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quinta-feira, agosto 27, 2026

Amaggi quer captar R$ 500 milhões com oferta de CRA

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A Amaggi está buscando R$ 500 milhões no mercado de capitais, com uma oferta de CRA (Certificado de Recebíveis do AGRONEGÓCIO) anunciada nesta semana. A operação é exclusiva do J. Safra Investment Bank e restrita a investidores profissionais.

Os títulos serão divididos em duas tranches, cada uma com sete anos de prazo. Uma delas, de R$ 300 milhões, vai remunerar investidores a 105% do CDI, enquanto a outra vai pagar uma taxa prefixada de 15,10% ao ano.

Na escritura da emissão, não há uma descrição clara a respeito de como, especificamente, os recursos serão usados. No entanto, há pouco mais de um mês, credores de um outro CRA da empresa aprovaram o resgate antecipado dos títulos — num movimento que pode indicar para onde vai o dinheiro novo.

No dia 24 de julho, mostram os documentos da Ecoagro, securitizadora responsável pelos papéis, o volume financeiro do resgate antecipado era de R$ 481,2 milhões. Os títulos foram emitidos em 2024, também no montante de R$ 500 milhões, e pagavam o equivalente à variação cambial do dólar (PTAX) acrescida de 6,30% e venceriam em 2031.

Os novos papéis têm aval da Amaggi Exportação e Importação e da holding que controla as empresas do grupo, a André Maggi Participações. Inclusive, os covenants de alavancagem (igual ou inferior a três vezes) e liquidez (acima de 1 vez) estão atrelados à holding.

No ano passado, a André Maggi Participações registrou uma receita líquida consolidada de R$ 47 bilhões (acima dos R$ 40 bilhões registrados em 2024) e um lucro líquido de R$ 1,3 bilhão (ante R$ 295 milhões no ano anterior).

De maneira consolidada, a holding tem R$ 524 milhões em dívidas ligadas a um outro CRA, que vence em agosto de 2031. A taxa média ponderada dessa operação, mostra o balanço, é de dólar (variação cambial) mais 6,30% ao ano.

De maneira geral, os certificados de recebíveis representam uma parte ínfima do endividamento da holding, dividido em uma miríade de instrumentos financeiros, como ACCs, CCBs, CDCAs, CPRs, e dívidas com fundos constitucionais (FCO e FNO) além de Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos), bonds de sustentabilidade, entre outros.

Como mostra o balanço, a holding fechou o ano de 2025, com R$ 16 bilhões em empréstimos e financiamentos (R$ 4,8 bilhões vencendo no curto prazo) ante R$ 19 bilhões no ano anterior (com R$ 4,2 bilhões vencendo em curto prazo).

A emissão e o mercado

Como a companhia não tem tantos CRAs no mercado, uma noção a respeito do patamar de spreads dessa emissão mais recente pode ser obtida numa comparação com outras emissões de AGRONEGÓCIO do último ano para cá.

A BRF, por exemplo, emitiu R$ 979 milhões em julho do ano passado a CDI careca, numa operação de quatro anos. A Mantiqueira levantou mais de R$ 300 milhões em agosto, em duas operações, de cinco e sete anos, remunerando investidores a CDI+1%.

Num universo de 20 operações de riscos variados no agro, o intervalo vai de CDI careca a CDI+2%, mostram dados da Vitrify.



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