A Gávea Investimentos decidiu encerrar sua família de fundos multimercado macro, abandonando o negócio que já foi seu carro-chefe depois de anos de underperformance.
A gestão desses fundos – que somam cerca de R$ 2 bilhões em ativos – será transferida para a Bradesco Asset, segundo um comunicado enviado hoje aos clientes.
Os seis fundos seguiam basicamente a mesma estratégia, mas um deles era mais alavancado e o outro tinha exposição à variação do dólar. O retorno estava abaixo do CDI desde 2023.
A decisão da Gávea é apenas o exemplo mais recente da dificuldade dos gestores tradicionais em gerar retornos acima do mercado, o que tem contribuído para um esvaziamento dos multimercados e fundos de ações e a migração do capital para alternativas mais baratas, como os ETFs.
O movimento também acontece no momento em que diversos gestores estão repensando seus modelos de negócio para se adaptar a um mercado dominado por produtos incentivados (que não pagam imposto de renda) e a Selic de dois dígitos que, na ausência de um ajuste fiscal, prevaleceu durante todo o governo Lula.
“Gestão ativa agora só com muito alfa. O resto vai migrar tudo para ETFs,” disse um gestor de ações que “graças a Deus” ainda está performando.
Além do juro alto – que drena recursos para a renda fixa, principalmente os incentivados – o mercado também debate se o jeito convencional de gerar alfa, com mentes brilhantes capazes de fazer leituras únicas de cenário e ganhar dinheiro com isso, já não funciona mais.
Os fundos multimercado sempre foram o carro-chefe da Gávea. A casa foi fundada por Arminio Fraga e seu primo Luiz Fraga em 2003, depois que Arminio – um ex-gestor de mercados emergentes de George Soros que havia voltado ao Brasil em 1999 para presidir o BC no meio de uma crise cambial – terminou seu mandato.
A Gávea também tem uma área de private equity, comandada por Luiz Fraga, que investiu em empresas como Arcos Dorados, Azul, Camil, Fibria e Stone&Co.
A partir de agora, a Gávea fará apenas a gestão de seus atuais investimentos em private equity, sem captar recursos novos.
A Gávea já teve outras classes de fundos no passado: lançou FIAs e FIIs depois de ter sido comprada pelo JP Morgan em 2010 – mas essas áreas ficaram com o banco americano quando Arminio e outros sócios recompraram a gestora em 2015.
Na época, a Gávea tinha US$ 5 bilhões em AUM, cerca de 10% disso em fundos imobiliários e de ações.




