15.1 C
São Paulo
segunda-feira, agosto 24, 2026

Tether guarda US$ 8 bilhões em ouro em cofre secreto na Suíça

DEVE LER


Bloomberg — A Tether, emissora da maior stablecoin do mundo, tem seu próprio cofre na Suíça para manter um estoque de ouro avaliado em US$ 8 bilhões.

A empresa de criptografia com sede em El Salvador agora detém quase 80 toneladas de ouro, disse. A grande maioria desse ouro é de propriedade direta da Tether, o que a torna uma das maiores detentoras de ouro do mundo fora dos bancos e dos Estados-nação.

“Temos nosso próprio cofre. Acredito que seja o cofre mais seguro do mundo”, disse o executivo-chefe Paolo Ardoino em uma entrevista.

As instalações estão localizadas na Suíça, embora a empresa tenha se recusado a nomear sua localização por motivos de segurança ou a revelar quando foi estabelecida.

A Tether é a emissora da stablecoin USDT, que visa manter um valor de um para um com o dólar americano e tem US$ 159 bilhões em circulação. A empresa recebe dólares em troca dos tokens que emite; ela ganha dinheiro com essa garantia investindo em ativos como os títulos do Tesouro dos EUA.

Os metais preciosos representam quase 5% das reservas da empresa, de acordo com seu último relatório publicado em março.

Com aproximadamente US$ 8 bilhões, a quantidade de ouro mantida no cofre da Tether está praticamente no mesmo nível do valor total de metais preciosos e outras commodities mantidas pelo UBS, um dos poucos grandes bancos negociadores de metais preciosos a publicar essas informações em suas contas trimestrais.

O crescimento explosivo das stablecoins alarmou os órgãos reguladores e as agências de aplicação da lei, com a Tether atraindo atenção especial devido ao seu tamanho e às dúvidas anteriores sobre o status de suas reservas.

Uma das principais preocupações é que, com o aumento da popularidade, elas permitiriam que grandes somas mudassem de mãos, contornando o sistema bancário formal.

As novas regulamentações que regem as stablecoins geralmente evitam o ouro e outros ativos alternativos como suporte adequado para os dólares digitais.

As regras introduzidas na União Europeia no ano passado, bem como a legislação proposta nos EUA, permitem apenas dinheiro e ativos equivalentes a dinheiro, como títulos do governo de curto prazo, para apoiar stablecoins vinculados à moeda fiduciária.

O Tether seria obrigado a vender o ouro que lastreia o USDT de acordo com essas regras, caso buscasse autorização nesses mercados.

Além do USDT, a empresa tem um token lastreado em ouro, o XAUT. Os tokens podem ser trocados por ouro físico, coletado diretamente na Suíça.

A empresa emitiu tokens equivalentes a 7,7 toneladas de ouro ou US$ 819 milhões, o que ainda é pouco em comparação com os fundos negociados em bolsa mais líquidos apoiados em ouro, o maior dos quais detém quase 950 toneladas.

“Acho que, logicamente, o ouro deve ser um ativo mais seguro do que qualquer moeda nacional”, disse Ardoino.

“Portanto, acho que, se as pessoas começarem a se preocupar com o possível aumento da dívida dos Estados Unidos, elas poderão buscar alternativas.”

O ouro subiu cerca de 25% neste ano, com os investidores buscando portos seguros para se protegerem contra as tensões geopolíticas e uma guerra comercial em expansão. A forte demanda dos bancos centrais e das instituições soberanas também sustentou os preços.

“Todos os bancos centrais dos países dos Brics estão comprando ouro”, disse Ardoino, “e é por isso que o preço do ouro subiu, em nossa opinião”.

A decisão de ter seu próprio cofre, em vez de pagar os operadores de cofre comumente usados pelo setor de metais preciosos, foi motivada pelo custo, disse ele.

Se o token de ouro da Tether chegasse a US$ 100 bilhões em circulação, “seria muito dinheiro para pagar 50 pontos-base”, disse ele. “Se tivermos cofre próprio, eventualmente, com o tamanho, fica muito mais barato fazer a custódia.”

— Com a colaboração de Emily Nicolle.





Fonte Link

- Publicidade -spot_img

Mais Artigos

- Publicidade -spot_img

Último Artigo