Nos últimos anos, o mercado financeiro brasileiro se tornou referência global em inovação. Pagamentos por aproximação, carteiras digitais, jornadas simplificadas e experiências cada vez mais fluidas transformaram a relação dos consumidores com o dinheiro.
No entanto, quando as discussões estratégicas chegam ao ambiente corporativo, uma pergunta precisa ser feita com urgência: “E o PJ?”.
Enquanto boa parte da inovação do setor foi direcionada à experiência da pessoa física, milhões de empreendedores continuam enfrentando desafios operacionais que consomem tempo, reduzem a produtividade e limitam o crescimento dos negócios. O resultado é uma realidade em que a digitalização avança rapidamente para o consumidor, mas nem sempre acompanha o mesmo ritmo no ambiente corporativo.
Os números ajudam a dimensionar esse cenário. Segundo o estudo Panorama PME Brasil, lançado pela Visa, 57% das pequenas e médias empresas ainda misturam contas pessoais e corporativas em algum nível. Além disso, 43% das PMEs que tiveram crédito negado consideraram mudar de banco principal. Os dados mostram que ainda existe uma demanda relevante por soluções mais aderentes à rotina de quem empreende.
O desafio é reconhecer que uma PME não é apenas uma pessoa física com CNPJ. Ela precisa administrar o fluxo de caixa, controlar despesas, realizar compras corporativas, acessar crédito, conciliar pagamentos e planejar investimentos. São necessidades específicas que exigem soluções desenhadas para a realidade empresarial.
Nesse contexto, as discussões mais recentes sobre inteligência artificial oferecem uma oportunidade interessante. Muito se fala sobre o impacto da IA na experiência do consumidor, mas seu potencial para o universo empresarial pode ser igualmente transformador. A automação de processos, o apoio à tomada de decisão, a gestão financeira mais eficiente e as novas formas de interação comercial tendem a reduzir complexidades que ainda fazem parte da rotina de muitas empresas.
O avanço do comércio agêntico também amplia essa discussão. À medida que agentes de inteligência artificial passam a pesquisar informações, comparar ofertas e apoiar decisões de compra, surge uma nova camada de competitividade para as empresas. Construir relevância não será importante apenas para consumidores humanos, mas também para sistemas capazes de influenciar, cada vez mais, as jornadas de compra.
Ao mesmo tempo, inovações de infraestrutura, muitas vezes invisíveis para o usuário final, seguem transformando a movimentação financeira corporativa. Tecnologias como tokenização, modelos avançados de prevenção a fraudes e novas formas de liquidação têm potencial para tornar os processos mais seguros, eficientes e previsíveis, reduzindo fricções operacionais que impactam diretamente a gestão dos negócios.
Essa necessidade de evolução se torna ainda mais evidente em períodos de maior atividade econômica. Em tempos de Copa do Mundo FIFA 2026™, por exemplo, milhares de pequenas e médias empresas se preparam para ampliar estoques, investir em equipamentos e responder a uma demanda potencialmente maior. É justamente nesses momentos que fica claro como soluções financeiras adequadas podem ajudar o empreendedor a transformar oportunidades sazonais em crescimento sustentável.
A transformação digital do mercado financeiro produziu avanços importantes para consumidores, instituições financeiras e diversos setores da economia. O próximo passo é fazer com que as pequenas e médias empresas também estejam no centro desse movimento. Afinal, quando discutimos o futuro dos pagamentos, da inteligência artificial e da economia digital, talvez a pergunta mais relevante continue sendo a mais simples: o que o mercado tem para o PJ?
*Marcela Pinori é vice-




