O cooperativismo brasileiro encerrou 2025 com resultados recordes, consolidando sua expansão em diferentes segmentos da economia. Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro, divulgado pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), o setor movimentou R$ 848 bilhões no ano, crescimento superior a 12% em relação ao período anterior, e alcançou a MARCA de 29 milhões de cooperados, um avanço de 87% em comparação com seis anos atrás. A expectativa da entidade é de que a movimentação financeira anual das cooperativas atinja R$ 1 trilhão até 2028.
O levantamento também mostra o fortalecimento patrimonial das cooperativas. Os ativos somaram R$ 1,6 trilhão, alta de 14,9% sobre 2024, enquanto o número de empregos diretos cresceu mais de 6%, chegando a 613.375 trabalhadores. Das cerca de 4.400 cooperativas em operação no país, mais de 1.200 pertencem ao ramo agropecuário. Já o segmento de crédito concentra o maior patrimônio, com R$ 1,1 trilhão em ativos. Na área da saúde, quase 700 cooperativas reúnem aproximadamente R$ 90 bilhões em ativos e empregam mais de 162 mil pessoas.
Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, os indicadores refletem a capacidade do modelo cooperativista de ampliar sua presença na economia ao mesmo tempo em que gera benefícios para seus integrantes e para as comunidades onde atua.
“Os números do Anuário mostram que o cooperativismo continua crescendo de forma consistente porque entrega resultados concretos para as pessoas. Cada novo cooperado representa alguém que escolheu participar de um modelo baseado na cooperação, na geração compartilhada de riqueza e no desenvolvimento das comunidades”, afirmou.
Primeira mulher a ocupar a presidência executiva da entidade em seus 57 anos de história, Tania destacou a evolução da governança das cooperativas brasileiras e o protagonismo feminino no setor.
“No passado, nos baseamos muito no formato de cooperativismo da Alemanha em termos de gestão e governança, especialmente na parte financeira. Mas, hoje podemos dizer que somos um exemplo aos olhos do mundo neste tema. Fico muito feliz ainda por deixar esse legado de representação feminina em um mercado tão importante para nós”, comemorou. Segundo ela, as mulheres representam mais de 53% do quadro de funcionários das cooperativas brasileiras.
A gerente-geral do Sistema OCB, Clara Maffia, avalia que o cooperativismo ganha relevância diante dos desafios enfrentados pelo AGRONEGÓCIO e por outros setores da economia.
“As cooperativas querem ser cada vez mais eficientes e retornar o lucro ao seu cooperado. Estamos em um momento complexo do agro, por causa das mudanças climáticas e o cooperativismo entra como uma solução”, disse.
Ela acrescentou que a entidade mantém diálogo com as equipes de todos os candidatos à Presidência da República para garantir que o fortalecimento do cooperativismo permaneça na agenda de políticas públicas, independentemente do resultado das eleições.
Tarifas dos EUA ainda têm efeito limitado
Mesmo diante das incertezas provocadas pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o Sistema OCB afirma que os impactos sobre as cooperativas ainda são reduzidos. Em 2025, o setor respondeu por US$ 17,4 bilhões em receitas de exportação, tendo China e Japão como principais destinos, seguidos por Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos.
“Estamos bem atentos, mas este momento é mais de entender e monitorar o cenário. Acreditamos no diálogo e por enquanto não existe um impacto grande do tarifaço nas cooperativas. Temos, por exemplo, a maior cooperativa de café do mundo e que entrou na lista de exceções do governo dos EUA. Podemos dizer que apesar da questão geopolítica, o desempenho das cooperativas é maior do que a média de outros setores da economia”, afirmou Clara.
Entre os produtos mais exportados pelas cooperativas brasileiras estão o café não torrado, carnes de aves, soja triturada, carne suína e óleo de soja.
Na avaliação de Tania Zanella, os dados do anuário reforçam uma tendência de expansão sustentada do modelo cooperativista em diferentes regiões do país.
“O Anuário confirma uma tendência que observamos há alguns anos: o cooperativismo cresce em escala, amplia sua participação na economia e fortalece seu impacto nas comunidades. Um exemplo disso é o Nordeste, onde vemos um enorme crescimento das cooperativas que se dá principalmente pela educação financeira que fazemos por lá. Isso foi um desafio que o Banco Central nos propôs e que estamos cumprindo muito bem”, concluiu.




