A cadeia produtiva do etanol reagiu duramente às críticas que o candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, fez nesta sexta-feira ao aumento da mistura do biocombustível na gasolina, que passou de 30% para 32% neste mês.
Em nota conjunta, os representantes dos fabricantes de etanol e dos produtores de cana qualificaram as declarações de Flávio como “desinformação” contra uma política de Estado que já dura cinco décadas, desde o Proálcool.
O texto é assinado por cinco entidades setoriais, incluindo Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), Unem (União Nacional do Etanol de Milho, a Bioenergia Brasil) e Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil).
As associações lembram que Flávio Bolsonaro participou das discussões da Lei do Combustível do Futuro no Senado, e inclusive votou a favor da legislação que estabeleceu um cronograma para ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética.
A nota de repúdio da indústria de etanol ocorreu após as declarações feitas na quinta-feira pelo candidato. Em uma live no YouTube, Flávio comparou o aumento da mistura a uma “reduflação”, mecanismo pelo qual um determinado produto sofre redução de peso sem mudança de preço.
Por meio dessa fala, o candidato dava razão a um apoiador que reclamou do prejuízo gerado pelo aumento da mistura do etanol.
A mais recente mudança no mandato, no início do mês, elevou a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. Prevista para março, a medida foi adiada duas vezes. À diferença de outros aumentos, este foi instituído em caráter temporário, por seis meses, renováveis por mais seis, e com base na margem de erro dos testes para o E30, segundo o MME (Ministério de Minas e Energia).
A decisão acabou sendo questionada na Justiça. A pedido de entidades como a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), o Ministério Público Federal (MPF) pediu a suspensão da mistura, alegando danos aos veículos — o que a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) diz que os testes descartaram.
Abaixo, confira a nota conjunta assinada por Unica, UNEM, Feplana (Federação dos Plantadores de Cana do Brasil), Unida (União Nordestina dos Produtores de Cana) e Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil).
“NOTA À IMPRENSA
Etanol: mais Brasil no tanque
A UNICA – União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, a UNEM – União Nacional do Etanol de Milho, a Bioenergia Brasil, a FEPLANA – Federação dos Plantadores de Cana do Brasil, a UNIDA – União Nordestina dos Produtores de Cana e a ORPLANA – Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil repudiam a declaração do senador Flávio Bolsonaro comparando a mistura de etanol na gasolina à chamada “reduflação”. A afirmação desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas, sob governos de todas as orientações — do Proálcool ao RenovaBio e à Lei do Combustível do Futuro.
Surpreende que a crítica parta de quem participou da decisão. A Lei do Combustível do Futuro passou pelo Senado Federal com a anuência do próprio senador.
O etanol é combustível de elevada octanagem, produzido em mais de mil municípios brasileiros. Com ele, o consumidor recebe mais: mais desempenho, mais economia na bomba, mais empregos e mais soberania energética — o Brasil alcançou a autossuficiência nos combustíveis do ciclo Otto, que movem os veículos leves. A mistura vigente foi implementada com rigor técnico. As entidades signatárias reconhecem a condução responsável do processo pelo Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia e do Conselho Nacional de Política Energética, em diálogo permanente com o setor produtivo e a indústria automotiva. Sob essa coordenação, o Instituto Mauá de Tecnologia ensaiou 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota de 1994 a 2024, em laboratório e pista, nas misturas de 27%, 30% e 32%, com acompanhamento da ANP, de fabricantes e de importadores de veículos e motocicletas. A conclusão: plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho ou ao consumidor.
O setor brasileiro de etanol seguirá defendendo, com fatos e ciência, o patrimônio energético que o Brasil construiu.”




