A rápida evolução da inteligência artificial trouxe avanços significativos para a sociedade, mas também abriu espaço para uma nova geração de crimes digitais. Entre eles, os deepfakes se destacam como uma das ferramentas mais perigosas, sendo hoje protagonistas em fraudes financeiras no Brasil.
O problema já atingiu um nível alarmante: a IA está presente em quase metade das tentativas de golpes no país. Relatório da Polícia Federal revelou que, em 2025, 42,5% das fraudes financeiras no Brasil já contavam com ferramentas de IA.
O uso de vídeos e áudios falsos gerados por IA, conhecidos como “deepfakes”, cresceu 830% entre 2024 e 2025, colocando o país na liderança desse tipo de crime na América Latina. E as cifras já alcançam o patamar de bilhões.
Em menos de um ano, entre julho de 2025 e abril deste ano, apenas os golpes contra bancos e provedores de infraestrutura para o sistema financeiro já alcançaram mais de R$ 1,8 bilhão.
Os deepfakes são conteúdos falsos, sejam eles vídeos, áudios ou imagens, gerados por inteligência artificial com alto nível de realismo. Eles conseguem imitar rostos, vozes e comportamentos humanos com precisão impressionante.
No Brasil, o crescimento do uso desse tipo de tecnologia em crimes foi exponencial. O uso de deepfakes cresceu cerca de 830% entre 2024 e 2025. O país já lidera esse tipo de crime na América Latina. Cerca de 42,5% das fraudes financeiras já utilizam inteligência artificial.
Esse cenário revela uma mudança estrutural: os golpes deixaram de ser amadores e passaram a ser altamente tecnológicos.
A sofisticação dos ataques aumentou drasticamente. Hoje, criminosos utilizam IA para criar estratégias altamente personalizadas e emocionalmente persuasivas.
Entre os golpes mais comuns estão a clonagem de voz, vídeos falsos com figuras públicas, falsas centrais de atendimento e identidades sintéticas.
O combate aos deepfakes é complexo. Isso porque a tecnologia evolui mais rápido do que os mecanismos de defesa.
Enquanto isso, empresas e instituições financeiras investem em sistemas de detecção baseados em IA para tentar equilibrar essa disputa tecnológica.
O Brasil já vive essa realidade. E o futuro da segurança digital dependerá da capacidade de equilibrar inovação tecnológica com consciência, regulação e educação da sociedade.
*Alessandra Montini é diretora do LabData, da FIA Business School




