Como manter uma segunda posição consolidada em vendas durante mais de uma década, em um setor de smartphones cada vez mais acirrado no Brasil? Nos componentes da fórmula da Motorola estão a fabricação própria em território nacional, nas duas plantas em Jaguariúna (SP) e Manaus (AM), a união de tecnologia e lifestyle nos produtos, colabs e parcerias com grifes renomadas e a aposta em aparelhos dobráveis. Tudo isso com um elemento adicional: a pressão dos concorrentes tradicionais e a recente invasão de marcas chinesas no mercado brasileiro fazem a Motorola inovar, investir em P&D e se movimentar de forma mais intensa, inclusive para aumentar sua participação no setor no ano passado.
“A concorrência até nos ajudou a crescer, porque fragmentou um pouco mais a quantidade de ofertas no mercado e nós, por meio de uma estratégia mais sólida, conseguimos uma penetração maior no mercado brasileiro”, disse Rodrigo Vidigal, CEO da Motorola Brasil, ao BRAZIL ECONOMY.
Em 2025, a cada três smartphones comercializados no país, um foi Motorola, o que mostra a força da MARCA, a capilaridade do portfólio e a consistência da tática comercial em todas as faixas de preço, diante de um segmento liderado pela Samsung, com Apple muito presente, a chinesa Xiaomi ganhando espaço e outras fabricantes asiáticas, como OPPO, Realme e Jovi (vivo), recém-chegadas por aqui com apetite.
“Vemos esse movimento de competição de maneira muito natural. Estamos preparados para competir, seja com dois concorrentes, seja com cinco. A quantidade não faz tanta diferença”, complementou o executivo, que está à frente da operação brasileira da Motorola.
“O importante é termos uma estratégia que, claramente, nos diferencie. Nenhum outro concorrente associa o lifestyle à tecnologia como nós fazemos”, afirmou Vidigal ao citar, por exemplo, a linha “The Brilliant Collection”, colab lançada no ano passado com a Swarovski.
A colaboração inclui produtos como o smartphone motorola razr 60, na cor Pantone Ice Melt, acompanhado dos fones moto buds loop sound by Bose e de uma crossbody case translúcida, todos itens com cristais Swarovski aplicados manualmente.
A Motorola prepara para o segundo semestre deste ano o lançamento de outra grande colab, que ainda é mantida sob sigilo. Isso porque até junho haverá uma série de lançamentos que chegarão ao Brasil.
Entre eles, o smartwatch em colaboração com a Polar. “Combinamos o que há de melhor da tecnologia com quem mais entende de biometria para relógios”, disse Vidigal.
Premiunização
Também chega em breve ao Brasil o smartphone ultrapremium Signature, lançado globalmente no início do ano. O design sofisticado, com estrutura em alumínio escovado usado em aeronaves, texturas de luxo inspiradas em sarja e linho e cores com curadoria da Pantone, está entre as características. É o primeiro ultrafino de sua categoria com quatro câmeras de 50 MP, além de contar com a plataforma Snapdragon 8 Gen 5, bateria com até 52 horas de duração e assistência “white-glove” (concierge) sob demanda.
Ele se soma à família razr (dobráveis) para fortalecer ainda mais a presença da Motorola no portfólio topo de linha. Com o Signature, a expectativa é ampliar em mais cinco pontos percentuais a participação da MARCA no segmento ultrapremium nos próximos 12 meses.
“No segmento premium, registramos crescimento consistente e acima do mercado, com alta de 34% ano contra ano em 2025, reforçando a assertividade da estratégia de premiunização do portfólio e o fortalecimento da MARCA nas faixas de maior valor agregado”, disse Rodrigo Vidigal.

Nos dobráveis, segmento em que a Motorola lidera no Brasil e também nos Estados Unidos, o crescimento foi de 24% no ano passado em relação a 2024. “Já no comparativo de janeiro de 2026 versus janeiro de 2025, superamos 50% de expansão, reforçando a aceleração da categoria”, frisou o CEO.
Outras categorias
A família moto g segue como uma das franquias que democratizam recursos antes restritos ao segmento premium. Os novos moto g67, moto g77 e moto g max reforçam o conceito de “lifestyle tech para todos”, proposto pela MARCA.
Já o mercado intermediário segue sendo a fortaleza da Motorola, líder do segmento. O crescimento das vendas foi de 30% nos últimos dois anos, desempenho acima do próprio ritmo de expansão do segmento intermediário como um todo. “Nosso objetivo é continuar ampliando essa participação e sustentar o ritmo de crescimento nos próximos ciclos.”
Resultados e market share
Desde que foi adquirida pela chinesa Lenovo, em 2014, a Motorola avançou significativamente no mercado brasileiro. Naquele ano, 2,81% dos smartphones utilizados no Brasil eram da MARCA. Hoje são 20%, na segunda posição, segundo dados da Statcounter, que avalia as fabricantes dos telefones que acessam a internet. Samsung encabeça a lista com 34,2% e es=m terceiro está a Apple, com 18%. Já de acordo com a Omdia, a Motorola tem 24% de participação em vendas no território nacional.
O Brasil é o terceiro maior mercado da Motorola no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Índia. Nos últimos 10 anos, foram investidos R$ 3 bilhões em atividades de P&D por aqui, onde atuam 1.200 engenheiros dedicados.
Outro diferencial da fabricante no Brasil é o programa de fidelidade, lançado no fim de 2025 e ainda em fase inicial, atualmente exclusivo para a loja online da Motorola, com plano de expansão para parceiros e varejistas ao longo de 2026.
Nos primeiros dois meses de operação, o programa já registrou a adesão de 56.111 clientes, com 32,8 milhões de pontos acumulados e 1,2 milhão de pontos resgatados.
Os números e o desempenho da Motorola no Brasil colaboram para o desempenho global da MARCA. No terceiro trimestre de 2025, a Lenovo registrou receita total de US$ 22,2 bilhões, dos quais US$ 15,8 bilhões vieram de sua divisão de dispositivos inteligentes, que inclui os smartphones da Motorola, além de PCs, tablets e outros dispositivos da Lenovo com IA embarcada.




