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segunda-feira, julho 6, 2026

Atraso na compra de adubo acende alerta para a safra de soja no Brasil Agrimidia

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A comercialização de fertilizantes para o ciclo agrícola atual entra em sua reta mais crítica. Embora o ritmo de aquisições para a oleaginosa esteja equiparado ao patamar do ano anterior — com cerca de dois terços da demanda nacional já consolidados —, o terço final dos volumes necessários concentra os maiores riscos operacionais e financeiros para o agricultor, com destaque para a escassez e o encarecimento de fórmulas ricas em fósforo.

De acordo com o Rabobank, enquanto produtores de café, cana-de-açúcar, citros e milho encontram margens mais confortáveis para garantir seus insumos, a soja desponta como a cultura sob maior pressão orçamentária nesta temporada.

O gargalo do fósforo e o tombo nas importações de MAP

O cenário de abastecimento no Brasil desenha-se de forma desigual dependendo do nutriente:

Leia também no Agrimídia:

  • Potássio: Apresenta fluxo regular e seguro, amparado por volumes recordes de importação registrados nos primeiros meses do ano;

  • Fósforo (MAP): É o principal foco de preocupação. Os preços do adubo no porto operam em patamares elevados, próximos a US$ 900 por tonelada, espremendo a rentabilidade de quem compra de última hora.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que a entrada de MAP (Fosfato Monoamônico) entre janeiro e maio atingiu o menor patamar desde 2018, somando apenas 1 milhão de toneladas. Como alternativa para fugir dos preços altos, o mercado interno aumentou a participação de produtos com menor concentração de nutrientes no mix importado, como o super simples e o super triplo.

Diante do cenário de custos elevados e maior restrição financeira, analistas do Itaú BBA alertam que parte dos produtores deve optar por reduzir a adubação fosfatada nas lavouras. Essa estratégia de enxugar o pacote tecnológico, contudo, eleva consideravelmente o risco de perda de produtividade no campo.

Janelas de monitoramento e projeções de consumo

O mercado trabalha agora com cronogramas bem definidos para mensurar o tamanho do estresse logístico nas entregas:

  • Até meados de agosto: Período crítico focado no desembarque de navios e na finalização das compras da soja;

  • A partir de agosto: O foco migra para o milho safrinha, iniciando pelas importações de ureia e fertilizantes nitrogenados.

Há o risco de repiques nos preços no segundo semestre, motivado pela coincidência do plantio da safrinha brasileira com a entrada da Índia em leilões globais de compra.

Em termos de volume total, o Rabobank projeta que o Brasil feche o período com a entrega de aproximadamente 45 milhões de toneladas de fertilizantes, volume inferior às estimativas iniciais de 49 milhões de toneladas, mas alinhado ao comportamento de consumo observado em 2024. Cenários extremos de desabastecimento agudo causados por tensões geopolíticas no Oriente Médio estão praticamente descartados pelos analistas.

No Centro-Oeste, onde o calendário de plantio do milho é mais adiantado, o atraso nas compras acende o sinal vermelho, pois o intervalo para a entrega física das cargas nas fazendas antes do início da semeadura está cada vez mais estreito.

Fonte: CNN



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