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domingo, junho 28, 2026

Olist compra fintech Flip e entra em crédito com captação de R$ 90 milhões

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Bloomberg Línea — Um mês depois de oficializar a criação de sua divisão logística e apostar no frete como alavanca de crescimento, a Olist anuncia um novo passo estratégico: a entrada no mercado de crédito.

A startup com status de unicórnio, conhecida pela sua plataforma de gestão para pequenos e médios negócios (ERP), acaba de adquirir a empresa de antecipação de recebíveis Flip e levantou um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) de R$ 90 milhões para sustentar a nova operação.

A iniciativa MARCA o fortalecimento da frente financeira da companhia paranaense, em operação desde o ano passado com conta digital e serviços de pagamento.

Agora com a MARCA “Flip by Olist”, o ecossistema passa a oferecer crédito de forma automatizada, integrada ao ERP e aos canais de vendas do pequeno empreendedor.

A Olist tem uma base com mais de 50.000 lojistas cadastrados em sua plataforma.

A Flip foi fundada em 2018 pelos sócios Raphel Levi e Gustavo Traballe com modelo de análise de risco sem intervenção humana e já originou mais de R$ 1 bilhão ao longo dos anos em que atua. O processo, feito por robôs, tem a capacidade de análise de mais de 500 dados simultaneamente.

Da antecipação de recebíveis, com uso de duplicatas e capital de giro, a fintech avançou para cartão de crédito no ano passado. A previsão noticiada à época era a de registrar um faturamento de R$ 80 milhões em 2025.

“Fazer um M&A apenas faz sentido quando alguns elementos estão presentes, porque nossa tese busca convergir todas as soluções para nossos clientes na Olist, e não construir uma house of companies. Na Flip, demos check em todos os pontos para avançarmos com a transação”, disse Tiago Dalvi, fundador e CEO da Olist.

Segundo o empreendedor, a Flip apresenta um “desempenho superior” ao dos demais players e trabalha com marcas “muito acima”.

O próximo passo, segundo Dalvi, é conseguir multiplicar a escala do negócio dentro do ecossistema da Olist.

O potencial da nova divisão de crédito, do acordo com projeção internas, supera em 60 vezes o volume operado pela Flip atualmente.

A Flip tem uma base de mais de 3.000 clientes – menos de 5% entre os atuais clientes da Olist.

A transação foi acertada com desembolso financeiro e troca de ações. O valor não foi revelado. Os sócios-fundadores continuarão à frente da operação.

A aquisição MARCA o retorno da Olist ao balcão de M&As. Desde a fundação em 2015, a startup comprou a Clickspace e a Pax logística, em 2020. A ERP Tiny e a plataforma de e-commerce Vnda tinham sido as últimas, em 2021.

“Nós integramos todas essas, que viraram Olist”, afirmou Dalvi em entrevista recente à Bloomberg Línea, ao comentar sobre as perspectivas de novas aquisições.

O processo acompanha o ritmo mais acelerado que a startup imprime desde o ano passado, com o lançamento das novas verticais.

Primeiro veio um serviço financeiro, ampliado com o braço de crédito; e depois o lançamento da divisão de logística nos últimos meses.

A ambição de Dalvi é contar com um ecossistema completo para o empreendedor, no qual, a partir de poucos cliques, esse cliente possa ter acesso aos dados operacionais e financeiros do negócio, operacionalizar e acompanhar entregas e acessar crédito.

A startup tem crescido ao ritmo de dois dígitos “altos” e prevê chegar nos próximos meses – até o fim deste ano – ao breakeven, segundo o CEO e fundador, que não abre os valores absolutos nem os percentuais.

“Hoje, 100% da alocação de capital está em dois grandes eixos. O primeiro eixo é de ganho de market share e trazer mais clientes – e aqui crescemos em um nível bastante agressivo”, afirmou Dalvi.

“E, a partir do ERP, que é o nosso principal produto, conseguimos avançar para o segundo pilar da estratégia, que é expandir o uso de produtos adicionais pelos clientes”.

A Olist chegou ao status de unicórnio (com valuation igual ou acima de US$ 1 bilhão) em 2021, quando recebeu um aporte de US$ 186 milhões em rodada Série E liderada pelo fundo Wellington Management. Do valor levantado, cerca de R$ 500 milhões estão preservados, o que deixa margem para novos negócios.

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