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quarta-feira, agosto 5, 2026

A tecnologia só transforma a saúde quando há médicos muito bem preparados

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Da mesma maneira que vivenciamos uma extraordinária evolução da saúde nas últimas décadas, o futuro promete uma transformação ainda mais ágil, potencializada pelo uso de novas tecnologias. Na medicina diagnóstica e terapêutica, a disrupção redefine diariamente os tratamentos mais complexos, com equipamentos de ponta que oferecem uma precisão nunca antes imaginada. Um setor de extrema importância para a sociedade e para a economia de qualquer nação, a saúde vive, no Brasil, uma expansão significativa da formação médica, tanto pelo aumento da oferta de cursos quanto pelo crescimento do número de profissionais. Já são mais de 450 escolas distribuídas por centenas de municípios e cerca de 50 mil novos médicos formados por ano, com projeção de o País alcançar 1 milhão de profissionais até 2030.

Apesar desse crescimento, avaliação recente do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), do Ministério da Educação (MEC), revelou que cerca de 30% dos cursos obtiveram desempenho insatisfatório. Isso significa que três em cada dez médicos recém-formados não atingiram o padrão mínimo exigido. A formação de qualidade é indispensável para assegurar a segurança dos cuidados em saúde e para que esses profissionais estejam aptos a incorporar novas tecnologias em sua prática, mantendo uma capacitação contínua.

No Brasil, a saúde é um dos mais importantes motores da economia, responsável por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e por movimentar cerca de R$ 900 bilhões por ano. Desse total, os gastos com assistência médica e tratamentos representam, sozinhos, R$ 236 bilhões.

O uso correto de recursos e de inovações que envolvem cifras tão expressivas depende diretamente do fator humano, pois, sozinha, a tecnologia não opera milagres. Por isso, a qualificação de médicos e demais profissionais da saúde é o elo essencial para que essa engrenagem funcione da melhor maneira, mantendo sempre os pacientes no centro de todos os esforços.

A adoção efetiva e o treinamento para o uso de novas tecnologias são indispensáveis para que esses recursos sejam utilizados de forma adequada, assegurando seus benefícios e a segurança dos pacientes, pilar fundamental de qualquer prática médica. A curva de aprendizado deve ser ágil e, ao mesmo tempo, rigorosa. A capacitação contínua transforma o uso diário dessas ferramentas em uma prática segura, consciente e eficiente.

Os novos equipamentos oferecem dados mais precisos e refinados, antecipam diagnósticos e tratamentos, possibilitam intervenções menos invasivas e reduzem o tempo de internação. A combinação desses fatores resulta em melhores desfechos para os pacientes. Médicos e demais profissionais devidamente capacitados conseguem interpretar nuances complexas viabilizadas pela tecnologia e extrair o máximo potencial dessas soluções.

Sob a perspectiva da eficiência operacional das instituições hospitalares, o uso adequado e seguro dos novos recursos impacta positivamente a gestão, na medida em que profissionais capacitados evitam desperdícios de insumos valiosos e de tempo, fatores cruciais na prática clínica. Esse benefício também se estende à vida útil dos equipamentos de alta tecnologia, que passam a contar com melhor utilização e manutenção preventiva, tornando os fluxos mais eficientes e ampliando o acesso aos recursos disponíveis.

Para que o ciclo de capacitação e treinamento alcance os resultados esperados, as empresas responsáveis pelo desenvolvimento dessas tecnologias disruptivas também devem assumir um papel ativo na promoção da educação continuada, oferecendo suporte científico e técnico, além de programas de certificação e atualização permanente.

Inovar na saúde vai muito além de contar com o parque tecnológico mais avançado do mercado. O verdadeiro progresso ocorre quando os recursos disponíveis são utilizados de forma correta, eficiente e segura para atender às necessidades da prática clínica.

A capacitação contínua e a atualização tecnológica representam alguns dos investimentos mais estratégicos que uma instituição pode realizar, sem perder de vista que nada disso faz sentido se o cuidado não permanecer humanizado. A sinergia entre os diferentes agentes responsáveis pela evolução da saúde permitirá consolidar um ecossistema em que a inovação seja incorporada de forma natural, segura e sustentável.

*Freddy Sassoun é CEO da KTR Medical, distribuidora de equipamentos para diagnóstico (RevDx) e tratamento do câncer (IceCure)

 



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