decisivas para preservar a produtividade, a segurança das rações, concentrados e suplementos, o abastecimento e a competitividade.

O post Fala Agro: ‘Niño, mientras gigante en el daño!’ – por Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações apareceu primeiro em Agrimidia.



Fonte Link

- Publicidade -spot_img

Mais Artigos

- Publicidade -spot_img

Último Artigo