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quinta-feira, agosto 13, 2026

O megateste do boom da IA: Anthropic mira valuation de US$ 2 trilhões em IPO que pode superar o da SpaceX

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A Anthropic, startup de inteligência artificial, está se preparando para um IPO em outubro, com investidores projetando uma receita anualizada entre US$ 100 bilhões e US$ 120 bilhões até 2026. A avaliação da empresa pode ultrapassar US$ 2 trilhões, tornando-se a maior estreia da história da bolsa americana, com a possibilidade de alcançar US$ 3 trilhões se continuar crescendo 800% ao ano.

Apesar do otimismo, a Anthropic enfrenta desafios, como concorrência de modelos chineses de código aberto e pressões regulatórias. A empresa já teve que retirar temporariamente seus modelos mais avançados do mercado devido a controles de exportação, o que afetou seu crescimento.

Fundada em 2021, a Anthropic se posiciona como uma empresa de benefício público, mas sua trajetória inclui conflitos com o governo dos EUA e litígios com o Departamento de Defesa. O IPO será um teste crucial para a startup em um cenário de crescente competição e regulação.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A startup Anthropic, criadora do agente Claude, está prestes a levar o boom da inteligência artificial ao seu maior teste público, no IPO esperado para outubro.

O entusiasmo não vem da própria empresa — que entrou em período de silêncio após protocolar documentos na SEC, órgão regulador do mercado americano de ações — mas de investidores citados pelo jornal britânico Financial Times, que projetam um salto extraordinário na receita anualizada, estimada entre US$ 100 bilhões e US$ 120 bilhões até o fim de 2026.

A avaliação é que o rápido crescimento da receita da Anthropic permitiria que ela mais que dobrasse seu valuation atual – para US$ 2 trilhões – no IPO de outubro, o que a transformaria na maior estreia da história da bolsa americana, acima da SpaceX, que chegou à bolsa, valendo US$ 1,75 trilhões.

“Se a Anthropic está crescendo 800% ao ano, você imaginaria que, no cenário mais pessimista, suas ações seriam negociadas a 30 vezes a receita”, disse um investidor ao jornal britânico. “Isso a tornaria uma empresa de US$ 3 trilhões.”

A avaliação da Anthropic já ultrapassou a da OpenAI em maio, quando a startup atingiu US$ 965 bilhões após novos aportes, parte dos quase US$ 100 bilhões injetados por fundos soberanos, capitalistas de risco e investidores institucionais ao longo de 2026.

O apetite por números tão ambiciosos se apoia no avanço da Anthropic sobre rivais como OpenAI e Google, especialmente no mercado corporativo, onde seus modelos mais recentes superaram concorrentes e impulsionaram a receita anualizada para mais de US$ 47 bilhões.

Mas o caminho para um IPO histórico está longe de ser linear. A empresa enfrenta concorrência crescente de modelos chineses de código aberto, que evoluíram rapidamente e custam uma fração do preço.

O modelo principal da Anthropic custa mais de duas vezes e meia o da OpenAI, e clientes já começam a limitar gastos com IA, migrando para alternativas mais baratas. Analistas da Ramp identificaram que, embora a Anthropic tenha ampliado sua participação entre empresas americanas, muitas já atingiram o teto de gastos com IA.

Além da pressão competitiva, a Anthropic enfrenta turbulências políticas e regulatórias. A startup entrou em conflito com o governo Trump e mantém litígio ativo com o Departamento de Defesa, que a classificou como risco para a cadeia de suprimentos.

Em junho, controles de exportação obrigaram a empresa a retirar temporariamente seus modelos mais avançados — Fable 5 e Mythos 5 — do mercado, assustando clientes e contribuindo para uma desaceleração no crescimento da receita.

O Mythos foi considerado por especialistas uma poderosa arma cibernética, que a empresa planejava implementar amplamente em 150 empresas em 15 países, especificamente aquelas responsáveis por infraestruturas críticas que afetam mais de 100 milhões de pessoas.

Embora investidores afirmem que a empresa se recuperou rapidamente, o episódio expôs a vulnerabilidade de um negócio que depende de modelos de ponta sujeitos a regulações cada vez mais rígidas.

Trajetória turbulenta

O IPO esperado para outubro abre uma nova fase na turbulenta – e lucrativa – trajetória da Anthropic, iniciada em 2021.

Desde que lançou seu primeiro produto, o Claude, um concorrente do ChatGPT, em 2023, uma narrativa vinha se construindo em torno da empresa – a de que a Anthropic se apresentava como a consciência da indústria de IA.

Sua promessa de fundação era construir uma IA segura e responsável, que não prejudicasse seus usuários nem a sociedade em geral. Fundada como uma empresa de benefício público, a empresa com fins lucrativos é legalmente obrigada a equilibrar seus objetivos financeiros com um impacto social positivo.

Seus cofundadores, um grupo de pesquisadores e engenheiros de espírito elevado do Vale do Silício, havia deixado seus empregos na OpenAI para trabalhar com Dario Amodei e sua irmã, Daniela.

No final de fevereiro, porém, a startup de IA bateu de frente com o governo Trump tendo como pano de fundo um princípio fundamental da fundação da empresa: a implantação segura de poderosas tecnologias de IA.

O Departamento de Defesa havia solicitado à Anthropic que permitisse que seu sistema de IA, Claude, fosse disponibilizado para “todos os fins legais”. A Anthropic, por sua vez, solicitou duas exceções: vigilância em massa de cidadãos americanos e guerra autônoma letal.

O presidente Donald Trump, então, advertiu que todas as agências federais de seu governo deveriam cessar imediatamente o trabalho com a Anthropic, descrevendo Amodei e seus colegas como “malucos de esquerda woke”.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, complementou com uma publicação afirmando que a Anthropic seria designada como um “risco à cadeia de suprimentos” para a segurança nacional, algo inédito para uma empresa americana. Em teoria, isso significava que nenhuma organização que fizesse negócios com as forças armadas dos EUA poderia agora trabalhar com a Anthropic.

A Anthropic processou o Pentágono em março, alegando que seus negócios sofreriam enormes prejuízos em decorrência da designação da cadeia de suprimentos e que estava sendo alvo de perseguição por criticar o governo. O caso ainda tramita nos tribunais federais.

Mesmo assim, o otimismo persiste. “É fácil apontar desafios”, disse ao Financial Times um investidor da Anthropic que também apoiou grupos de IA como a OpenAI e a SpaceX, que abriu capital com uma avaliação de US$ 1,77 trilhão em junho. “Mas a empresa continua na liderança em desempenho, posicionamento e no que as pessoas desejam.”

O resultado do IPO, portanto, deve dar uma dimensão dos limites da startup que já virou uma gigante de IA.



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