Luana Lopes Lara, fundadora da Kalshi, acredita que a proibição dos mercados de previsão no Brasil é a pior escolha possível para um governo. Em conversa com a Bloomberg Línea, publicada nesta terça-feira (9), a bilionária afirma que sua empresa está trabalhando com o governo brasileiro para reverter uma normativa publicada pelo Banco Central em abril.
Sua justificativa é que uma proibição faz com que o governo deixe de arrecadar impostos, não forneça proteção ao consumidor e, por fim, também perde o rastro do dinheiro.
Além da Kalshi, outras empresas do setor foram afetadas pela decisão do BCB, incluindo sua maior rival, a Polymarket.
Brasileira explica diferença entre mercados de previsão e jogos de azar
Uma das principais críticas contra os mercados de previsão é que eles são uma espécie de cassino disfarçado. Como exemplo, o perfil do Governo do Brasil no X publicou em abril que o objetivo do banimento era “proteger a estabilidade financeira e saúde mental” dos brasileiros.
Comentando sobre essa comparação, Luana Lopes Lara aponta que a grande diferença é entre a mecânica de negócios e incentivos.
Enquanto usuários apostam contra a casa em uma casa esportiva, que define as probabilidades e lucra com a sua perda, os usuários negociam contra outros usuários em mercados de previsões.
“Na Kalshi, nós não participamos dos trades. Somos uma bolsa, exatamente como o mercado de ações. Nós não temos incentivo para as pessoas perderem. Funcionamos como se fosse um mercado de ações, onde as pessoas vão comprar e vender ‘ações’ sobre o que vai acontecer no futuro. Essa diferença mecânica dos incentivos da empresa faz muita diferença na proteção ao consumidor e na forma como funciona a questão de dados.”
Indo além, a brasileira também aponta que esses mercados podem ser utilizados como forma de proteção.
Como exemplo, cita que a final da NBA é uma melhor de 7 jogos, mas que pode acabar em 4 caso uma equipe vença todos eles em sequência. Como consequência, isso pode diminuir a receita de hotéis, bares e comércio de uma cidade.
“Esta era uma cadeia gigantesca que não tinha como participar de hedging e mitigar os seus riscos, como ocorre em mercados tradicionais como a agricultura. Hoje, donos de bares e hotéis utilizam a Kalshi para fazer hedging (mitigação de risco).”
Em outro trecho, a executiva também rebate as críticas de que 70% dos usuários de mercado de previsão perdem dinheiro, apontando que essa porcentagem pode chegar a 95% em daytrade, ações, futuros e casas de apostas.
Seguindo, também destaca que sua empresa mantém limites rígidos de depósitos e trading para lidar com a questão do vício, que também atinge outros mercados.
Apontada atualmente como a mulher bilionária mais jovem que construiu a sua própria fortuna, Luana Lopes Lara diz que sua equipe está conversando com o governo brasileiro para reverter o banimento que afetou a Kalshi e outras plataformas do setor.
“Queremos fazer tudo de um jeito legalizado e regulado em todos os países onde estivermos. Para nós, o que aconteceu no Brasil é um desafio educacional.”
Continuando, a brasileira destaca que eles estão acostumados com esse desafio educacional, já que se trata de um mercado novo, e que “muitos países hoje estão onde os Estados Unidos estavam em 2019”.
Como destaque, Lara comenta que plataformas sediadas em paraísos fiscais capturaram todo o dinheiro do mercado quando apostas em eleições foram proibidas nos EUA.
“Proibir é o pior dos mundos para um governo: você perde a arrecadação de impostos, não tem proteção ao consumidor e perde o rastro do dinheiro. É melhor trabalhar com as empresas para que elas cresçam dentro do país.”
Finalizando, a fundadora da Kalshi diz estar conversando com diversos países da América Latina, Ásia e Europa. Com um crescimento de 15 vezes nos últimos 6 a 8 meses, o objetivo final da Kalshi é realizar um IPO, mas Lara destaca que agora o foco está no crescimento das operações.




