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segunda-feira, junho 1, 2026

“Se a questão é política, é erro grave”, diz Nunes sobre investigação de Dark Horse

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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta segunda-feira, 1º, que a Operação WI-FI pode configurar “perseguição política” caso a investigação tenha relação com a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ofensiva da Polícia Civil apura suspeitas de fraude em uma licitação de R$ 108 milhões da Prefeitura vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da Go UP Entertainment Ltd, produtora do longa “Dark Horse” sobre a trajetória política de Bolsonaro.

O prefeito foi perguntado nesta manhã sobre uma das hipóteses apuradas pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), de que parte dos recursos do contrato investigado possa ter sido destinada à Go UP durante a produção do filme.

“Eu tenho empresa de embalagem, eu tenho empresa de aterro sanitário, eu tenho fazenda, eu tenho várias atividades, eu sou prefeito, qual o problema da pessoa ter várias atividades? Então, se é essa a motivação, aí eu acho grave. Aí muda o meu discurso. Se a motivação é por conta do filme, então estão indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa do filme? Aí é grave. Aí é perseguição política”, disse o prefeito.

A Operação WI-FI atingiu nesta segunda-feira (1) a sede da ONG suspeita de irregularidades, a Go UP, dois endereços residenciais de Karina Ferreira da Gama e a sede da Secretaria Municipal Inovação e Tecnologia. Ao todo, os investigadores vasculharam oito endereços.

O Estadão pediu manifestação de Karina sobre a investigação. O espaço está aberto para manifestação.

“Eu acho que não merece ninguém ser crucificado porque tem uma preferência política A ou B. Eu estou aqui hoje entregando 131 apartamentos para uma entidade que é ligada à esquerda. Claramente ligada à esquerda”, afirmou o prefeito durante evento nos Campos Elíseos, no centro da capital, em que inaugurou apartamentos populares em parceria com a Unificação das Lutas de Cortiços e Moradia.

Nunes afirmou que a gestão municipal “não identificou nada de errado” no contrato investigado e a Prefeitura “atendeu todos os critérios que a gente tem de economicidade”.

Segundo a investigação, a Prefeitura fez aditivos que elevaram para R$ 157,1 milhões os repasses para a ONG de Karina. Pelo menos R$ 26 milhões teriam sido pagos “sem a efetiva prestação do serviço”, segundo as autoridades. A polícia investiga fraude na licitação, fraude na execução do contrato e possível desvio de recursos públicos.

A gestão de Nunes informou nesta manhã que “repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil (ICB) seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”.

O foco da investigação da Polícia Civil é um contrato firmado entre o ICB e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia para implantação e manutenção de 5 mil pontos públicos de Wi-Fi na periferia de São Paulo.

A Polícia Civil aponta indícios de direcionamento e fraude no chamamento público, vencido apenas pelo ICB, entidade sem experiência prévia na área de telecomunicações e com atuação concentrada em feiras e eventos literários e religiosos. O Tribunal de Contas do Município (TCM) identificou 20 irregularidades no edital e recomendou a suspensão do contrato, mas a Prefeitura manteve a contratação.

A Polícia também apontou indícios de sobrepreço no contrato ao comparar os valores pagos anteriormente pela Prefeitura com os cobrados pelo ICB, que estipulou custo mensal de R$ 1,8 mil por ponto de Wi-Fi instalado. Segundo a investigação, apenas 3,2 mil pontos foram efetivamente executados, apesar de sucessivos aditivos que ampliaram o contrato em R$ 49,1 milhões e buscaram justificar os atrasos na entrega.

Relatório enviado à Polícia pelo Ministério Público indica ainda pagamentos antecipados de R$ 26 milhões sem comprovação dos serviços, enquanto a Prefeitura já desembolsou R$ 83 milhões ao instituto e reservou outros R$ 53 milhões no orçamento deste ano.

Sobre a relação da empresária Karina Ferreira da Gama com o contrato e, paralelamente, o filme sobre Jair Bolsonaro, Nunes disse: “E qual o problema? Qual o problema? Ela não pode? Qual o problema? Qual o problema? Aí, gente, vamos ser realistas aqui. Se a questão é política, se eventualmente a questão é política, eu acho que é um erro grave. Eu acho que é um desrespeito à democracia. Se a questão é política, se por acaso é uma questão política. Se estão fazendo isso por conta do filme, aí eu acho grave. Aí eu acho que precisa ter um outro tipo de apuração.”

“Até o presente momento, a Prefeitura não identificou nada de errado nesse contrato. Muito pelo contrário, ele atendeu a questão da vantajosidade, ele atendeu todos os critérios que a gente tem de economicidade e de prestação do serviço para atender as pessoas. Do ponto de vista da Prefeitura, eu garanto para vocês que eu sou absolutamente tranquilo. Volto a falar. A Polícia Civil foi hoje numa busca e apreensão para levar o material que eles já haviam recebido. Ponto”, afirmou.

‘Pessoa decente’

Nunes afirmou que conhece a empresária Karina Ferreira da Gama, embora não tenha contato com a dona do ICB e da produtora GoUp.

“Não é uma pessoa que eu converso, que eu tenho contato, mas não tenho problema nenhum de ter também. Não estou aqui me excluindo, eu acho uma pessoa decente, uma mulher trabalhadora, uma mulher que, como qualquer outra, está batalhando e que conhece o Bolsonaro”, explicou o prefeito.

Leia a íntegra da nota da Prefeitura de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo informa que colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações. Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido disponibilizado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público, por meio da prestação de contas do município. A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp.

Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade.

A prefeitura reforça que toda a prestação de contas, com documentos, notas fiscais, contratos e outras informações, está no sistema SEI, que é público. O processo passou também por acompanhamento do Tribunal de Contas do Município (TCM). A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade.

Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022, de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês.



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