(Imagem: Divulgação/ Nasdaq)
Longe de setores como mineração, petróleo ou energia elétrica, a XP desponta como uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa, segundo o JPMorgan. Em relatório, o banco elegeu a corretora como uma das preferidas de sua cobertura, estimando um dividend yield que pode chegar a 13%.
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Segundo os analistas, a geração de capital da companhia, negociada a cerca de sete vezes o lucro estimado para 2027, abre espaço para uma forte distribuição de recursos aos acionistas por meio de dividendos e recompras de ações.
Atualmente, a empresa trabalha com um retorno sobre o patrimônio (ROE) de cerca de 21% e projeta encerrar 2026 com esse indicador entre 16% e 19%.
“Com base em nossos cenários, estimamos que a XP possa desbloquear entre R$ 2,5 bilhões e R$ 8 bilhões em capital excedente”, afirmam os analistas.
No cenário-base do JPMorgan, a companhia poderia distribuir entre R$ 5 bilhões e R$ 5,5 bilhões aos acionistas, o equivalente a um rendimento de aproximadamente 12% a 13% — “um dos mais altos em nosso universo de cobertura”.
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Isso, porém, não tira o mérito do BTG Pactual, que continua sendo a instituição preferida do banco entre as empresas de mercados de capitais.
Ainda assim, o JPMorgan destaca que a XP apresenta uma relação risco-retorno favorável. As ações são negociadas a cerca de 7,7 vezes o lucro estimado para 2026 e 7,1 vezes o lucro projetado para 2027, além de um múltiplo de 1,6 vez o valor patrimonial e um ROE próximo de 23%.
XP: cenários
No cenário mais pessimista, o JPMorgan estima que a XP encerre 2026 com lucro estável em relação a 2025. No cenário-base, a expectativa é de crescimento de 7%, enquanto a projeção mais otimista aponta para uma alta de 13%.
Com isso, o banco estima uma distribuição de aproximadamente R$ 5,5 bilhões entre dividendos e recompra de ações, o que representa um rendimento próximo de 13%. Dependendo do cenário, esse montante pode variar entre R$ 3 bilhões e R$ 8 bilhões.
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Apesar da distribuição extraordinária esperada, o JPMorgan ressalta que, no longo prazo, o dividend yield tende a se normalizar na faixa de 7% a 8%, ainda entre os mais elevados de sua cobertura.
Neste ano, a XP já anunciou US$ 500 milhões em dividendos e lançou um novo programa de recompra de ações de até R$ 1 bilhão, indicando que a maior parte da remuneração aos acionistas ainda deverá ser anunciada.
Desde 2022, a companhia recomprou cerca de 50 milhões de ações. Com isso, o número de papéis em circulação caiu de 559 milhões no segundo trimestre de 2022 (577 milhões em base diluída) para 519 milhões no primeiro trimestre de 2026 (525 milhões em base diluída).
Segundo o banco, a XP vem renovando de forma consistente seu programa de recompra de R$ 1 bilhão.
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“Nos níveis atuais de preço das ações, acreditamos que a administração poderá continuar priorizando as recompras em detrimento dos dividendos”, afirma o relatório.
O JPMorgan acrescenta que o payout da companhia depende da geração de capital excedente, mas projeta uma distribuição recorrente próxima de 60% no futuro.
XP passou pelo pior momento
Na avaliação do JPMorgan, a XP atravessou um período desafiador entre 2025 e 2026, marcado por uma combinação de fatores que pressionaram o desempenho das ações.
Entre os principais obstáculos estiveram a divulgação de um relatório de vendedor a descoberto, a queda do índice de satisfação dos clientes (NPS) — afetada pela liquidação do Banco Master e por perdas relacionadas a crédito privado e COEs — e o impacto da abertura da curva de juros sobre o sentimento dos investidores.
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O NPS da companhia caiu de 74 pontos no terceiro trimestre de 2024 para 61 pontos no primeiro trimestre de 2026.
Como resultado, as ações da XP acumularam queda de 1,5% no ano, enquanto o ETF EWZ avançou 9% no mesmo período.
Para os analistas, a trajetória dos juros continua sendo o principal catalisador para uma recuperação dos papéis, embora isso dependa de uma sinalização fiscal mais favorável durante o processo eleitoral.
Apesar das dificuldades, o JPMorgan vê fatores que sustentam uma visão positiva para a empresa, entre eles o elevado dividend yield, o crescimento dos ativos sob custódia (AUC) em linha com o restante do setor, a expectativa de recuperação do NPS, um ambiente de juros mais favorável e uma avaliação considerada descontada.
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Diante desse conjunto de fatores, o banco manteve recomendação de compra para as ações da XP e preço-alvo de R$ 136 para as BDRs, o que representa um potencial de valorização de cerca de 61%.
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