Os biofungicidas puxaram o crescimento no mercado de bioinsumos em 2025, com um aumento de 41,1% na utilização em comparação com o ano anterior, mostraram dados divulgados nesta terça-feira pela CropLife.
Na sequência, apareceram os bioinseticidas (alta de 33,3%) e os inoculantes (+13,2%). Na outra ponta, os bionematicidas foram a única subcategoria de bioinsumos em queda no ano passado, de 10,4%.
O crescimento dos bioinsumos está ligado a uma maior pressão para controle de pragas e doenças complexas, como o mofo branco e a ferrugem que assolam a soja, explicou Amália Borsari, diretora de bioinsumos da CropLife.
Os dados fazem parte do CropData, plataforma que a associação lançou nesta terça-feira. A ferramenta visa formatar balizas para o mercado de biológicos em suas quatro verticais: germoplasma, bioinsumos, defensivos químicos e biotecnologia.
“A base da plataforma são as vendas da indústria que a gente consolidou e estruturou em diagnósticos e séries históricas de forma inédita, ampliando a transparência do setor”, explicou Renato Gomides, gerente-executivo na CropLife Brasil.
O primeiro retrato foi positivo: o valor de mercado dos bioinsumos cresceu 15,2% em 2025 na comparação com 2024, chegando a R$ 6,15 bilhões.
Na divisão por cultura, a adoção de bioinsumos é maior na soja, com 62% da área plantada. Na sequência, aparecem o milho (22%), a cana (10%) e algodão, café, citros e hortifrúti, que, reunidos, têm 6% da aplicação de bioinsumos no Brasil em 2025.
A geografia dos bioinsumos
Geograficamente, o Mato Grosso responde pela maior parte da área tratada, com 24%. Em seguida, vêm Estados como São Paulo (17%), Goiás (14%), Minas Gerais (10%), Mato Grosso do Sul (7%), Paraná (6%) e Bahia (5%).
“Chamo a atenção para a nova fronteira do Matopiba, onde a adoção vem ocorrendo de forma dinâmica graças a características de solo e climáticas que fazem com que a resposta dos produtos seja mais rápida”, detalhou Borsari.
Segundo Gomides, a CropLife também vai passar a publicar boletins trimestrais, além de relatórios sobre temas como comércio exterior de produtos químicos, logística reversa e registro de sementes, além de um atlas da meliponicultura e da apicultura.
Além de fomentar a transparência e nortear decisões de negócios, a plataforma e as iniciativas de publicação de dados trazem embutido um esforço em pautar políticas públicas. Por exemplo, colocando pressão adicional sobre o Ministério da Agricultura e Pecuária para acelerar a tramitação da regulamentação da Lei dos Bioinsumos.
Na visão da CropLife Brasil, o atraso afeta a segurança jurídica e afasta investimentos; a entidade espera que o decreto seja publicado ainda neste ano.
Sem efeito da guerra
Segundo o gerente-executivo da CropLife Brasil, a perspectiva para 2026 é de mais crescimento — embora a entidade não divulgue um guideline.
Um dos pilares dessa expectativa é o aumento do manejo integrado, com uma cada vez mais frequente combinação entre químicos e biológicos: “O produtor não escolhe lados, ele vai pelo que aumenta a produtividade no final do dia”.
Os outros fatores que sugerem aceleração, segundo a entidade, são a expansão e a profissionalização da indústria, com mais participantes colocando mais produtos no mercado; o aumento da adoção entre produtores; e novas formulações e tecnologias.
Em suas projeções, a CropLife não teme perdas pela guerra no Irã. “Em termos de custo, a produção de bioinsumos ocorre majoritariamente no Brasil. Mais de 90% da matéria-prima da indústria local é nacional. Isso limita os danos do cenário global aos efeitos indiretos, como custo de combustível”, disse Borsari.




