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sábado, maio 23, 2026

Alta na inadimplência do agro acende alerta; Fazenda propõe renegociação restrita para proteger crédito à avicultura e suinocultura Agrimidia

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O avanço da inadimplência no AGRONEGÓCIO, que saltou de um patamar histórico de 2% para os atuais 6%, colocou o Ministério da Fazenda e o setor produtivo em lados opostos na discussão sobre a renegociação de dívidas rurais no Congresso. Para cadeias intensivas em capital e altamente dependentes de fluxo de caixa, como a avicultura e a suinocultura, o desfecho desse embate deve ditar o ritmo do custeio e dos investimentos nas granjas nos próximos meses.

Em entrevista à CNN Brasil, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, defendeu que eventuais medidas de socorro fiquem restritas exclusivamente aos produtores com dificuldades efetivas de pagamento. A posição do governo é uma reação direta às propostas em debate no Senado que tentam estender os benefícios da reestruturação inclusive a contratos adimplentes ou a agentes que não necessitam de flexibilização.

Embora o governo ressalte que 94% das operações do agro sigam rigorosamente em dia, a escalada do indicador de inadimplência reflete o período de forte pressão nas margens que atingiu os produtores de proteína animal nos últimos anos. O setor enfrentou recordes nos custos dos insumos básicos — como o milho e o farelo de soja —, somados à alta da energia elétrica para a climatização de galpões e gargalos no mercado externo.

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Na avaliação da equipe econômica, inflar o alcance do projeto ou tentar tabelar tetos generalizados para os juros do crédito agrícola (em patamares discutidos de 10% ou 12%) traria um efeito colateral grave: a retração imediata de bancos privados e cooperativas de crédito na concessão de novos recursos.

Para a dinâmica da avicultura e da suinocultura, que operam sob o modelo de integração ou em sistemas independentes que exigem capital de giro constante para o alojamento de novos lotes, qualquer “trava” na liquidez do sistema financeiro é vista com extrema preocupação. O risco, segundo analistas de mercado, é que o remédio para a crise resulte em um apagão de crédito para quem está saudável.

Como alternativa de médio prazo, Durigan acenou com a possibilidade de criar um fundo garantidor voltado especialmente para arrendatários. A medida atende a uma demanda histórica de integrados do setor que, por operarem em terras arrendadas, enfrentam dificuldades para apresentar as garantias reais exigidas pelos bancos. O secretário ponderou, no entanto, que o mecanismo não é imediato devido às restrições do quadro fiscal do país.

A Fazenda garantiu que há espaço para reconstruir o texto em conjunto com o Congresso e com as entidades representativas do AGRONEGÓCIO. O desafio do setor agora será calibrar uma saída cirúrgica que ofereça oxigênio aos produtores sufocados pelo endividamento, sem comprometer a oferta de recursos para a próxima safra



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