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quarta-feira, agosto 19, 2026

Balneário Camboriú, em busca de arrecadação, libera arranha-céus em bairros

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Balneário Camboriú, conhecida pela concentração de edifícios de alto padrão na orla, poderá ganhar arranha-céus de até 150 metros em bairros afastados da beira-mar e da região central. A mudança está prevista na nova Lei de Uso e Ocupação do Solo, chamada de Lei do Microzoneamento, que redistribui o potencial construtivo do município catarinense.

A legislação mantém o sistema de outorga onerosa, contrapartida paga pelas incorporadoras para construir além dos limites básicos estabelecidos e cujos recursos são destinados a obras de infraestrutura urbana e mobilidade. Em 2025, a prefeitura arrecadou R$ 135 milhões por meio desse instrumento e espera aumentar a receita com a expansão das áreas aptas a receber novos empreendimentos.

O novo regramento também busca estimular a formação de terrenos maiores e a implantação de projetos que integrem moradia, comércio, serviços e espaços de convivência. Com isso, regiões até agora distantes do eixo dos grandes edifícios poderão receber investimentos e passar por um processo de valorização.

A mudança ocorre em uma das cidades com os imóveis mais valorizados do Brasil. Balneário Camboriú ocupa a terceira posição no ranking nacional de preço médio do metro quadrado, segundo o Índice FipeZap. A ampliação das possibilidades de construção pode, entretanto, diversificar a oferta para além dos empreendimentos de luxo concentrados na orla.

Para Bruno Cassola, especialista em investimentos imobiliários e corretor com atuação no segmento de alto padrão do Sul do país, a legislação expande as fronteiras do mercado dentro do próprio município. “Terrenos que eram subutilizados passam a incorporar novas possibilidades de desenvolvimento. Isso tende a atrair incorporadoras, estimular a formação de áreas maiores, de novos negócios e antecipar movimentos de valorização em endereços e bairros que ainda não estavam no radar dos investidores”, analisou.

A expectativa é que o novo zoneamento favoreça a construção de unidades compactas, empreendimentos de uso misto e imóveis destinados tanto à moradia permanente quanto à locação e ao investimento. Esse movimento poderá atender compradores que vivem ou trabalham na cidade, mas não procuram apartamentos com os valores praticados nas áreas mais valorizadas.

“Unidades de duas suítes e cerca de 90 metros quadrados, hoje menos comuns nas áreas frente-mar e central, mais valorizadas da cidade, podem atender profissionais liberais, empresários e famílias que moram em Balneário Camboriú, mas não buscam imóveis acima de R$ 5 milhões. A estimativa é que apartamentos desse perfil possam chegar aos novos corredores na faixa de R$ 1,6 milhão a R$ 1,8 milhão, conforme localização, padrão do empreendimento e custo do terreno”, disse Cassola.

Na avaliação do especialista, os primeiros grandes projetos deverão se concentrar em corredores que já disponham de acessos, comércio, serviços e terrenos com dimensões adequadas. Em regiões com infraestrutura menos consolidada, a transformação deverá ocorrer de forma mais lenta.

“A lei do Microzoneamento, que regulamenta, na prática, as diretrizes estabelecidas pelo Plano Diretor, abre uma oportunidade relevante, mas não elimina a necessidade de analisar cada endereço. Os projetos com maior capacidade de valorização serão os que combinarem viabilidade imobiliária, infraestrutura e integração com a cidade. Balneário Camboriú inicia um novo capítulo de crescimento, e o resultado dependerá da qualidade das escolhas feitas a partir de agora”, acrescentou.



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