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quinta-feira, julho 23, 2026

Atlantica Hospitality International cresce 11% e alcança R$ 2,9 bilhões em receita

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A Atlantica Hospitality International encerrou 2025 com receita de R$ 2,92 bilhões, resultado que representa crescimento de 11% em relação ao ano anterior e consolida a administradora entre as maiores operadoras hoteleiras do país. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento da diária média dos hotéis administrados e pela expansão da receita por quarto disponível, indicador conhecido no setor como RevPar.

A companhia administra atualmente 198 empreendimentos e cerca de 28,8 mil quartos em todo o Brasil. Em 2025, a diária média registrou avanço de 9% em relação ao ano anterior, contribuindo para um crescimento de 9,46% no RevPar, considerando todas as verticais de negócios da empresa.

Além dos resultados financeiros, a rede também manteve indicadores elevados de satisfação dos clientes. O NPS da companhia atingiu 59,3 pontos, índice considerado dentro da zona de excelência na indústria de hospitalidade.

O período também foi marcado pela expansão do pipeline de empreendimentos. A Atlantica assinou 13 novos contratos ao longo do ano, totalizando 3.045 quartos adicionais. Para 2026, a expectativa é acelerar ainda mais esse movimento, com a assinatura de 24 novos contratos e a incorporação de cerca de 3.150 quartos ao portfólio.

A projeção da empresa é atingir R$ 3,26 bilhões em receita em 2026 e chegar a 36,7 mil unidades habitacionais até 2030, quando pretende alcançar faturamento de R$ 5,45 bilhões.

Cinco novas unidades já estão programadas para abertura ao longo de 2026, somando 711 quartos. Entre os empreendimentos inaugurados recentemente estão o Motto by Hilton Recife Antigo e o Transamerica Executive Ribeirão Preto.

Um dos movimentos estratégicos da Atlantica nos últimos anos tem sido o fortalecimento do segmento de lazer, tradicionalmente menos explorado pela companhia, cuja atuação sempre esteve mais concentrada em hotéis corporativos.

Nesse contexto, a administradora anunciou a assinatura do Aparecida Resort Transamerica Collection, empreendimento de multipropriedade localizado em Aparecida, no interior de São Paulo. O resort terá 700 quartos e estrutura voltada tanto para o turismo religioso quanto para viagens de lazer em família.

Em paralelo, a empresa assinou contratos para outros seis empreendimentos de lazer, que juntos somam cerca de 910 quartos e deverão ser anunciados oficialmente ao mercado nos próximos meses.

Outro destaque foi a inauguração do primeiro hotel da bandeira Radisson RED na cidade de São Paulo. Localizado no bairro de Moema, o Radisson RED Ibirapuera possui 103 apartamentos e aposta em um conceito contemporâneo que combina arte, design e tecnologia. O projeto recebeu investimento superior a R$ 1 milhão em obras de arte integradas aos ambientes do hotel.

A companhia também renovou por mais 20 anos o contrato exclusivo com a Choice Hotels, mantendo a responsabilidade pelo desenvolvimento e operação de diversas marcas internacionais no Brasil. Entre elas estão Radisson, Radisson Blu, Radisson Collection, Radisson RED, Park Plaza, Park Inn by Radisson, Country Inn & Suites, Comfort, Quality, Clarion, Sleep Inn e Ascend Collection.

Outro eixo estratégico da Atlantica tem sido a transformação digital da operação. A empresa estruturou sua estratégia tecnológica em três pilares principais: experiência do cliente, cultura de dados e eficiência operacional.

Entre as iniciativas implementadas estão tecnologias de autoatendimento para hóspedes, como totens de check-in e check-out e televisores interativos nos quartos.

O programa de fidelidade Let’s Atlantica também ganhou escala e ultrapassou a MARCA de 1,46 milhão de participantes, tornando-se o segundo canal de vendas mais relevante da rede.

Para investidores, a empresa lançou o aplicativo Investidor Atlantica, ferramenta que permite acompanhar de forma transparente o desempenho financeiro dos ativos hoteleiros administrados pela companhia.

Internamente, a rede também implantou o chamado Cockpit da Recepção, uma plataforma digital voltada à gestão operacional que busca otimizar processos e apoiar as equipes de atendimento.

Nos próximos anos, a companhia pretende aprofundar a integração tecnológica com o lançamento de um novo aplicativo Let’s Atlantica, além de um assistente virtual baseado em inteligência artificial capaz de prestar atendimento 24 horas aos hóspedes.

Segundo a empresa, a estratégia busca posicionar a Atlantica como uma companhia “tech-powered”, que utiliza tecnologia para aumentar eficiência e personalização do serviço sem perder o caráter humano da hospitalidade.

O cenário do turismo brasileiro também tem contribuído para o desempenho do setor hoteleiro. Em 2025, a aviação nacional transportou mais de 100 milhões de passageiros em voos domésticos, número recorde para o país.

A valorização do dólar e a busca por viagens mais acessíveis levaram muitos brasileiros a priorizar destinos nacionais. Regiões do Nordeste continuam entre as preferidas dos turistas, combinando lazer, natureza e experiências culturais.

Ao mesmo tempo, o fluxo de visitantes estrangeiros também apresentou crescimento. Segundo dados da Atlantica, o número de hóspedes internacionais na rede aumentou 5,6% em 2025 em relação ao ano anterior, com avanço ainda mais forte no segmento de lazer, que registrou alta de 12,4%.

Na comparação com o período pré-pandemia, o crescimento da base de turistas estrangeiros ultrapassa 128%.

Parcerias com redes globais como Hilton, Choice e Wyndham funcionam como importantes canais de distribuição internacional, conectando os hotéis administrados pela Atlantica a mercados emissores de turistas na América do Norte, Europa e Ásia.

Eduardo Giestas: “Estamos vendo um nível de interesse em novos projetos como há muito tempo não víamos”

Entrevista | Eduardo Giestas, CEO da Atlantica Hospitality International

Como o senhor avalia o desempenho da companhia em 2025?
Crescemos 11% e chegamos a uma receita de R$ 2,92 bilhões. Quando colocamos esse resultado dentro do contexto macroeconômico, ele ganha ainda mais relevância. A inflação ficou em torno de 4,3%, o PIB cresceu aproximadamente 2,3% e o PIB de serviços algo próximo de 3%. Ou seja, continuamos ganhando relevância e escala dentro do mercado.

Qual foi o principal motor de crescimento da empresa no último ano?
O grande motor foi o aumento da receita por quarto disponível, o RevPar. Esse crescimento não veio de aumento do número de quartos, mas principalmente de eficiência operacional. A diária média cresceu cerca de 9% e outras receitas, como alimentos e bebidas, também tiveram avanço relevante.

Mesmo com juros elevados, ainda há interesse de investidores no setor hoteleiro?
Sim. A taxa Selic de 15% realmente não ajuda no curto prazo, porque o investidor pode optar por aplicações financeiras com baixo risco. Mas ao mesmo tempo os hotéis estão gerando margens operacionais muito fortes, acima de 40%, o que torna o ativo hoteleiro competitivo frente a outros ativos imobiliários. Estamos vendo um nível de interesse em novos projetos como há muito tempo não víamos.

O crescimento do turismo internacional também contribui para essa perspectiva positiva?
Sem dúvida, embora o turismo doméstico ainda represente cerca de 80% da demanda hoteleira no Brasil. O país está relativamente barato em dólar e em euro, e novos mercados emissores estão surgindo com força, como China e Índia. Isso tende a ampliar o fluxo internacional naturalmente ao longo dos próximos anos.

Quais são as expectativas da companhia para 2026 e os próximos anos?
Esperamos crescer cerca de 12% em 2026 e alcançar aproximadamente R$ 3,2 bilhões em receita. Se isso se confirmar, será o melhor ano da história da empresa. Olhando mais à frente, nossa meta é chegar a cerca de R$ 5,5 bilhões em faturamento até 2030, com crescimento orgânico e expansão do portfólio. Nos últimos anos nos transformamos em uma empresa muito maior e mais diversificada, e acreditamos que ainda há muito espaço para continuar crescendo.






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