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terça-feira, julho 21, 2026

China pode ameaçar o reinado brasileiro no frango? BTG alerta

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Destino de margens historicamente suculentas para a indústria brasileira de carne de frango, a China pode se tornar uma concorrente incômoda para os frigoríficos do País?

A provocação pode soar estranha diante do domínio brasileiro no comércio internacional de carne de frango — 35% de participação nas exportações —, mas está longe de ser um desatino.

Em um relatório semanal enviado a clientes, os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG Pactual, chamaram atenção para a espantosa ascensão da China nas exportações mundiais de carne de frango.

Em menos de uma década, a participação chinesa nas exportações globais de carne de frango passará de apenas 3% para 9,5% neste ano, conforme estimativas do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) compiladas pelo BTG.

Se as projeções se confirmarem, a China desbancará a Tailândia do posto de terceiro maior país exportador de carne de frango, ficando atrás apenas de Brasil (35%) e Estados Unidos (20%).

A expansão das exportações da China refletem o dinamismo de sua avicultura. O gigante asiático é o segundo maior produtor de carne de frango — só atrás dos Estados Unidos — e vem crescendo rapidamente.

O USDA projeta um crescimento de 5% na produção chinesa, que chegaria a 17,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2026. Estimativas privadas são ainda mais agressivas, apontando para um crescimento de dois dígitos.

Com mais oferta, a China terá um excedente exportável cada vez maior, o que pode pressionar as cotações globais do frango, uma questão relevante para os frigoríficos de Brasil e Estados Unidos.

No relatório, os analistas do BTG alertaram para a capacidade chinesa em ganhar competitividade — os carros elétricos estão aí para provar.

“O histórico da China de escalar rapidamente diversas indústrias sugere que seria imprudente descartar seu potencial de se tornar um dos produtores de frango de menor custo do mundo”, escreveram os analistas.

O perfil do consumo chines também poderia criar um desafio para os frigoríficos brasileiros, especialmente nos cortes de peito de frango.

“A China continua importando grandes volumes pés de frango e outros produtos apreciados pelos consumidores locais, ao mesmo tempo em que exporta cada vez mais cortes com menor demanda no mercado interno, incluindo o peito de frango”, ressaltaram Duarte e Guttilla.

Se a oferta de peito de frango da China continuar em expansão, o Brasil passaria a ter um concorrente de peso nas exportações desse corte em mercados como Arábia Saudita e Emirados Árabes, que pagam bons preços mais estão geograficamente mais próximos do país asiático, notou o BTG.

Na visão dos analistas, podemos estar diante de um “risco estrutural relevante de preços” para os exportadores brasileiros.



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