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quarta-feira, agosto 26, 2026

Ao lado de Netanyahu, Trump volta a defender ‘realocação’ de palestinos | Mundo

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O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta segunda-feira que os vizinhos de Israel mostrariam “grande cooperação” se ajudassem no plano desenhado por ele de “realocação” da população palestina. Trump fez a declaração ao receber o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, para um jantar na Casa Branca e ao ser indagado sobre o tema.

Durante encontro entre os dois líderes com outras autoridades americanas, Trump foi questionado sobre planos de transferência da população de cerca de 2 milhões de palestinos para países árabes da região — uma ideia que já tinha apresentado em fevereiro, como parte de um plano de transformar o enclave em um resort para turistas. Netanyahu, por seu lado, disse que seu governo está trabalhando com os EUA para encontrar países que possam “dar aos palestinos um futuro melhor”.

“Acho que o presidente Trump teve uma visão brilhante. Chama-se livre arbítrio. Se as pessoas quiserem ficar, podem ficar; mas se quiserem sair, devem poder sair”, disse Netanyahu, que completou dizendo que Gaza “não deveria ser uma prisão. Deveria ser um lugar aberto.”

Trump também foi indagado se as recentes tensões sobre a entrega da ajuda humanitária na Faixa de Gaza poderiam afetar o estabelecimento do cessar-fogo de 60 dias que negociadores de Israel e Hamas debatiam — também nesta segunda-feira — no Catar. Trump disse que não.

E, questionado sobre a possibilidade de estabelecer a “solução de dois Estados” — um judeu e um árabe — na região, Trump disse “não saber”, repassando a questão para Netanyahu, que ressaltou que qualquer acordo precisa garantir que Israel manterá o controle sob a segurança da região.

Ao mesmo tempo, ressaltando as ações do presidente americano em auxílio a Israel, tanto em Gaza quanto no Irã, o líder israelense também disse que quer nomear Trump para o Nobel da Paz.

Além do encontro com Trump, Netanyahu se reuniu com o secretário de Estado, Marco Rubio, com quem teve uma conversa “substancial e importante” antes do jantar, segundo relato publicado nas redes sociais.

“Tivemos uma conversa substancial e importante sobre o fortalecimento da aliança entre Israel e os Estados Unidos”, escreveu Netanyahu no X, “e sobre os desafios que compartilhamos nas arenas regional e internacional.”

O líder israelense também se encontrou ontem com Steve Witkoff, enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, que deve ir amanhã rumo ao Catar participar das negociações sobre a implementação do cessar-fogo, que enfrenta discordâncias estruturais entre os dois lados do conflito.

No domingo, Trump disse que há uma “boa chance” de que um acordo possa ser alcançado “ao longo da semana”. O Hamas disse na sexta-feira que respondeu positivamente à proposta, embora tenha apresentado três ressalvas que, posteriormente, Netanyahu declarou serem inaceitáveis.

As três ressalvas buscavam garantir que Israel não pudesse retomar a guerra após os 60 dias de cessar-fogo, assegurar aumento da entrada de ajuda humanitária por meio da ONU e retirar as tropas israelenses de locais ocupados antes do fim do cessar-fogo anterior, no início de março. Segundo a imprensa israelense, houve avanços durante as negociações indiretas realizadas nos últimos dois dias em Doha, especialmente na questão da ajuda humanitária.

Antes de viajar para Washington, Netanyahu disse que suas conversas com Trump poderiam ajudar a avançar as negociações em andamento no Catar. Esse foi o terceiro encontro presencial de Trump com Netanyahu desde que voltou ao cargo em janeiro e ocorreu pouco mais de duas semanas após o presidente ter ordenado o bombardeio de instalações nucleares iranianas em apoio aos ataques aéreos israelenses.

Trump recebe Netanyahu em jantar na Casa Branca — Foto: Kevin Lamarque/Reuters



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