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domingo, agosto 23, 2026

No interior de São Paulo, antiga fazenda de café une refúgios de alto padrão e vinhedos privativos

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A Fazenda São Simão, no interior paulista, iniciou a primeira vindima de seu vinhedo experimental, parte de um projeto de alto padrão chamado Vinhas da Invernada.

Comprada por cinco sócios, a propriedade de 260 hectares será transformada em um “condomínio da uva”, onde cada proprietário terá seu próprio parreiral.

A primeira fase do projeto abrange 100 hectares e oferece 40 lotes, com preços entre R$ 5 milhões e R$ 8,75 milhões, totalizando um valor geral de vendas estimado em R$ 300 milhões.

Os proprietários poderão escolher entre 14 variedades de uvas e contarão com uma vinícola boutique para a produção de vinho.

O projeto visa atender a um público de alta renda em busca de um estilo de vida rural, sem a necessidade de desbravar a terra sozinhos.

Além disso, a tendência de residenciais com vinícolas está crescendo no Brasil, especialmente em São Paulo e Minas Gerais.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Em agosto, a Fazenda São Simão, no interior paulista, realizou a primeira vindima de seu vinhedo experimental. Fundada em 1860, a propriedade de 260 hectares foi comprada por um grupo de cinco sócios que pretendem transformar o antigo complexo cafeeiro em um “condomínio da uva”: um empreendimento de altíssimo padrão no qual cada proprietário terá seu próprio parreiral.

Conhecidos internacionalmente como vineyard estates ou wine estates, negócios como o Vinhas da Invernada se consolidam cada vez mais como uma tendência global. É uma evolução do desejo por uma casa no campo — agora levado às alturas.

O movimento reflete uma mudança mais ampla no consumo de luxo. Em vez de ostentar apenas metragem, localização ou acabamentos, parte da alta renda busca ativos que ofereçam privacidade, natureza, autenticidade e experiências difíceis de reproduzir. É o quiet luxury rural.

Nesse modelo, o valor está menos no imóvel em si do que aquilo que ele proporciona: um pedaço de território, uma relação com a terra e, em alguns casos, até a possibilidade de participar da produção do próprio vinho.

“A ideia é abraçar um lifestyle rural, mas sem que a pessoa precise desbravar a terra sozinha”, diz Gabriela Moreno Sanches, sócia do Vinhas da Invernada, ao NeoFeed. “O público de alta renda busca esse refúgio e a proposta é oferecer isso com mais espaço, mais propósito e uma forma diferente de viver o campo.”

A área do vinhedo experimental na Fazenda São Simão funciona como modelo para que os futuros compradores conheçam a proposta do empreendimento.

A primeira fase do projeto ocupa 100 hectares da propriedade e prevê a comercialização de 40 lotes — 30% dos quais já foram vendidos e três estão em fase avançada de negociação. De 20 mil a 35 mil metros quadrados cada um, seus valores giram em torno de R$ 5 milhões a R$ 8,75 milhões.

O valor geral de vendas (VGV) estimado para a primeira etapa é de R$ 300 milhões. Uma segunda fase, ainda sem data de lançamento, acrescentará 60 unidades ao projeto.

Empreendimentos como o Vinhas da Invernada se espalham pelas regiões vitivinícolas do Brasil e do mundo. Com o início das operações previstas para 2027, o Enovila, da vinícola Alma Gerais, na porção mineira da Serra da Mantiqueira, é um condomínio de 60 casas em formato de propriedade compartilhada, com acesso à experiência de cultivo e produção do vinho.

O Quintas do Terroir, no Mato Grosso, tem proposta semelhante e prevê a comercialização de cerca de 280 lotes. Em Mendoza, na Argentina, o Algodon Wines Estates com 400 lotes, se assemelha aos modelos brasileiros.

Nos Estados Unidos, Napa Valley é um dos exemplos mais evidentes dessa evolução. Em 2026, a região vive uma nova onda de empreendimentos residenciais de alto padrão associados à cultura do vinho. Na Europa, o sistema também se fortalece.

“A ideia aqui é abraçar um lifestyle rural, mas sem que a pessoa precise desbravar a terra sozinha”, diz Gabriela Moreno Sanches, sócia do projeto (Foto: Divulgação)

No Vinhas da Invernada, o proprietário dispõe de 14 variedades de uvas. Entre elas, Malbec, Pinot Noir e Chenin Blanc (Foto: Divulgação)

Fundada em 1860, a Fazenda São Simão, originlamente produzia café (Foto: Divulgação)

Localizada na Serra do Japi o Vinhas da Invernada tem o microclima adequado à produção de vinhos secos (Foto: Divulgação)

Localizado na Serra do Japi, entre Jundiaí e Cabreúva, no sudeste paulista, o Vinhas da Invernada fica a cerca de uma hora da cidade de São Paulo. O projeto surge em um momento de crescente interesse da alta renda por morar — ou ter uma segunda residência — no interior paulista, mas sem se afastar muito da capital.

Segundo dados do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis de São Paulo, os imóveis com mais de 130 metros quadrados quase dobraram sua participação no valor dos lançamentos entre 2021 e 2025 — de 8,7% para 17,1%.

No Vinhas da Invernada, a área destinada às uvas em cada lote fica a critério do comprador. Ele pode optar por ocupar todo o terreno com a cultura ou dividir o espaço entre a produção da fruta e a construção de uma casa de campo.

Da uva à garrafa

Mas, comprar uma vinícola é muito diferente do que comprar uma casa cercada por parreiras. Uma propriedade produtiva exige mão de obra, equipamentos, infraestrutura de adega, gestão agrícola, distribuição e controle financeiro.

Por isso, muitos empreendimentos oferecem suporte aos proprietários. No Vinhas da Invernada, por exemplo, o plantio e o cuidado com os parreirais ao longo do primeiro ano são cobrados à parte.

Depois, é possível acompanhar o manejo pessoalmente ou terceirizar o serviço para a administração do condomínio, por uma mensalidade estimada em aproximadamente R$ 7 mil.

“A implantação do vinhedo, com o plantio em si e a manutenção durante o primeiro ano, é feita por nós para garantir que esse ciclo inicial seja homogêneo”, afirma Sanches.

O proprietário poderá escolher entre 14 variedades de uvas, como Malbec, Pinot Noir e Chenin Blanc. Todas as castas são destinadas à produção de vinhos secos — perfil que, segundo a empresária, é o mais adequado ao microclima da região.

Empresária com 20 anos de atuação na LVMH na área de vinhos, champanhes e destilados, a empresária está à frente da experiência do empreendimento, tanto do universo do vinho quanto em hospitalidade.

“Buscamos uma série de certificações para atestar a vocação da fazenda para produzir uvas finas”, afirma. “O próximo passo é a contratação de um enólogo que ajude a aterrizar a estratégia da produção para os diferentes proprietários. Será parte dos serviços do condomínio.”

Além dos vinhedos de cada proprietário, o desenvolvimento do projeto prevê a construção de uma vinícola boutique para que todo o processo da vinicultura, da uva à garrafa, possa ser realizado dentro da propriedade.

A estimativa é que cada lote resulte em uma safra anual capaz de render, em média, 3 mil a 5 mil garrafas de vinho com rótulo próprio.

O objetivo principal do negócio não é comercializar a bebida, mas Sanches não descarta a possibilidade de, em um segundo momento, o próprio condomínio vender um eventual excedente por meio da vinícola boutique.



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