(Imagem: iStock.com/Galeanu Mihai | Montagem: Anna Zeferino)
A Gerdau (GGBR4) aparece entre os destaques negativos do Ibovespa (IBOV) nesta quinta-feira (20) com as notícias de que os Estados Unidos e Canadá podem chegar a um acordo comercial preliminar, potencialmente envolvendo concessões que reduziriam as tarifas atualmente aplicadas pelos EUA sobre o aço e o alumínio canadenses.
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Isso pressionou as ações de empresas de aço e alumínio, incluindo a Gerdau e suas pares norte-americanas, como Steel Dynamics (-8%) e Nucor (-6%).
No entanto, o Citi e o UBS BB não avaliam que a notícia mude o cenário para a Gerdau, apesar das dúvidas mais à frente.
Os acontecimentos aumentam a incerteza em relação ao futuro do acordo comercial entre EUA, México e Canadá (USMCA), especialmente depois que os EUA optaram por não renovar o acordo em seu formato atual, deixando-o sujeito a revisões anuais.
Por volta das 12h26 (horário de Brasília), GGBR4 recuava 2,33% (R$ 22,18). Na mínima, a ação despencou 4,71% (R$ 21,64).
Fundamentos seguem inalterados
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Na avaliação do Citi, a notícia de redução das tarifas dos EUA ao aço canadense traz ruídos no curto prazo para a Gerdau, mas não alteram os fundamentos da companhia. “Acreditamos que o mercado estaria se antecipando demais ao precificar uma deterioração significativa das margens da Gerdau nos EUA”, afirma o banco.
No relatório, o Citi considera importante destacar que uma possível abertura comercial com o Canadá, pode ser vista como mais positiva do que negativa especificamente para a Gerdau, considerando que a empresa possui operações no Canadá.
Na avaliação do banco, a reação do mercado pode estar sendo influenciada pelo uso dessas negociações como uma espécie de termômetro para possíveis negociações comerciais entre EUA e México, que, nesse caso, teriam um impacto relativamente maior sobre a companhia.
“Em nossa visão, uma maior liberalização comercial com o México poderia ter impacto líquido negativo para a Gerdau, devido a mudanças na dinâmica de oferta e demanda (S&D) na região, o que poderia acabar afetando os preços”, acrescenta.
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No entanto, o Citi observa que o início das negociações do USMCA foi benigno para a Gerdau, e, portanto, seria prematuro incorporar aos preços uma reversão do ambiente positivo atualmente desfrutado pelo setor na região.
O Citi tem recomendação de compra para Gerdau, com preço-alvo de R$ 29, o que implica um potencial de valorização de 26,4% em relação ao fechamento anterior.
Manchete é pior do que dados indicam
Para os analistas do UBS BB, a avaliação, após analisar os dados de demanda e importações, é de que a manchete da notícia parece pior do que os dados realmente indicam.
Na avaliação do banco suíço, a Gerdau parece estar melhor posicionada em relação a outros produtores de aço dos EUA, uma vez que os segmentos de vigas (beams) e aços para laminação comercial parecem mais protegidos de um aumento nas importações, especialmente provenientes do Canadá e do México.
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“Ainda assim, ressaltamos que essa avaliação é preliminar, pois depende fortemente da política comercial que os três países adotarão daqui para frente, algo que ainda não está claro”, complementa o banco. “O que podemos afirmar hoje é que Canadá e México não são grandes exportadores de vigas e MBQ para os EUA — e ambos se tornaram importadores líquidos no acumulado de 2026.”
Além disso, como a demanda pelos dois produtos cresceu cerca de 7% no acumulado do ano, bem acima de outros produtos, acreditamos que eventuais volumes adicionais de importação poderiam ser absorvidos pelo mercado. As importações de vigas, inclusive, já aumentaram 60% no acumulado do ano.
Por fim, a possibilidade de implementação de cotas também reduz parte da pressão.
Embora a notícia não seja complemente positiva, para o UBS BB, a avaliação é de que ela não “destrói” completamente a tese de investimento. O banco segue com recomendação de compra de GGBR4, com preço-alvo de R$ 28, um potencial de valorização de 23,3%.
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