O agravamento das tensões no Oriente Médio marcou a abertura dos mercados internacionais neste domingo (12). Após uma nova ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã, os contratos futuros das bolsas de Nova York oscilaram entre perdas e ganhos modestos, enquanto o petróleo registrou forte valorização e o dólar avançou frente à maior parte das principais moedas.
No início da noite, os futuros do Dow Jones subiam 0,3%, os do S&P 500 avançavam 0,4% e os contratos do Nasdaq 100 também operavam em alta, acima de 0,3%. Já o barril do petróleo Brent chegou a registrar valorização de 3% na abertura das negociações.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), os ataques realizados no domingo tiveram como objetivo reduzir a capacidade do Irã de atingir embarcações civis que cruzam o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo.
A ação ocorre após o Irã lançar drones e mísseis contra países aliados dos Estados Unidos, entre eles Kuwait, Jordânia e Catar, em resposta às ofensivas americanas realizadas anteriormente.
O cenário de incerteza foi reforçado por versões divergentes sobre a situação do Estreito de Ormuz. Enquanto o governo iraniano afirmou ter fechado a passagem, autoridades militares e marítimas dos Estados Unidos sustentam que a navegação continua ocorrendo pela rota sul.
Para Nick Twidale, estrategista-chefe de mercados da AT Global Markets, o fim de semana aumentou o potencial de volatilidade na abertura das negociações. “Os acontecimentos mais recentes do fim de semana sugerem que os mercados podem enfrentar uma abertura volátil, o que pode colocar à prova o otimismo que temos visto recentemente”, escreveu em comunicado a clientes.
Além das preocupações geopolíticas, investidores acompanham o início da temporada de divulgação de resultados corporativos nos Estados Unidos. Goldman Sachs e JPMorgan Chase apresentam seus balanços na terça-feira, inaugurando um período considerado decisivo para avaliar o ritmo de crescimento das empresas.
As projeções apontam que as companhias do índice S&P 500 deverão registrar expansão de 24% nos lucros do segundo trimestre. Analistas observam, no entanto, que o avanço recente do mercado tem sido sustentado cada vez mais por empresas fora do grupo das gigantes de tecnologia, responsáveis por liderar os ganhos nos últimos anos.
Na Europa, estrategistas do Deutsche Bank estimam crescimento de 12% nos lucros das empresas que integram o índice Stoxx 600 no segundo trimestre, após avanço de 7% nos três primeiros meses do ano. Na Ásia, levantamento da Bloomberg indica expectativa de alta de 39% nos resultados das companhias que compõem o MSCI Asia Pacific, acelerando em relação aos 6,9% registrados no trimestre anterior.
Apesar das perspectivas positivas para os balanços, o ambiente continua pressionado pela inflação persistente, pela alta dos preços da energia e pelo aumento das expectativas de que o Federal Reserve (Fed) volte a elevar os juros, fatores que podem reduzir as margens das empresas.
Com os principais índices acionários próximos de máximas históricas e negociações consideradas caras por parte do mercado, cresce a percepção de que haverá pouca tolerância para resultados corporativos abaixo das expectativas.
Ao longo da semana, a atenção dos investidores também estará voltada para os indicadores de inflação dos Estados Unidos. A recente disparada do petróleo reacendeu preocupações de que o encarecimento da energia possa dificultar o processo de desaceleração dos preços.
Os índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI), últimos indicadores relevantes antes da reunião de política monetária do Fed, devem oferecer novos sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária.
O mercado também passou a precificar uma postura mais restritiva do banco central americano. Contratos de swap indicam expectativa de quase 40 pontos-base de aumento dos juros até dezembro, acima dos cerca de 15 pontos-base projetados no início de junho.
Economistas consultados pelo BRAZIL ECONOMY projetam uma leve desaceleração tanto da inflação cheia quanto da inflação subjacente em junho, embora ambas permaneçam acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed.
Outro evento aguardado será a primeira participação do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no Congresso desde que assumiu o comando da instituição. A expectativa é que ele detalhe a estratégia da autoridade monetária após sinalizar uma redução no uso do forward guidance, mecanismo de comunicação sobre a trajetória futura dos juros.




