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segunda-feira, junho 29, 2026

Ele quer convencer o Fisco de que beber vinho não pode ser considerado um pecado

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A proposta de reforma tributária em discussão no País pode alterar de forma significativa o cenário do mercado de vinhos no Brasil. A criação do chamado Imposto Seletivo, ou popularmente conhecido como “Imposto do Pecado”, previsto para incidir sobre bebidas alcoólicas, é vista pelo setor como um fator de risco para a continuidade do ciclo de crescimento registrado nos últimos anos, ao elevar preços ao consumidor e pressionar a dinâmica de consumo.

Atualmente, o vinho já enfrenta uma carga tributária próxima de 50% do valor final. Com a nova modelagem, que tende a adotar incidência monofásica e restringir mecanismos de compensação ao longo da cadeia, a tendência é de intensificação desse peso. Na prática, o impacto recai diretamente sobre o preço nas gôndolas e pode comprometer a competitividade do produto no mercado interno.

Os efeitos não devem se restringir ao consumo. A elevação da tributação tende a afetar decisões de investimento, reduzir a atratividade do mercado formal e gerar desdobramentos em setores interligados, como gastronomia, turismo e hospitalidade, que têm no vinho um vetor relevante de geração de valor e experiência.

O debate ganha tração em um momento estratégico para o setor, às vésperas da Wine South America, uma das principais feiras profissionais da indústria no continente. O evento será realizado entre 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, e deve reunir mais de 400 marcas de diferentes países, com estimativa de movimentar cerca de R$ 100 milhões em negócios.

Organizada pela Milanez & Milaneze, subsidiária da Vinitaly, a feira consolidou-se como um dos principais pontos de encontro do setor na América Latina. Além da geração de negócios, o evento funciona como um espaço para discussões estratégicas e articulações comerciais, especialmente em momentos de incerteza regulatória como o atual.

Segundo Marcos Milaneze, diretor da Wine South America, a discussão sobre tributação exige uma abordagem mais calibrada. “A discussão sobre a tributação de bebidas alcoólicas é legítima, mas precisa considerar as especificidades de cada categoria. O vinho possui um perfil de consumo distinto, historicamente associado à moderação e à experiência gastronômica, além de desempenhar um papel relevante em cadeias de valor ligadas ao turismo e à economia criativa”, afirmou.

O executivo também chama atenção para os riscos de uma equiparação simplificada do vinho a outras bebidas alcoólicas. “Quando se trata o vinho da mesma forma que outras categorias, sem considerar suas particularidades, o efeito pode ser a retração de um mercado que ainda está em fase de consolidação no Brasil, com impacto direto sobre investimentos, geração de emprego e desenvolvimento regional”, disse.

Os dados mais recentes reforçam o dinamismo do setor. Em 2025, o mercado brasileiro de vinhos e espumantes movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões, avanço próximo de 10% em relação ao ano anterior, conforme levantamento da Ideal.BI. O crescimento foi impulsionado pelo aumento do tíquete médio e pela valorização de rótulos de maior qualidade. No caso dos espumantes, o volume já supera 40 milhões de litros comercializados anualmente, indicando uma mudança estrutural no padrão de consumo.

Diante desse cenário, a combinação entre avanço regulatório e ambiente de negócios tende a definir o ritmo do setor nos próximos anos, em um momento em que o vinho busca ampliar sua presença no mercado brasileiro e consolidar sua relevância econômica.

 




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