13.7 C
São Paulo
terça-feira, agosto 11, 2026

Crise no RH: 60% dos profissionais estão desesperados por mudar de carreira

DEVE LER



O avanço do RH como área estratégica dentro das empresas não tem sido suficiente para garantir a permanência dos próprios profissionais do setor. Pesquisa realizada pela Sólides em parceria com a Offerwise mostra que 60% dos trabalhadores de Recursos Humanos e Departamento Pessoal considerariam migrar de área ou carreira caso tivessem oportunidade.

Os dados fazem parte do Mapa do RH & DP 2026, levantamento realizado com 401 profissionais, entre líderes e colaboradores, de diferentes regiões do Brasil. Entre os entrevistados, 24% afirmaram que aceitariam mudar de carreira exclusivamente diante da possibilidade de receber uma remuneração maior.

O salário, no entanto, aparece como apenas uma das pressões enfrentadas por esses trabalhadores. Quando questionados sobre os fatores que poderiam levá-los a pedir demissão, 41% mencionaram a busca por melhores salários e benefícios. Outros 38% apontaram excesso de trabalho e metas consideradas inalcançáveis, enquanto 35% citaram a ausência de um plano de carreira e de oportunidades de crescimento.

Os resultados expõem um contraste dentro das empresas. Ao mesmo tempo que o RH amplia sua participação nas decisões corporativas e assume responsabilidades relacionadas à atração, desenvolvimento e retenção de talentos, os profissionais responsáveis por essas funções também enfrentam dificuldades para enxergar perspectivas dentro das próprias organizações.

“A pesquisa mostra que o RH avançou muito na conversa estratégica. Mas ainda existe um gap real entre o que as organizações anunciam e o que os profissionais vivem no dia a dia. Fechar essa distância não exige transformar tudo de uma vez, mas sim escolher bem onde investir e entregar com consistência”, analisou Ale Garcia, co-CEO e cofundador da Sólides.

Liderança trava tecnologia

Outro ponto identificado pelo levantamento é que a digitalização já alcançou grande parte das áreas de gestão de pessoas, mas ainda está longe de abranger integralmente suas atividades. Segundo a pesquisa, 93% das empresas utilizam algum software de RH ou DP, percentual cinco pontos acima do registrado em 2025.

A presença das ferramentas, contudo, não significa que elas sejam utilizadas de maneira abrangente. Apenas 43% dos entrevistados afirmaram que os sistemas atendem a todos ou à maioria dos processos da área.

O principal obstáculo para ampliar a adoção tecnológica também não está diretamente relacionado à disponibilidade de recursos. Enquanto 26% apontam restrições orçamentárias como barreira para contratar, substituir ou ampliar o uso de softwares, 52% mencionam a falta de aprovação das lideranças.

“Para as PMEs, esse dado aponta uma estratégia clara: a resistência à tecnologia reside mais frequentemente em quem decide do que em quem executa”, avaliou Garcia. “Demonstrar ganhos concretos de produtividade e redução de erros operacionais tende a ser mais eficaz do que apresentar listas de funcionalidades desconectadas do contexto da organização.”

IA ganha espaço

A inteligência artificial também avança nas atividades de RH e DP. A parcela de profissionais que utiliza a tecnologia passou de 69% em 2025 para 76% neste ano. Entre os usuários, 72% avaliam positivamente os resultados obtidos.

As aplicações já vão além de tarefas experimentais. Segundo o levantamento, 53% utilizam IA em treinamento e desenvolvimento, 46% na gestão de documentos, 37% em gestão comportamental e 36% em processos de recrutamento e seleção.

A expansão, porém, ainda encontra limitações relacionadas principalmente ao uso de dados e ao impacto das ferramentas sobre decisões envolvendo funcionários. O risco de erros em decisões sobre pessoas é apontado como obstáculo por 30% dos entrevistados, mesmo percentual registrado para preocupações relacionadas à Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD.

“A IA entrou de vez na rotina de RH. A questão agora já não é se adotar, mas como gerar mais valor na adoção. Quando a tecnologia assume o operacional, o time ganha tempo para olhar para as pessoas de verdade”, disse Garcia.

Para o executivo, a automação também tende a ganhar importância diante do aumento das exigências regulatórias e das responsabilidades atribuídas às áreas de gestão de pessoas. “Com a NR-1 tornando a saúde mental um tema fundamental em 2026, o olhar sobre a temática precisa se tornar processo.”

O Mapa do RH & DP 2026 ouviu 401 profissionais de Recursos Humanos e Departamento Pessoal de todo o país. A pesquisa foi realizada pela Sólides em parceria com a Offerwise, entre 10 e 17 de abril, por meio de questionário online estruturado de autoaplicação.






Fonte Link

- Publicidade -spot_img

Mais Artigos

- Publicidade -spot_img

Último Artigo