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quarta-feira, julho 22, 2026

Dividendos avançam 10,1% no mundo no 1º trimestre, e recompras de ações recuam

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Os dividendos distribuídos pelas maiores empresas do mundo somaram US$ 424,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 10,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado reflete a resiliência dos lucros corporativos em diferentes mercados, mesmo diante de um cenário marcado por juros elevados, tensões geopolíticas e incertezas no comércio internacional. Os dados fazem parte da primeira edição do Janus Henderson Global Dividend and Buyback Index, estudo que passou a acompanhar, além dos dividendos, os programas de recompra de ações das companhias.

Embora as recompras tenham permanecido em patamar semelhante ao dos dividendos, totalizando US$ 425,7 bilhões entre janeiro e março, o volume caiu 3,1% na comparação anual. Para a gestora, esse movimento indica que as empresas têm adotado uma postura mais seletiva na devolução de capital aos acionistas, preservando maior flexibilidade financeira diante das incertezas econômicas.

Os Estados Unidos seguiram como o principal mercado global de remuneração aos investidores. As companhias americanas distribuíram US$ 183,5 bilhões em dividendos, equivalentes a quase metade do total apurado pelo índice, além de destinarem US$ 266,7 bilhões à recompra de ações. Tecnologia, instituições financeiras e empresas de energia lideraram os pagamentos no País.

Na Europa continental, os dividendos cresceram de forma expressiva e atingiram US$ 67,4 bilhões, avanço de 35,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, impulsionados por fatores cambiais e pelo calendário de distribuição. A Suíça concentrou o maior volume de pagamentos, com US$ 27,3 bilhões, seguida pela Dinamarca.

O Reino Unido também registrou desempenho relevante. As empresas britânicas distribuíram US$ 17,7 bilhões em dividendos, crescimento de 17,7% sobre o mesmo período do ano anterior. Parte desse avanço foi impulsionada por dividendos extraordinários anunciados por companhias como Next e Reckitt após eventos corporativos específicos. Além disso, grupos como AstraZeneca e Shell contribuíram para sustentar o volume de distribuição. No mercado britânico, as recompras alcançaram US$ 5,8 bilhões, o maior montante da Europa, atrás apenas da Alemanha.

Na América Latina, os dividendos totalizaram aproximadamente US$ 10,5 bilhões no trimestre, o que representa crescimento subjacente de 15% frente ao mesmo período de 2025. O Brasil respondeu por quase 60% desse volume, com cerca de US$ 6,3 bilhões distribuídos aos acionistas. O avanço subjacente dos dividendos das empresas brasileiras foi de 9,6%, acima da média global observada pelo levantamento.

A Vale esteve entre os principais destaques do período, elevando o dividendo por ação de R$ 2,66 para R$ 3,58 na comparação anual. O setor de mineração também impulsionou as distribuições no México, lideradas pelo Grupo México, e no Chile. Em contraste, as recompras de ações na América Latina permaneceram limitadas a US$ 1,1 bilhão, indicando menor utilização desse instrumento na região.

Entre os segmentos econômicos, o setor financeiro manteve a liderança tanto na distribuição de dividendos quanto nas recompras de ações. Os bancos e instituições financeiras pagaram US$ 90,8 bilhões em dividendos e responderam por US$ 110,7 bilhões em recompras, mais de um terço do total global.

O maior crescimento proporcional, porém, foi registrado pelo setor de materiais básicos. Os dividendos dessas empresas aumentaram 47,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025, impulsionados pela demanda crescente por minerais estratégicos, como cobre e lítio, utilizados na expansão da infraestrutura voltada à inteligência artificial, incluindo data centers e semicondutores.

As empresas de tecnologia também mantiveram forte participação na remuneração aos investidores, distribuindo US$ 43,7 bilhões em dividendos e executando US$ 66,6 bilhões em programas de recompra de ações.

Para o restante do ano, a Janus Henderson elevou sua projeção para o crescimento global dos dividendos, estimando expansão de 8,3% em 2026, acima dos 6,8% registrados no ano anterior. Em sentido oposto, a expectativa é de retração de 1,1% nas recompras de ações, após o avanço de 6,1% observado em 2025.

Segundo Jane Shoemake, gestora de carteiras de clientes da equipe de Renda de Ações Globais da Janus Henderson, a capacidade das empresas de manter resultados robustos tem sustentado o aumento dos dividendos, apesar do ambiente econômico mais desafiador.

“Em meio a um cenário macroeconômico que parece cada vez mais incerto, a surpresa tem sido a solidez dos lucros em todo o mundo. Esses lucros quase sempre têm como resultado dividendos mais elevados, e é exatamente isso que estamos vendo atualmente em diversos setores e regiões”, afirmou.

Ela ressalta que as recompras cumprem um papel diferente dentro da estratégia de retorno de capital. “Os dividendos são, em geral, decisões de longo prazo do conselho de administração baseadas na sustentabilidade, enquanto as recompras de ações têm natureza mais discricionária e cíclica. Nesse sentido, os dividendos continuam sendo o sinal mais forte de confiança, enquanto as recompras de ações atuam como um amortecedor mais flexível”, acrescentou.






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