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sexta-feira, agosto 7, 2026

Tecnologia para enfrentar a seca e o El Niño – Broadcast

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Tânia Rabello

Às vésperas da chegada de um El Niño que promete ser intenso, o sertão da Bahia se mostra preparado para fazer frente a desafios que possam surgir. A convite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), estive na região no fim de semana para conhecer tecnologias voltadas a pequenos criadores. A proposta, executada pelo Instituto CNA, é garantir alimento para bovinos, caprinos e ovinos durante os períodos mais severos de estiagem, cultivando pastos adaptados e resistentes ao clima semiárido, como algumas espécies de gramíneas, e a palma forrageira, uma cactácea.

Além de o nordestino ser “um forte”, como apontava Euclides da Cunha em “Os Sertões”, o produtor local percebeu também que a seca não se combate, se convive. Mas, para que a coexistência seja viável, a receita é pesquisar e desenvolver tecnologias que levem em conta o fato de que, ali, só chove em média 500 milímetros por ano.

A iniciativa da CNA, cujas técnicas testadas e aprovadas para alimentar rebanhos no sertão vão, agora, ser transmitidas aos pecuaristas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), é só mais um exemplo de que o semiárido brasileiro tem grande potencial produtivo, garantindo o sustento de seus agricultores e pecuaristas, mesmo nos períodos mais agudos de seca – desde que se adotem práticas que viabilizem essa convivência.

O problema da falta de água para as populações do semiárido nordestino também foi em grande parte solucionado com outra tecnologia de forte impacto: a instalação de milhões de cisternas na região, que captam e armazenam água de chuva. Hoje já são mais de 1,2 milhão dessas cisternas espalhadas no sertão brasileiro e, nas andanças da reportagem, nota-se que cada propriedade rural tem, hoje, sua cisterna.

Claro que ainda há muito a ser feito, mas, aos poucos, a imagem esquelética e deplorável de Fabiano, Sinhá Vitória, seus dois filhos e a cadela Baleia de “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, vai ficando no passado. Graças à pesquisa e à tecnologia.



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