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segunda-feira, junho 1, 2026

Citi vê “colheita ruim” no resultado da Kepler Weber e rebaixa ação para venda

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A deterioração das margens dos produtores de soja e milho, que estão nas piores condições em duas décadas, levou o Citi a rebaixar a recomendação das ações da Kepler Weber de neutra para venda, reduzindo o preço-alvo de R$ 9 para R$ 5,60.

Os agricultores operam com margens próximas do ponto de equilíbrio, o que desestimula investimentos em infraestrutura de armazenagem. As ações da Kepler Weber estão em queda de 7,7% nesta segunda-feira, sendo negociadas a R$ 6,50.

O alto custo de capital e a incerteza fiscal dificultam a normalização do setor agrícola. No primeiro trimestre, a Kepler Weber reportou queda de 10,9% na receita líquida, com lucro líquido reduzido em 33%.

O CEO Bernardo Nogueira destacou, na conferência de resultados do trimestre. que a empresa enfrenta o momento mais desafiador em 30 anos, com margens da soja em níveis históricos baixos.

As ações KEPL3 desvalorizaram 34,2% em 2026 e 19% em 12 meses, com a empresa avaliada em R$ 1,2 bilhão.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A deterioração do ambiente de competitividade, com a pior margem dos últimos 20 anos para produtores de milho e soja, fez com que os analistas do Citi rebaixassem a recomendação das ações da fabricante gaúcha de silos e máquinas agrícolas Kepler Weber.

O banco rebaixou a avaliação de neutra para venda e reduziu o preço-alvo das ações de 12 meses, para R$ 5,60, contra uma previsão anterior de R$ 9. No pregão do dia 29 de maio, os papéis fecharam a R$ 7,04.

Segundo os analistas, os agricultores brasileiros atualmente estão operando com margens próximas do ponto de equilíbrio, o que, neste momento, elimina a justificativa econômica para investir em infraestrutura de armazenagem.

“As margens da Kepler Weber historicamente apresentaram forte correlação com a rentabilidade dos produtores, reforçando nossa visão de que a deterioração da economia agrícola deve se traduzir em pressão sobre os resultados da companhia”, diz o relatório assinado pelos analistas André Mazini, Piero Trotta e Kiepher Kennedy.

A decisão do Citi vai na mesma direção da percepção de todo o mercado financeiro sobre o setor agrícola, especialmente das duas culturas, e o impacto para companhias do setor. Por volta de 12h30 desta segunda-feira, 1º de junho, as ações da Kepler Weber na B3 registravam queda de 7,7%, sendo negociadas a R$ 6,50.

A expectativa, neste cenário, é de permanência deste cenário afetado pelos juros. “O custo de capital no Brasil continua entre os mais altos do mundo em termos reais, e a incerteza fiscal torna improvável qualquer normalização significativa no curto prazo, elevando a taxa mínima de retorno exigida para investimentos rurais de longo prazo”, afirma o documento do banco.

“Nosso novo preço-alvo é de R$ 5,60 por ação (ante R$ 9 anteriormente), e estimamos que a KEPL3 esteja sendo negociada a 13,9 vezes o lucro projetado para 2026”, completa a análise.

A piora da economia agrícola, segundo os analistas, com uma margem extremamente pressionada, tem refletido também diretamente em preços mais baixos das commodities. Soja e milho estão 20% abaixo dos níveis de 2022. Também houve impacto do aumento dos custos dos insumos, principalmente fertilizantes.

“Essa combinação reduziu significativamente a rentabilidade do setor agrícola e, consequentemente, diminuiu a disposição dos produtores para realizar investimentos de capital (capex)”, explicam os analistas do Citi.

Outro ponto observado pelo banco tem relação direta com a disponibilidade mais restritiva do capital. Apesar da existência de linhas de crédito subsidiadas especificamente para o setor, sua utilização vem diminuindo, segundo o Citi, principalmente pelo impacto da taxa Selic, atualmente em um patamar de 14,5% ao ano.

O desafiador cenário macroeconômico e a queda na rentabilidade dos produtores também se refletem no resultado financeiro da companhia no primeiro trimestre deste ano.

Entre janeiro e março, a Kepler Weber reportou queda de 10,9% na receita líquida sobre o mesmo período de 2025, com R$ 318,1 milhões. O Ebitda caiu 36,4% e ficou a R$ 33,7 milhões. O lucro líquido diminuiu 33% e fechou o trimestre com R$ 171 milhões.

“A margem bruta da soja, que é o carro-chefe do AGRONEGÓCIO brasileiro, era de 34% entre 2010 e 2015. Depois, caiu para 21% entre 2016 e 2020. Agora, as margens chegam na casa de 1% a 2%, nos menores níveis históricos”, disse o CEO Bernardo Nogueira, durante a conferência de resultados do primeiro trimestre.

“Estamos realmente em um momento de baixa geração de caixa, com juros altos, alta inadimplência e crédito mais restritivo. É o momento mais desafiador que a companhia viu nos últimos 30 anos”, complementou o executivo, na ocasião.

No acumulado de 2026, as ações KEPL3 registram desvalorização de 34,2% na B3. Em 12 meses, a queda é 19%. A Kepler Weber está avaliada em R$ 1,2 bilhão.



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