A entrada em vigor das novas diretrizes da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), prevista para 26 de maio, inaugura uma mudança relevante na gestão de saúde e segurança do trabalho no Brasil. A partir de agora, riscos psicossociais, como excesso de carga de trabalho, pressão por resultados e condições organizacionais que afetem o bem-estar dos colaboradores, passam a integrar formalmente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), exigindo das empresas mecanismos estruturados de identificação, monitoramento e mitigação desses fatores.
A alteração regulatória ocorre em um cenário de deterioração dos indicadores de saúde mental. Dados do Ministério da Previdência Social apontam que, em 2025, foram registrados 546.254 afastamentos relacionados a transtornos mentais e comportamentais, volume 15% superior ao observado no ano anterior. Com isso, questões que antes eram tratadas predominantemente pelas áreas de recursos humanos passam a fazer parte da agenda de gestão de riscos ocupacionais, sujeitando as empresas a penalidades administrativas em caso de descumprimento.
De olho nesse movimento, a healthtech Indexmed lançou uma solução voltada ao mapeamento e acompanhamento de riscos psicossociais no ambiente corporativo. Segundo Renan Soloaga, CEO e fundador da empresa, muitas organizações ainda não possuem estrutura técnica para lidar com as novas exigências. “Com a atualização da NR-1, as empresas passam a ter responsabilidade direta sobre fatores que antes eram pouco estruturados dentro da gestão de SST. Muitas organizações, principalmente pequenas e médias, não contam com equipes internas especializadas ou recursos para estruturar esse processo. Nosso objetivo com o programa é tornar essa avaliação acessível, permitindo que empresas consigam identificar riscos psicossociais de forma prática, estruturada e com base em dados”, afirma.
A ferramenta utiliza metodologias reconhecidas internacionalmente, entre elas o Copenhagen Psychosocial Questionnaire II (COPSOQ II), para coletar informações de forma digital, anônima e segura. Com base nas respostas dos colaboradores, o sistema avalia indicadores relacionados às demandas de trabalho, autonomia, suporte organizacional e autoestima profissional, gerando análises automatizadas e painéis visuais que permitem identificar áreas com maior incidência de riscos.
Além do diagnóstico, a plataforma produz relatórios gerenciais compatíveis com o eSocial e permite a incorporação dos resultados diretamente ao inventário de riscos do PGR. Para Leandro Santos, CSO da Indexmed, a tecnologia reduz a complexidade de um processo que tradicionalmente exige equipes especializadas. “Muitas companhias sabem que precisam tratar a saúde mental no ambiente de trabalho, mas não têm estrutura técnica para medir esses riscos. A plataforma organiza esse processo em etapas simples, o que facilita o cumprimento da norma e ajuda gestores de RH, SESMT e Departamento Pessoal a entender onde estão os principais pontos de atenção dentro da organização”, afirma.
Fundada em 2018, a Indexmed atua no segmento de gestão digital de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) e atende empresas de diferentes portes, além de consultorias especializadas. A companhia informa possuir mais de 267 mil empresas em sua base e mais de 3,5 milhões de vidas cadastradas em sua plataforma. Entre as iniciativas recentes está a Rede Indexlink, sistema desenvolvido para compartilhar dados de SST entre empresas, clínicas e prestadores de serviços médicos a partir das informações do eSocial.
De acordo com Soloaga, a digitalização dos processos relacionados à saúde ocupacional também contribui para a segurança e rastreabilidade das informações. “A Rede Indexlink é um produto inédito que tem total relação com a NR-1, já que muitos dos nossos clientes têm dificuldades para salvar os dados com segurança. A digitalização de exames ocupacionais e cronogramas elimina processos analógicos, reduz custos e economiza tempo para as organizações”, afirma.
O avanço das exigências regulatórias sinaliza uma mudança de paradigma na gestão corporativa. Mais do que uma questão de conformidade, a saúde mental passa a ser tratada como um componente estratégico da gestão de riscos, ampliando a demanda por ferramentas capazes de transformar dados comportamentais em indicadores de prevenção e governança.




