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sexta-feira, junho 19, 2026

Chainalysis aponta que fluxo ilícito de criptomoedas para corretoras brasileiras ficou mais complexo

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A Chainalysis, uma das maiores empresas de segurança e inteligência do mercado de criptomoedas, publicou nesta quinta-feira (18) um relatório sobre o fluxo de fundos ilícitos para corretoras brasileiras. Como destaque, o texto aponta para uma mudança da composição dessas transações.

Tal transformação teria começado em 2024, principalmente pelo uso de criptomoedas por cartéis, mas já apresentando exposição a serviços da Rússia, sancionados pelos EUA e outros países. Em 2025, redes de lavagem em língua chinesa também apresentam um grande crescimento no mercado brasileiro.

Indo além, os analistas também falam sobre o avanço das regulações no Brasil, incluindo as Resoluções 519, 520 e 521, publicadas pelo Banco Central em novembro de 2025, aumentando a fiscalização do setor.

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Brasil é um dos maiores mercados de adoção de criptomoedas do mundo, mas criminosos também estão se aproveitando disso, diz Chainalysis

Iniciando seu texto, a Chainalysis destaca que o Brasil recebeu US$ 318 bilhões de criptomoedas on-chain entre julho de 2024 e junho de 2025.

Tal adoção, que coloca o país no 5º lugar do ranking de adoção mundial, está ligada tanto à população grande e relativamente jovem, quanto pelo setor de fintech que normalizou essas operações e uma demanda por stablecoins de dólar como proteção contra a inflação.

Embora pudesse falar apenas sobre os pontos positivos, o relatório afirma que o mercado brasileiro também começou a ser utilizado por criminosos.

“O crime com criptomoedas não respeita fronteiras. As redes de lavagem de dinheiro, entidades sancionadas e organizações de tráfico de drogas que definem o cenário global de criptomoedas ilícitas são os mesmos atores que aparecem nos dados das exchanges brasileiras — e de acordo com nossa análise, essas três categorias sozinhas respondem por mais de 50% dos fluxos ilícitos identificados em exchanges brasileiras selecionadas em 2025.”

Segundo a Chainalysis, o valor de criptomoedas ilícitas recebidas no Brasil cresceu de US$ 11 bilhões em 2020 para US$ 59 bilhões em 2024 e US$ 154 bilhões em 2025.

Dentre os exemplos citados estão fluxos ligados a Redes de Lavagem de Dinheiro Operadas em Língua Chinesa (CMLNs), lavagem de dinheiro relacionada a cartéis, e transações de evasão de sanções ligadas à Rússia.

Mais recentemente, os chamados serviços de garantia/escrow associados a fraudes e ao crime organizado também aparecem nos dados.

“No gráfico abaixo, examinamos os fluxos ilícitos para exchanges locais no Brasil, excluindo grandes exchanges globais com usuários brasileiros. Cada um dos quadrados no gráfico representa 1% do volume ilícito recebido por serviços brasileiros. Muitas das principais tendências globais estão se reproduzindo localmente no Brasil, mais notavelmente a crescente exposição a serviços relacionados à Rússia, como o serviço de swap A7A5 e outros serviços sancionados, bem como CMLNs do Sudeste Asiático e serviços de garantia, que juntos formam a nova espinha dorsal da infraestrutura ilícita de crimes cibernéticos. Também vemos exposição à lavagem de dinheiro de cartéis, o que é consistente com a intensidade desse problema no Hemisfério Ocidental.”

Gráfico destaca uma forte mudança no fluxo de criptomoedas ilegais em corretoras brasileiras, incluindo cartel (azul claro), evasão de sanções ligadas à Rússia (em amarelo), redes de lavagem de dinheiro operadas em língua chinesa (em verde) e serviços de garantia/escrow (em laranja). Fonte: Chainalysis/Reprodução.

Em outro trecho, o texto aponta para uma grande variação de endereços ligados a estes fluxos ilícitos, apontando que os criminosos estão “espalhando fluxos por muitos pontos de entrada para evitar detecção”.

“Ao mesmo tempo, como mostrado no gráfico abaixo, os cinco endereços de depósito mais expostos por trimestre representaram consistentemente entre 75% e 90% do volume ilícito total recebido.”

Empresa de segurança aponta que grande parte do fluxo ilícito de criptomoedas é rastreável a um pequeno número de endereços, sendo possível combater essa prática. Fonte: Chainalysis/Reprodução.

Empresa também deu destaque para a regulação brasileira

Finalizando o artigo, a Chainalysis também aborda os avanços da regulação brasileira, principalmente as Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central do Brasil que entraram em vigor no dia 2 de fevereiro de 2026, introduzindo um caminho de licenciamento para corretoras e outras empresas.

“As obrigações de reporte entraram em vigor em 4 de maio de 2026, e o prazo para o licenciamento de SPSAVs pelas empresas já em operação termina em 29 de outubro.”

Além disso, também é citada a Lei nº 15.358, que amplia poderes para autoridades bloquearem e confiscarem criptomoedas ligadas ao crime organizado.

Por fim, o texto aponta que os avanços do Brasil foram maiores e mais rápidos do que a maioria, sendo o seu marco regulatório cada vez mais visto como um modelo regional.

“Essa maturação regulatória importa diretamente para as tendências ilícitas que descrevemos. Um setor de exchanges bem regulado e bem supervisionado é um ambiente significativamente mais difícil para redes de lavagem de dinheiro explorarem.”





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