A Hurst Capital acaba de lançar uma nova operação estruturada em parceria com a fintech Payssego voltada ao financiamento de antecipações salariais. Batizada de “Antecipação Salarial – E208/C1”, a oferta disponibiliza aos investidores uma taxa prefixada de 21% ao ano, com prazo total de sete meses e aplicação mínima de R$ 10 mil.
A proposta está centrada na antecipação de valores já trabalhados por funcionários de empresas conveniadas. Na prática, o colaborador pode solicitar parte do salário proporcional aos dias já cumpridos no mês, enquanto o investidor passa a deter um ativo estruturado com base nesses recebíveis. O modelo acompanha uma tendência internacional de expansão do mercado de crédito atrelado à remuneração trabalhista, cuja estimativa global aponta para um volume de até US$ 61 bilhões até 2034.
A operação é estruturada por meio da emissão de Certificados de Recebíveis pela Hurst, lastreados em notas comerciais emitidas pela Payssego. Como garantia, há cessão fiduciária dos contratos de antecipação firmados com os trabalhadores das empresas parceiras. O cronograma prevê seis meses destinados à reciclagem do capital investido, período em que os recursos retornam e são reaplicados, seguido por um mês final para liquidação integral da carteira.
Segundo Arthur Farache, CEO da Hurst, o mecanismo parte de um cálculo simples: o funcionário acumula diariamente o direito proporcional ao salário. Caso tenha trabalhado metade do mês, já constituiu metade da remuneração. É sobre esse montante que incide a antecipação. De acordo com o executivo, essa lógica amplia a previsibilidade da operação, pois o crédito está vinculado a valores efetivamente gerados pelo trabalhador.
O funcionamento do sistema depende de integração tecnológica com os departamentos de Recursos Humanos das empresas conveniadas. Por meio de APIs conectadas à folha de pagamento, a plataforma calcula em tempo real o limite disponível para cada colaborador com base nos dias trabalhados. A liquidação ocorre de forma automática, com desconto direto na folha ou, alternativamente, via boleto emitido pela empresa. Esse desenho transfere o risco da pessoa física para a estrutura corporativa da folha salarial.
Farache afirma que o modelo já é consolidado em mercados como Estados Unidos e Europa, onde a antecipação salarial se tornou instrumento recorrente de gestão de fluxo de caixa para trabalhadores. Na avaliação dele, a principal mudança está na natureza do risco, que deixa de depender da disposição individual de pagamento e passa a estar ancorado na robustez da empresa responsável pela folha.
Para reforçar a proteção aos investidores, a estrutura incorpora um mecanismo de subordinação equivalente a 20% da emissão. Desse total, 80% correspondem a certificados de classe sênior, distribuídos aos investidores da plataforma, enquanto os 20% restantes compõem a classe subordinada, mantida pelos sócios das duas empresas. Essa parcela subordinada funciona como camada inicial de absorção de eventuais inadimplências, preservando a rentabilidade da tranche sênior até o limite estabelecido.
Os números operacionais indicam um valor médio de R$ 196,11 por antecipação, com prazo médio de 23 dias para retorno do capital. Até janeiro de 2026, o volume acumulado alcançou R$ 2,8 milhões, distribuídos em 14.365 operações. Entre as companhias que já utilizam a solução estão Educbank, Foundever, Buser, Bild/Vitta e Sólides.
A expectativa de expansão é significativa. A base atual de aproximadamente mil usuários ativos pode chegar a 24 mil, impulsionada por novos contratos em negociação, incluindo acordos com o Governo do Espírito Santo e a Prefeitura de Florianópolis. Caso o pipeline se concretize, a operação tende a ampliar escala e consolidar a antecipação salarial como um novo nicho dentro do mercado brasileiro de crédito estruturado.




