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quinta-feira, julho 30, 2026

Cibersegurança é prioridade absoluta dos bancos brasileiros em 2026

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Há um dado da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 que, para mim, sintetiza bem o momento vivido pelo setor: 100% dos bancos atribuem relevância alta ou média à cibersegurança em sua agenda tecnológica. Logo depois aparecem cloud e inteligência artificial generativa, ambas com 84% de prioridade.

Mais do que uma lista de investimentos, esses números revelam uma mudança importante de perspectiva. A discussão sobre tecnologia nos bancos já não está concentrada apenas na criação de novos canais ou funcionalidades. Não por acaso, os bancos projetam investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, alta de 8% sobre 2025 e de 58% em cinco anos. O desafio agora é construir uma operação capaz de inovar continuamente sem comprometer segurança, disponibilidade e confiança.

Essa mudança faz sentido quando observamos a dimensão que o digital alcançou. Em 2025, os bancos brasileiros registraram 240,8 bilhões de transações, sendo 83% realizadas em canais digitais. O mobile banking, sozinho, respondeu por 78% desse volume.

Na minha leitura, esses dados deixam claro que a tecnologia deixou de ser apenas um diferencial competitivo. Ela se tornou a própria infraestrutura de relacionamento entre os bancos e seus clientes. É por meio dela que as pessoas consultam informações, movimentam recursos, contratam produtos e tomam decisões financeiras. E, quando toda essa relação passa pelo ambiente digital, segurança e confiança se tornam inseparáveis.

É por isso que vejo a cibersegurança não apenas como uma área técnica, mas como parte central da estratégia do negócio. Proteger dados, identidades, credenciais, integrações, fluxos e transações é proteger a continuidade da operação e a reputação construída com os clientes. Quanto mais digital uma instituição se torna, menos espaço existe para tratar segurança como uma camada adicionada no final dos projetos. Ela precisa estar presente desde a concepção.

O mesmo vale para cloud. A pesquisa mostra que 72% dos bancos pretendem ampliar seus investimentos nessa frente. Na prática, porém, essa decisão não significa apenas transferir sistemas para uma nova infraestrutura. Significa criar condições para integrar ambientes, distribuir cargas, aumentar a disponibilidade e responder com mais velocidade às mudanças do mercado.

Tenho defendido que cloud só gera valor real quando está conectada a uma visão mais ampla de arquitetura. Migrar sem revisar processos, integrações e modelos de governança pode apenas deslocar problemas antigos para uma infraestrutura nova. O ganho aparece quando a nuvem ajuda a tornar a operação mais flexível, observável e preparada para escalar.

A inteligência artificial generativa completa essa agenda. O fato de também aparecer como prioridade para 84% dos bancos demonstra que o setor já reconhece seu potencial para ampliar a produtividade, personalizar experiências, apoiar decisões e transformar o atendimento.

Ainda assim, existe uma diferença importante entre experimentar IA e incorporá-la de maneira consistente à operação. Hoje, 20% dos bancos já utilizam inteligência artificial em larga escala na experiência do cliente, enquanto os demais ainda avançam por diferentes estágios de adoção.

Esse talvez seja um dos pontos que mais me chamam a atenção. A tecnologia evoluiu rapidamente, mas a capacidade das organizações de governá-la precisa avançar no mesmo ritmo. IA não gera transformação de forma isolada. Ela depende de dados confiáveis, processos estruturados, infraestrutura escalável, critérios de segurança e acompanhamento humano.

Em outras palavras, quando a inteligência artificial é aplicada sobre uma operação fragmentada, tende a ampliar a complexidade que já existe. Quando é incorporada a processos bem desenhados e governados, passa a representar uma capacidade competitiva real.

A verdade é que os bancos brasileiros já venceram uma parte importante da jornada de digitalização. Mas agora entram em uma fase mais exigente: transformar escala digital em uma operação mais segura, integrada, flexível e inteligente.

Minha percepção é que as instituições que melhor avançarem não serão necessariamente aquelas que adotarem mais tecnologias, mas as que conseguirem coordená-las dentro de uma arquitetura confiável. Cibersegurança, cloud e inteligência artificial não são agendas independentes. São partes de uma mesma construção: a infraestrutura de confiança que sustentará o sistema financeiro nos próximos anos.

*Tiago Amor é CEO da Lecom, plataforma pioneira em hiperautomação no Brasil

 






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