No mês passado, a JBS transformou um evento dedicado a varejistas num açougue — literalmente.
Vitrines, mesas frias e facões foram levados ao palco para que profissionais treinados apresentassem o jeito certo de cortar e apresentar a carne ao consumidor. Sem desperdício, com muita organização e, é claro, aparência impecável.
A ação tem uma estratégia bem clara: aumentar a penetração nos supermercados. “O grande desafio é estar junto do varejo”, disse Renato Costa, presidente da Friboi, durante um evento da empresa realizado na Apas Show.
A iniciativa não é exatamente nova, mas vem ganhando corpo e se aperfeiçoando. A JBS viu a oportunidade de se tornar uma aliada dos varejistas há 15 anos, quando criou o programa Açougue Nota 10, hoje Friboi+, ao identificar ineficiências nas lojas de carnes dentro dos supermercados.
“Quando a gente precifica uma ineficiência, o dinheiro não fica nem com o cliente nem com a indústria. Ele se perde”, disse Costa ao The AgriBiz, numa entrevista realizada depois do evento da Apas.
O trabalho da Friboi, feito em conjunto com os varejistas para melhorar a gestão dos açougues, compreende desde mudanças na estrutura da loja até a precificação do produto, incluindo o treinamento dos açougueiros — o que não se restringe apenas ao corte da carne, mas também ao atendimento.
Segundo Costa, apenas 23% dos consumidores vão com um objetivo ao supermercado, ou seja, sabe exatamente o que vai comprar. Ele também vai à loja pela experiência, o que sugere que, ao ser bem atendido, pode ampliar as possibilidades de compra.
“Um açougue bem executado, em comparação com um mal executado, no mínimo dobra o volume dele dentro da loja. Em lugares com mais potencial, esse volume triplica ou quadruplica”, diz Costa.
Ele lembra que a compra de carnes frescas é o principal motivo da visita ao supermercado. Por isso, estão sempre no fundo das lojas — para que o consumidor percorra os corredores antes de chegar ao destino final. Com um açougue bem trabalhado, o varejista consegue aumentar o tráfego dentro da loja, além de elevar o ticket médio, argumenta.
Uma pesquisa recente da Nielsen traduziu em números essa percepção. Em 2025, os supermercados participantes do Friboi+ registraram aumento de 63% nas vendas das categorias atendidas. Nas lojas médias, o crescimento foi de 15%, enquanto pequenos estabelecimentos triplicaram as vendas.
A expansão do Friboi+ também impulsionou linhas premium, além de ter reforçado atributos ligados à qualidade, serviço e confiança no balcão.
Fábrica e logística dedicadas
Para atender bem os varejistas parceiros, o programa não se restringe apenas ao trabalho dentro dos pontos de venda. Ele começa na produção. “Dedicamos fábrica e logística exclusiva ao Friboi+. Tudo para evitar rupturas na chegada nas lojas e nas gôndolas”, afirma Costa.
A Friboi não exige exclusividade nos açougues para que os varejistas participem do programa, mas Costa diz que isso acaba sendo uma consequência da parceria. “Esse é um caminho natural. O compromisso se torna tamanho, porque a grade de entrega é nossa, a logística é nossa… É uma relação de transparência e confiança”, afirmou.
A Friboi não abre números sobre o aumento nas vendas proporcionado pelo programa, mas Costa diz que houve um “aumento importante de market share”. A Friboi é a MARCA mais lembrada na categoria de carnes na pesquisa Top of Mind, com tem 46% de participação, segundo ele.
“É um trabalho que precisa ter agregação de valor para os dois lados. O que para nós ajuda no resultado, para eles é uma solução.”




