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sábado, agosto 22, 2026

A sandália sustentável fez a fama da Linus. Agora a marca expande para linha infantil

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Bloomberg Línea — Uma sandália colorida de plástico – de diferentes cores – tem chamado a atenção de observadores mais atentos nos pés de consumidores de centros urbanos no Brasil e do exterior, de São Paulo e Nova York a Berlim, nos últimos anos.

O seu apelo vai muito além do design: vegana, a sandália é produzida com PVC microexpandido 100% reciclável de origem vegetal, sem testes em animais, com certificação internacional e os selos The Vegan Society e Ambipar Circular Pack.

A MARCA de lifestyle sustentável é a brasileira Linus, fundada pela empreendedora Isabela Chusid quando ela tinha 23 anos, em 2018.

A Linus ganhou notoriedade e reconhecimento no mercado por conseguir gerar impacto ambiental com um produto que acessa um mercado endereçável amplo – os preços hoje estão na faixa de R$ 160 (com desconto) a R$ 200 – e uma operação lucrativa, demonstrando que é possível conciliar essas frentes.

E prepara um novo salto nos negócios com o lançamento de uma linha infantil, em informação antecipada à Bloomberg Línea.

A decisão de lançamento da nova linha – chamada de Mini Linus – foi tomada com base em informações sobre a base de clientes: pais representam cerca de um terço dos consumidores, e a busca por produtos infantis sustentáveis só cresce.

Trata-se de um segmento de mercado que movimentou estimados R$ 50 bilhões em 2024 no país, com expansão de cerca de 6% ao ano, segundo dados da For Insights Consultancy e do Sebrae.

“Sempre soubemos que havia uma demanda latente por produtos sustentáveis no segmento infantil. A nova linha é uma resposta responsável às demandas da nossa comunidade”, disse Isabela Chusid em nota.

Da base de clientes, quase a metade (46%) é classificada como recorrente. Segundo a empreendedora, a nova categoria deve contribuir para ampliar ainda mais os índices de fidelização e retenção.

Outro fator levado em conta para o lançamento da linha infantil foi o atributo das sandálias de serem pensadas por consumidores como um produto “presenteável”, o que foi identificado como um dos drivers de crescimento das vendas.

A expectativa é que a nova linha represente 10% do faturamento da MARCA já em 2026 – os valores absolutos da Linus não são revelados. Além das sandálias, meias e bonés fazem parte de suas linhas de produtos sustentáveis.

Hoje a Linus está presente em cerca de 450 pontos de venda no Brasil, além da presença em países da Europa, da América do Sul e da Oceania.

A internacionalização se deu de maneira orgânica, segundo a fundadora da Linus, diante de pedidos de compra de consumidores em diferentes países, mas sempre com uma operação cuidadosa do ponto de vista de finanças e gestão, seja por meio de e-commerce ou com parceiros locais de distribuição. O mesmo ocorreu com a presença, a convite, de eventos como a New York Fashion Week.

No ano passado, Isabela foi a representante brasileira e finalista no Cartier Women’s Initiative, um programa que busca reconhecer e premiar empreendedoras de impacto com atuação de destaque em diferentes partes do mundo.

No mesmo ano, foi selecionada como uma das 100 Pessoas Inovadoras da América Latina pela Bloomberg Línea.

A operação da Linus, em particular o uso de materiais recicláveis, tem sido observada e replicada por outras marcas de calçados, o que Chusid descreveu como um impacto positivo adicional do seu modelo de negócios.

“É um longo caminho de mudança, mas vemos que cada vez mais consumidores estão atentos à questão da sustentabilidade ambiental. E, para empresas, fica claro que do jeito que está não dá para continuar”, disse a empreendedora à Bloomberg Línea.

Chusid comanda a Linus desde o início sem recursos de investidores, diante do entendimento de que isso poderia lhe tirar a autonomia de tomar as decisões que julga mais adequadas alinhadas a preocupações sociais e ambientais.

Isso faz com que a gestão financeira do negócio, que “precisa parar de pé por si só”, como faz questão de ressaltar, se tornasse algo prioritário.

“Nós atingimos o breakeven em dois meses, porque sempre tive essa preocupação em ser sustentável financeiramente. Sempre fomos muito diligentes com cada centavo”, disse Chusid, que é formada em administração.

Ela contou que a Linus foi criada como loja no Instagram com um investimento inicial de R$ 53.000. Teve como cofundador seu irmão Alan Chusid, empreendedor serial conhecido também pela fintech Neon e que atua como conselheiro.

Os recursos foram aplicados essencialmente no desenvolvimento do produto, em trabalho que levou seis meses e contou com a ajuda de especialistas em palmilha, ortopedistas, engenheiros de material e designers.

Com um modelo de vendas digital, que ainda predomina a despeito da capilaridade em lojas físicas no Brasil e que apresenta melhores margens, a empresa conseguiu crescer 700% na pandemia.

As lojas permitem o conhecimento da MARCA por novos clientes e o início de um relacionamento que, em um segundo momento, migra em parte para o digital, em busca de novos modelos, com novas cores e tamanhos.

“Faz parte da nossa estratégia de crescimento e cria um círculo virtuoso.”

Isabela, que é a acionista controladora, disse que não descarta a captação por meio de fundos no futuro e que é constantemente procurada por investidores, mas que no momento isso não faz parte dos planos.

Mais recentemente, entre 2023 e 2024, ela trouxe profissionais com experiência em empresas como Magazine Luiza, Alpargatas e Ambev para liderar áreas chave como financeiro, produto e logística, entre outras.

O movimento faz parte de uma decisão pensada não apenas em busca de eficiência mas também de descentralização da tomada de decisões.

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