O Nubank, instituição financeira que registra um dos maiores índices de inadimplência do sistema bancário brasileiro, passará a oferecer aos seus mais de 115 milhões de clientes uma ferramenta integrada para consulta e renegociação de dívidas diretamente pelo aplicativo. A novidade é resultado de uma parceria com a Acordo Certo, plataforma especializada em renegociação de débitos do ecossistema Consumidor Positivo, cuja tecnologia passa a integrar o NuScore, sistema de avaliação de crédito da fintech.
A iniciativa chega em um momento em que a carteira de crédito do Nubank continua apresentando indicadores de inadimplência acima da média do mercado. A taxa de atrasos superiores a 90 dias alcança 6,5%, enquanto o índice de operações classificadas em Estágio 2, categoria que reúne clientes com maior probabilidade de inadimplência, é de 11,5% no cartão de crédito e de 15,4% na carteira de empréstimos pessoais. No sistema financeiro nacional, os dados do Banco Central mostram uma taxa média de inadimplência de 4,7% para pessoas físicas e jurídicas.
Apesar da diferença em relação à média do setor, a composição da carteira do Nubank ajuda a explicar esses números. A instituição concentra sua atuação em linhas de crédito sem garantia, como cartão de crédito e empréstimo pessoal, modalidades que historicamente apresentam maior risco de inadimplência e volatilidade quando comparadas a operações com garantia real, como financiamentos imobiliários e de veículos, predominantes nos grandes bancos tradicionais.
Com a integração ao NuScore, os usuários poderão consultar pendências vinculadas ao CPF, receber alertas sobre novas dívidas e ofertas de negociação, fechar acordos por Pix ou boleto e acompanhar a evolução da regularização financeira sem recorrer a diferentes plataformas. O serviço será gratuito para clientes com acesso ao sistema de pontuação do Nubank. Enquanto a funcionalidade é disponibilizada de forma gradual, a renegociação continuará podendo ser feita pelo aplicativo e pelo site da Acordo Certo.
Segundo Eduardo Cavalheiro, executivo da da Acordo Certo, a parceria representa um avanço na forma como os consumidores acessam esse tipo de serviço. “Essa parceria representa um novo estágio de maturidade no mercado de renegociação de dívidas no Brasil. Ao levar nossa tecnologia para dentro do aplicativo de um banco com a escala do Nubank, aproximamos a solução do momento em que o consumidor mais precisa dela, sem burocracia e sem que ele precise sair de um ambiente em que já confia”, afirmou.
A empresa informa que o perfil predominante dos consumidores endividados em sua base é formado por clientes das classes C e D, com dívida média próxima de R$ 1 mil. Os débitos estão concentrados em despesas cotidianas, como cartão de crédito, compras parceladas em supermercados, gastos com saúde, telefonia e internet.
Para o Nubank, a centralização da jornada de negociação busca tornar o processo mais simples e acessível aos clientes. “Queremos reduzir a complexidade e a ansiedade que normalmente envolvem a descoberta e a negociação de dívidas. Ao trazer essa jornada centralizada no app, conseguimos oferecer uma experiência mais simples, transparente e eficiente para os mais de 115 milhões de clientes no Brasil”, afirma Burke Deutsch, gerente-geral de Crédito do Nubank.
Fundada em 2015, a Acordo Certo acumula mais de R$ 23 bilhões em dívidas renegociadas e reúne uma base superior a 50 milhões de CPFs cadastrados. Apenas em 2026, a plataforma intermediou mais de 3,5 milhões de acordos. Os descontos médios oferecidos chegam a 80%, podendo alcançar até 99% em situações específicas. Atualmente, a empresa mantém parcerias com 45 instituições, entre financeiras, varejistas e empresas de telecomunicações.
Na avaliação de Cavalheiro, o principal obstáculo para quem busca sair da inadimplência não está na falta de disposição para quitar os débitos, mas na dificuldade de acessar crédito em condições compatíveis com a renda. “A combinação entre renda comprometida e falta de acesso a crédito em condições justas, no momento em que o consumidor mais precisa, é o que sustenta esse ciclo. Quando alguém entra na inadimplência, o crédito formal fica mais caro ou inacessível, o que empurra a pessoa para dívidas ainda mais onerosas, e não para a recuperação”, explicou.
O executivo afirma que a integração com o NuScore foi desenvolvida justamente para ampliar a previsibilidade financeira dos consumidores e facilitar acordos compatíveis com a capacidade de pagamento. “Mais do que resolver uma dívida pontual, queremos dar visibilidade contínua e condições que caibam no bolso de quem está do outro lado”, acrescentou.




