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segunda-feira, julho 6, 2026

Quando o automóvel deixará de ser apenas um automóvel?

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Há poucas décadas, o telefone era apenas um telefone. Naquela época até se declarava esse bem no Imposto de Renda.

Hoje, o smartphone é uma plataforma de comunicação, trabalho, entretenimento, serviços financeiros, inteligência artificial e muito mais. A telefonia tornou-se apenas uma de suas funções.

Será que estamos vivendo o mesmo momento com o automóvel?

Ainda o enxergamos como um bem industrial, um dos maiores geradores de impostos em toda a cadeia econômica brasileira. Mas talvez estejamos diante de uma transformação muito maior: o carro deixando de ser um simples meio de transporte para tornar-se uma plataforma integrada de mobilidade, conectividade, energia, inteligência artificial e serviços.

Essa reflexão ganha um curioso simbolismo no Vale do Paraíba, em São Paulo.

Foi naquela região que nasceu o Girolando, resultado do cruzamento entre as raças Gir e Holandesa. No início, muitos viam aquela combinação com desconfiança. Hoje, ela é reconhecida como um dos maiores avanços da pecuária leiteira brasileira, transformando a produtividade do setor.

No mesmo Vale do Paraíba encontram-se alguns dos mais importantes centros brasileiros de pesquisa, desenvolvimento aeroespacial, monitoramento ambiental e inovação tecnológica. E é justamente ali que já se desenvolvem projetos relacionados ao automóvel voador.

Coincidência? Talvez.

Ou talvez as grandes revoluções tenham mesmo o hábito de nascer onde ciência, pesquisa e ousadia convivem diariamente.

Assim como a raça Girolando redefiniu a pecuária leiteira, talvez estejamos assistindo ao nascimento de uma nova geração de veículos que, no futuro, nem chamaremos mais de automóveis.

A grande pergunta proposta é: estamos preparando nossas políticas públicas, nosso sistema tributário, nossa infraestrutura e nossos modelos de negócios para essa transformação?

Porque, quando isso acontecer, o automóvel poderá ser para a mobilidade o que o smartphone foi para a telefonia: não uma evolução do produto, mas a criação de uma categoria completamente nova.

O futuro costuma chegar silenciosamente. Quando percebemos, ele já mudou tudo.

 

Pedro Luiz Dias é vice-presidente e diretor financeiro da ADVB, teólogo, professor, partner na BTA Esports & Gaming Content, especialista em marketing e relações públicas e ex-membro do Conselho Deliberativo da PREVI-GM.

 

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