A Justiça brasileira analisa o pedido de liberdade de um dos suspeitos detidos na Operação Decrypted e uma recente decisão publicada na sexta-feira (17) aponta os bastidores da prisão ligada a furtos milionários de criptomoedas em uma corretora dos EUA, crime praticado por brasileiros.
O processo tramita nas instâncias superiores em resposta à prisão preventiva de Ronison. A sua defesa argumenta a existência de falhas técnicas na acusação que envolve transferências irregulares de bitcoin.
As autoridades prenderam o suspeito por causa de uma movimentação suspeita de 44 bitcoins no mês de agosto de 2025. Esse envio ocorreu após a proibição judicial de acesso às plataformas de negociação da internet.
Senha de carteira de bitcoin compartilhada embasa o pedido de liberdade do réu
Os advogados alegam o compartilhamento prévio da senha mestra da carteira digital com outras pessoas de fora do inquérito.
A defesa argumenta que essa abertura da palavra chave impede a atribuição de culpa exclusiva ao suspeito.
“Aduz que a própria investigação reconheceu o compartilhamento da seed phrase (senha mestra) da carteira digital com terceiros, circunstância que impediria a atribuição exclusiva da transação ao recorrente“, diz a defesa no STJ.
A apelação reforça a falta de provas individuais a respeito do autor real das transferências eletrônicas na rede.
O argumento central classifica a suspeita policial como uma mera possibilidade tecnológica sem garantias.
O recurso questiona também a violação da regra sobre o bloqueio de negociação nas principais corretoras globais, visto que o suspeito utilizou o aplicativo Exodus para guardar as criptomoedas em autocustódia.
A defesa enxerga o sistema de autocustódia como um fator neutro fora das restrições estipuladas no processo da Justiça.
“Argumenta que não houve descumprimento da medida cautelar anteriormente imposta, pois a vedação recaía sobre o acesso a plataformas de negociação de criptoativos, enquanto a carteira Exodus constitui solução de autocustódia“, diz a defesa.
Suspeito alega prisão indevida por falha na comunicação de regras federais
Os representantes legais do suspeito apontam a ausência de um aviso claro sobre o teor da decisão imposta contra ele. Esse fato eliminaria a desobediência voluntária das restrições de operação no dia da transação em questão.
A defesa acusa o tribunal de cerceamento de informações diante da impossibilidade de consulta da prova digital completa da polícia.
A equipe jurídica aponta o rompimento da cadeia de proteção dos aparelhos e códigos vistoriados nas buscas.
O ministro Herman Benjamin indeferiu o pedido preliminar de urgência e manteve o suspeito nas dependências da penitenciária.
O magistrado exigiu o envio do caso para análise minuciosa por parte do Ministério Público Federal (MPF).
Invasão de corretora estrangeira e prisões conjuntas
A Operação Decrypted original ocorreu em 2025 e desarticulou uma rede de hackers especializada no furto de criptomoedas.
A quadrilha conseguiu desviar a cifra de 2,6 milhões de dólares das contas de uma grande empresa estadunidense.
O núcleo financeiro invadiu o painel da companhia gringa e transferiu o lucro ilícito para o domínio dos brasileiros. O rastreio em blockchain confirmou o fluxo de capital nas contas mantidas por operadores do estado do Maranhão.
Em março de 2026, a Polícia Federal e a agência Homeland Security Investigations deflagraram a segunda fase da ofensiva.
A união dos agentes revelou a tentativa dos membros de dissimular o rastro do roubo mesmo após o andamento das investigações federais.
Além disso, o patrimônio incompatível com a renda declarada serviu de isca para as autoridades do governo.
A troca de provas entre o Brasil e os Estados Unidos sustenta o trâmite na esfera federal. Os envolvidos no grupo vão responder pelos crimes de estelionato e associação criminosa em tribunais da federação nacional.




