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segunda-feira, junho 29, 2026

Jota é avaliada em US$ 185 milhões em rodada com Haun Ventures

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O Jota – uma startup que oferece uma conta digital para empreendedores baseada em AI e interações conversacionais – acaba de levantar uma rodada que atraiu fundos relevantes do Vale do Silício e avaliou a empresa fundada há dois anos em US$ 185 milhões (post-money).

A Série A de US$ 30 milhões foi liderada pela Haun Ventures, a gestora de venture capital fundada por Katie Haun, que foi promotora federal dos Estados Unidos por 11 anos e general partner da Andreessen Horowitz por outros quatro.

Trata-se do primeiro investimento da Haun – que tem US$ 2,5 bilhões sob gestão – numa startup brasileira.

A rodada – que vem pouco mais de um ano depois da última captação do Jota – também foi acompanhada pelas gestoras americanas HOF Capital e Alter Global, que já eram investidoras do Jota desde o pre-seed, e pela Greyhound Capital, que entrou agora no cap table.

O Jota foi fundado pelo empreendedor cearense Davi Holanda, que trabalhou seis anos no PagBank, liderando a criação de mais de 15 produtos – incluindo a entrada da companhia no mercado de maquininhas e de cartões pré-pago e de crédito.

Em 2018, quando deixou a empresa logo após o IPO, ele ajudou a fundar o Bankly, um banking as a service adquirido pela Méliuz e depois vendido para o Banco BV.

O Jota (uma brincadeira com o termo PêJota) é uma conta digital que funciona por meio de um aplicativo próprio e pelo Whatsapp, permitindo que os clientes façam pagamentos em texto, áudio ou enviando uma foto, além de permitir receber valores gerando um QR Code que pode ser encaminhado ou impresso. 

O usuário também pode enviar perguntas em áudio ou texto no chat, recebendo insights sobre o seu negócio, como cálculos financeiros, relatórios de faturamento e recomendações. 

Para usar o Jota no Whatsapp, basta iniciar a conversa no chat da empresa e abrir uma conta, num processo que leva poucos minutos. Na sequência, o cliente usa a chave pix criada para enviar valores para a conta e começar a fazer pagamentos.

Todas as informações da conta, como saldo e movimentações, podem ser acessadas perguntando ao chatbot. 

“Há 40 anos, a interface financeira eram as agências bancárias. Depois veio o internet banking e os aplicativos. Achamos que a próxima interface vai ser os agentes de AI que trabalham continuamente para os clientes,” o fundador disse ao Brazil Journal. 

Além da conta digital, o Jota lançou recentemente algumas funcionalidades para ajudar na gestão do dia a dia dos empreendedores. Uma delas é o Jota Calendário, um agente de AI que se integra ao Gmail e Outlook e consegue ler todo o calendário de eventos, criando avisos. 

Há ainda o Jota Lembretes e Tarefas, que programa pagamentos e recebimentos, e pode operar quase como uma secretária pessoal, e o Jota Cheque Especial, que se conecta a todas as contas do usuário por meio do Open Finance e emite alertas quando alguma das contas entrou no cheque especial, e sugere e executa ações – por exemplo, transferir recursos de uma conta com saldo positivo.

Todas essas funcionalidades são gratuitas hoje, e a única forma com a qual a Jota está ganhando dinheiro é com a FalaTap, uma ferramenta que transforma o celular numa maquininha de cartões e permite aceitar pagamentos em cartão em até 12x.

O Jota lançou essa solução há um mês e espera chegar a dezembro com uma receita mensal anualizada (ARR) de R$ 50 milhões, considerando a receita de adquirência e da antecipação de recebíveis. 

Com os recursos da rodada, a startup também planeja lançar outras duas funcionalidades. A primeira é uma oferta de crédito integrada com a solução de cheque especial: quando a plataforma avisar que a conta do cliente entrou no cheque especial ela vai oferecer um empréstimo para cobrir o valor com uma taxa de juros menor.

A segunda é o que a empresa chama de Jota 3.0, uma versão mais avançada e proativa do agente de AI da startup e que passará a funcionar no modelo que o fundador chama de reverse trial. “Vamos continuar entregando o produto completo de forma gratuita, mas com um limite de uso diário. Se ele quiser usar mais do que esse limite, vamos cobrar uma assinatura,” disse Davi.

A meta do fundador é mais do que triplicar o número de usuários até o final do ano, saindo dos 300 mil de hoje para perto de 1 milhão.




Pedro Arbex








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